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Náutica

Conheça um estabilizador para lanchas pequenas desenvolvido por alunos da USP

Publicado em 07 outubro 2011

Por Por Gilberto Ungaretti

Fazer um churrasquinho a bordo de um barco pequeno e ancorado num local não muito abrigado pode ser um verdadeiro espeto - porque ele certamente balançará demais. Mas a solução pode estar a caminho. A partir do trabalho de conclusão de curso de quatro alunos (Bruno Fovitzky, Lealdo Andrade, Marcos de Oliveira e Ricardo Milani) da pasta de Engenharia Mecatrônica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, foi criado o Sema - Sistema de Estabilização Multi-Ativo, um estabilizador simples e barato, para barcos de até 30 pés, mas que só funciona quando ele estiver parado. "Conseguimos diminuir em 80% o balanço, coisa que só sistemas bem mais complexos e caros conseguem", vibra o professor Nicola Getschko, coordenador do projeto e colaborador de Náutica.O princípio de funcionamento do Sema é o mesmo dos estabilizadores dos grandes iates: um giroscópio calcula o ângulo e a velocidade do balanço lateral do casco e envia sinais de correção para uma central de processamento - no caso, uma simples placa semelhante a dos celulares. A principal diferença do novo sistema é que, em vez de pares de aletas acionados por complexos sistemas hidráulicos — o que resulta em estabilizadores grandes e pesados -, o Sema só exige dois diminutos motores elétricos instalados na popa do barco, cada um com um pequeno hélice. Ele não prejudica a estrutura nem a estética do casco. E não faz barulho, já que é elétrico. Seu único senão é exigir um conjunto extra de duas baterias de 150 A cada, uma para cada motorzinho estabilizador do casco.

Como, contudo, se trata de um mero trabalho universitário, o Sema ainda não tem nenhuma garantia de que vá ser produzido em série - apesar do interesse da empresa Technomar, que apoiou o projeto, junto com a Fapesp. Também não há certeza sobre seu custo, embora uma das premissas do trabalho fosse que tivesse preço final bem acessível. Por isso, usa mecanismos simples e componentes baratos. De qualquer forma, é certo que o Sema, se produzido em escala comercial, não custará um navio de dinheiro. E, pelo que se viu nos testes, no único tanque do gênero do país, na própria Universidade de São Paulo, deve fazer o mesmo efeito dos caríssimos estabilizadores de iates.

Com um pouco de otimismo, já dá até para ir preparando os espetos e pondo o carvão na churrasqueira.

Uma balança, outra não

Duas lanchinhas iguais foram usadas neste teste, no tanque de provas da USP, que reproduz as condições do mar. A que aparece em primeiro plano está equipada com o estabilizador Sema. Por isso, move-se bem menos que a outra. A diferença é visível e bem grande.

Como ele funciona?

Um giroscópio (equipamento que produz força no sentido oposto ao do movimento, neutralizando-o assim parcialmente, só que, neste caso, de forma digital), mede a inclinação e a velocidade do balanço lateral do barco e envia sinais de correção para uma pequena "central eletrônica" (que pode ser uma simples placa igual a dos telefones celulares). Esta, por sua vez, aciona dois pequenos motores elétricos, de 700 watts cada, instalados na popa, com hélices independentes. Os hélices giram em sentido contrário um do outro, para compensar o jogo lateral do barco, neutralizando as forças das marolas. Mas, tal qual os demais estabilizadores de navios, ele só funciona quando o barco estiver parado, já que seu objetivo é diminuir os balanços laterais. Ao voltar a navegar, é preciso recolher os motores elétricos.