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Conheça premiadas pelo Reconhecimento Acadêmico em Direitos Humanos

Publicado em 06 março 2021

Em cerimônia virtual transmitida pelo YouTube, a Unicamp, por meio da Diretoria Executiva de Direitos Humanos, e o Instituto Vladimir Herzog anunciaram nesta quinta-feira (4) os vencedores da primeira edição do Prêmio de Reconhecimento Acadêmico em Direitos Humanos Unicamp-Vladimir Herzog. Foram premiadas onze pesquisas, dos níveis de graduação, mestrado e doutorado, nas áreas de ciências exatas e tecnologia, ciências naturais, saúde e meio ambiente, ciências sociais e educação e ciências da comunicação e linguagem – todas desenvolvidas nas três universidades estaduais de São Paulo, Unicamp, Unesp e USP. Também foram anunciados três prêmios honorários, que reconhecem a contribuição de pesquisas para os Direitos Humanos. 

Participaram da premiação o Diretor Executivo do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sottili; o Reitor da Unicamp, Marcelo Knobel; a Coordenadora Geral da Universidade, Teresa Atvars; a Diretora Executiva de Direitos Humanos da Unicamp, Néri de Barros Almeida; além das pesquisadoras que receberam os prêmios honorários. 

As 91 pesquisas inscritas nesta edição foram julgadas por sua aderência aos propósitos do prêmio, que incluíam o respeito à dignidade da vida e do planeta; o combate à desigualdade, pobreza e à fome; a promoção de novas formas de desenvolvimento econômico, tecnológico e produtivo que eliminem a exploração do ser humano e do planeta; o estímulo à solidariedade e o fortalecimento da cultura de paz. Confira a lista dos pesquisadores premiados: 

Categoria Ciências exatas e tecnologia:
– Graduação: Caio Henrique Teixeira Alberto (Unesp – campus de São João da Boa Vista), com a pesquisa “Avaliação do ciclo de vida de uma antena wifi”;
– Mestrado: Otávio Aguiar de Souza (Unesp – Faculdade de Ciências, campus de Bauru) com a dissertação “Abordagem verde e multivariada para extração e análise de metabólitos fenólicos de Eugenia uniflora L. utilizando Solventes Eutéticos Naturais Profundos”;
– Doutorado: Marcelo Wilson Berbone Furlan Alves (Unesp – Faculdade de Engenharia de Bauru), com a tese “Proposição de um índice mundial de justiça climática por meio de abordagem mista de métodos quantitativos”.

Categoria Ciências Naturais, Saúde e Meio Ambiente:
– Graduação: Giulia Romano Bombonatti (Unicamp – Faculdade de Enfermagem), com pesquisa “Processo de trabalho da enfermagem no consultório na rua: estratégias e ferramentas de enfrentamento das vulnerabilidades da população em situação de rua”; 
– Doutorado: Giorgia Sena Martins (Unicamp – Instituto de Geociências) com a tese “Mudança de Paradigma no Enfrentamento da Crise Ecológica: uma abordagem integrada entre o Direito e as Ciências da Terra”.

Categoria Ciências Sociais e Educação:
– Graduação: Larissa Ferreira Porto (USP – Faculdade de Direito de Ribeirão Preto) com a pesquisa “A desapropriação confiscatória em caso de trabalho escravo em propriedades rurais: análise da função social da propriedade como instrumento de justiça social”;
– Mestrado: Mariana Soares Leme (Unicamp – Faculdade de Educação) com a dissertação “Ensino de artes e suas potencialidades para abordagens das relações étnico-raciais na escola: as culturas indígenas e seus contextos urbanos;
– Doutorado: Carlos Alberto Suescún Barón (Unicamp – Instituto de Economia) com a tese “Desenvolvimento rural e subdesenvolvimento: uma caracterização da estrutura agrária da Colômbia (1961-2016)”.

Categoria Ciências da Comunicação e Linguagem:
– Graduação: Maria Luiza Araújo Santos (USP – Escola de Artes, Ciências e Humanidades) com a pesquisa “Envelhecimento feminino, idadismo e aparência: uma discussão sobre adaptações fílmicas do conto Branca de Neve”;
– Mestrado: Ana Luiza Barretto Bittar (Unicamp Instituto de Estudos da Linguagem) com a dissertação “Sobreviver e sonhar: histórias e memórias de mulheres em situação de rua”;
– Doutorado: Vladimir Miguel Rodrigues (Unesp – Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas de São José do Rio Preto) com a tese “Primeiro como tragédia, segundo como farsa: escravidão, abolição e democracia racial na literatura de Carolina Maria de Jesus, Paulo Lins e Ferréz”

Os prêmios honorários foram entregues às pesquisadoras Ester Sabino e Jaqueline Goes de Jesus, da USP, pelo trabalho de sequenciamento do genoma do vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, realizado em apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso da doença no Brasil. Foi homenageada também Manuela Carneiro da Cunha, antropóloga que se destaca pela atuação nas áreas de diversidade cultural, segurança alimentar e conservação ambiental, na valorização do patrimônio cultural e saberes dos povos indígenas. Houve ainda uma homenagem póstuma a Paulo Freire, por seu papel na educação como um instrumento de promoção da dignidade humana. Neste caso, o prêmio foi entregue à Ana Maria Saul, presidente da Cátedra Paulo Freire, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). 

Manuela Cunha comentou que se sente grata e honrada pelo reconhecimento obtido por meio do prêmio. A professora compartilhou um pouco de sua experiência junto a Vladimir Herzog e destacou o papel político que o trabalho das universidades podem desempenhar. “O que eu fiz, tanto na Unicamp, quanto na USP, e depois na Universidade de Chicago, foi um tipo de ativismo intelectual. Acho que esse ativismo cabe e deveria caber sempre nas universidades. Essa dimensão é importante em toda atividade científica”, comentou Manuela. 

Ester Sabino ressaltou a importância de Vladimir Herzog como símbolo da luta pelos Direitos Humanos no Brasil e a contribuição da ciência brasileira para o setor, sobretudo durante a pandemia da Covid-19. “A ciência levou anos para se recuperar dos impactos da Ditadura Militar, nossa Faculdade de Medicina foi uma das que mais perdeu professores, que tiveram que sair daqui, ou perderam seu direito de lecionar. É importante essa consciência do quanto isso pode atrapalhar a ciência por anos”, analisou Sabino. Jaqueline Góes também afirmou as dificuldades do atual período e a necessidade de fortalecer a ciência em prol da dignidade humana: “É um momento de escuridão, não só para a ciência, mas para nossa democracia, de um modo geral”.

Atenção para o compromisso com os Direitos Humanos

Criado por meio de um convênio entre a Unicamp e o Instituto Vladimir Herzog e aprovado em novembro de 2020, o prêmio tem como princípios o estímulo ao desenvolvimento de pesquisas, métodos, conhecimentos e tecnologias que promovam os Direitos Humanos em todas as áreas do conhecimento. Com isso, a ideia é fomentar a cultura desses direitos e chamar a atenção para a responsabilidade de todos os pesquisadores na promoção e proteção da dignidade humana. 

“Este prêmio é especial, ele não premia ativistas ou projetos exclusivamente voltados para os Direitos Humanos, que têm seus méritos, nem se restringe a um campo disciplinar. O prêmio pretende motivar todos ao compromisso com os Direitos Humanos, lembrando que toda e qualquer pessoa pode dar uma contribuição para a defesa e promoção da dignidade humana. Em particular, que o pesquisador pode ter um ganho para sua pesquisa se os Direitos Humanos se somarem a ela como princípio”, pontuou Néri de Barros Almeida. 

Para Rogério Sottili, Diretor Executivo do Instituto Vladimir Herzog, a entrega do prêmio torna-se ainda mais importante frente ao período sanitário e político que o país vive: “Essa cerimônia acontece no momento que, talvez, é o mais trágico da história brasileira. Com certeza é trágico para a ciência e para a academia, no momento em que o Brasil atinge quase 2 mil mortes por Covid-19 por dia, mortes essas que poderiam ser evitadas. Ela acontece em um momento de perseguição a reitores, a cientistas e a jornalistas. A premiação acontecer então neste momento faz ela ganhar mais importância, porque além do reconhecimento a todas as pesquisas e premiados, ela passa a ser um ato de resistência política e democrática”. 

O Reitor Marcelo Knobel reiterou o compromisso da Unicamp e de outras universidades com a cultura dos Direitos Humanos e avalia que a condução das instituições nesta missão contribui de forma positiva para toda a sociedade. “Tenho certeza que conseguiremos, nas edições futuras, manter essa excelência nas inscrições e, ao mesmo tempo, ampliar o prêmio para outras instituições de pesquisa que certamente têm muito o que mostrar nessa área dos Direitos Humanos. É um prêmio inédito, por isso mesmo é importante. Isso é fundamental para ampliar a percepção das pessoas da importância dos Direitos Humanos e  colocar essa discussão cada vez mais forte na sociedade e dentro das universidades”, afirmou Knobel.

Do Jornal da Unicamp

[[Crédito de foto:] Ester Sabino e Jaqueline Goes de Jesus, pesquisadoras que atuaram no sequenciamento genômico do SARS-CoV-2 (fotos: Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa Fapesp e Helen Salomão / Revista Vogue)]

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