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Academia PME

Conheça os tipos de investimento que sua empresa pode conseguir!

Publicado em 17 julho 2017

Você teve uma ideia genial.

Também acredita que já tem o negócio bem desenhado, projetado cada passo do seu plano de ação. Você sabe como, onde e para quem começar, mas falta uma coisa, o principal para dar vida ao seu projeto: Dinheiro.

Não se sinta mal, de acordo com um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas, mais da metade das boas ideias morrem antes de conseguir ir a mercado. E a falta de capital está entre os principais problemas, ficando atrás apenas da burocracia nos processos e da aversão ao risco, que é inerente ao se lançar um produto ou serviço inovador.

Entretanto, existem várias formas de conseguir contornar esta barreira que diz respeito ao financeiro, e algumas sequer dependem de empresas injetando dinheiro, você por si só pode ser capaz de levantar o montante.

Neste artigo da Academia PME você conhecerá quais são os tipos de investimentos mais praticados.

1) Bootstrapping

O termo em inglês poderia ser substituído sem perda de significado por “na base da raça”.

Esta modalidade é quando o próprio empreendedor, ou grupo de empreendedores, coloca dinheiro no negócio. Geralmente ocorre nas etapas inicias, para financiamento das atividades até que um investidor de maior porte perceba o valor agregado e a possibilidade de crescimento do projeto, decidindo por aplicar uma quantia na empresa.

2) Crowdfunding

É o famoso “financiamento coletivo”.

Utilizado para iniciar um negócio, o Crowdfunding consiste na divulgação da ideia do projeto, seja no meio online ou não, em busca de indivíduos interessados em colaborar com o avanço para a próxima fase, que é sair da idealização e partir para a realização.

O financiamento se dá por doações e, a não ser que haja uma negociação entre alguém disposto a investir e o dono do projeto, não existe contrapartida por meio de ações ou de participação no negócio. As pessoas doam por defenderem o sonho do empreendedor, acreditarem que a ideia dará certo e poderá sanar uma dor social.

3) Investidores-Anjo

Os Investidores-Anjo são pessoas físicas que realizam aportes de verba em determinada empresa por perceberem a possibilidade de um exponencial crescimento, tanto em volume quanto em velocidade.

São bastante seletivos em seus investimentos e aplicam dinheiro quando percebem esta iminência de crescimento em empreendimentos recém-desenvolvidos, de preferência.

No Brasil existem grupos de Investidores-Anjo, como por exemplo o Anjos do Brasil, que é composto por núcleos regionais alocados em todo o território nacional, e o Angels Club, plataforma online onde o investidor tem acesso a oportunidades de investimento e o empreendedor aos potenciais investidores.

4) Incubadoras

Este modelo é mais tradicional. A intenção das incubadoras é desenvolver a empresa em seus primeiros passos, auxiliando na construção da parte estrutural, na formatação do modelo e do plano de negócios.

Além disso, há a oferta de recursos para o acesso do empreendedor ao ensino superior e a cursos para desenvolvimento profissional, permitindo que este adquira mais habilidades práticas e teóricas de negócio.

Existem Incubadoras de âmbito privado e público. No caso da primeira, geralmente são empresas que disponibilizam espaços para as atividades dos empreendedores e fornecem estruturas para seu desenvolvimento, já as da segunda opção possuem os mesmos princípios e diretrizes, entretanto são financiadas com verba municipal, estadual ou federal e devem seguir ritos semelhantes aos de outros órgãos do serviço público.

5) Aceleradoras

As Aceleradoras comumente são consideradas como uma evolução das Incubadoras, um tipo mais moderno e mais complexo para desenvolvimento das empresas.

O processo para seleção é acessível a todos os empreendedores que desejarem, e as selecionadas recebem investimentos em vários aspectos além do financeiro, como por exemplo, consultorias e mentorias, treinamentos específicos e aprofundados, além de participação em eventos estratégicos.

É um processo que dura entre três e oito meses e em troca os investidores recebem uma participação acionária da empresa acelerada.

6) Seed Capital (Capital Semente)

O Capital Semente geralmente ocorre em empresas que já possuem algum produto ou serviço lançado no mercado mas ainda não conseguiram crescer de forma exponencial, muitas vezes graças a problemas estruturais.

O modelo é utilizado para auxiliar justamente neste âmbito, buscando consolidar as fases de implementação e organização das operações. Geralmente os investimentos são direcionados às áreas gerencial e financeira da empresa, principais pontos que precisam de atenção para uma empresa criar bases mais sólidas no mercado.

Outro ponto interessante é que muitos casos de empreendimentos que contam com esse tipo de investimento são frutos de Incubadoras.

7)Equity Crowdfunding

O Equity Crowdfunding é, basicamente, um financiamento coletivo para empresas em estágios iniciais. Entretanto, agrega ao Crowdfunding características dos Investidores-Anjo e do Seed Capital. Por já existir alguma atividade, é necessário a formalização como microempresa.

O processo ocorre em uma plataforma online de investimento e a empresa disponibiliza nesta seu projeto com informações completas, desde dados sobre os colaboradores até mesmo o Pitch (apresentação curta sobre a empresa visando atrair investidores).

A mescla de elementos ocorre pois quando um primeiro investidor se interessa pela ideia, ele se torna o mentor daquele projeto, fornecendo suporte necessário e buscando atrair outros investidores.

Todos os que acreditarem na ideia e aplicarem recursos no projeto receberão títulos que poderão, futuramente, ser convertidos em ações na Bolsa de Valores.

8) Programas de Incentivo à Inovação

Este tipo de recurso geralmente é oferecido por instituições governamentais ou fundações, como por exemplo o Finep, ANPEI, SENAI, FAPESP, dentre outros.

Esta última, inclusive, oferece um programa que foi fundamental para a MinDSS iniciar suas atividades, o PIPE (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas), que aporta recursos em ideias inovadoras, auxiliando na superação de etapas do seu desenvolvimento.

O acesso a esta modalidade de investimento se dá por meio de editais de dois tipos, os de fundo perdido, que não são reembolsáveis, ou os que prescrevem algum retorno para a instituição ou fundação que realizou o aporte financeiro, e é comum que ocorra o repasse de uma porcentagem das ações.

Ainda, outra característica deste modelo de fomento à inovação é que as linhas de crédito são oferecidas a juros mais baixos que os do mercado, em alguns casos podendo até serem nulos.

9) Venture Capital

Esta modalidade de investimento ocorre quando as empresas encontram-se em estágios mais avançados de desenvolvimento, em um momento de tração, onde já existe o product market fit (quando os indivíduos/empresas estão interessados em adquirir seu produto/serviço e mostram-se dispostos a utilizá-lo frenquentemente). Os recursos captados costumam ser superiores a R$ 500 mil, ficando comumente, no Brasil, entre 2 e 10 milhões.

Neste caso os investidores procuram empresas bastante segmentadas, levando em conta a chamada tese de investimento, que especifica em quais tipos de negócios há o interesse em comprar ações. Nesta tese são considerados aspectos como o setor de atuação, o faturamento anual, a região, dentre outras informações que serão essenciais na tomada de decisão pelo aporte.

10) Venture Building

O Venture Building mescla características de Incubadoras, Aceleradoras e Venture Capital, pois auxilia na concepção de todo o planejamento estratégico, na captação de recursos financeiros e estruturais, além do recrutamento dos profissionais.

Neste caso, a Venture Builder (empresa que realiza este tipo de investimento) não busca apenas chegar em um produto final, mas sim construir um novo negócio.

A participação acionária deste tipo também é bastante elevada e chega até a 80% das ações da empresa pertencendo ao investidor.

11) Private Equity

Este tipo de investimento é voltado para empresas já consolidadas. Ou seja, apenas negócios que já tenham passado por todas as etapas de implementação do projeto e estejam de fato atuando no mercado (e há a preferência ainda pelas que já o conquistaram) são alvos deste tipo de aporte. O faturamento estimado, para se ter ideia, costuma encontrar-se na casa das centenas de milhões.

O Private Equity pode ser considerado como uma “etapa-trampolim”, uma vez que representa o preparo da empresa para um novo salto de crescimento, podendo representar a expansão do negócio ou até mesmo a tão sonhada abertura de capitais junto à Bolsa de Valores.

É interessante citar que como contrapartida à compra de ações, os investidores exigem que o processo de gestão seja modernizado, buscando permitir que a empresa esteja preparada para enfrentar todo e qualquer cenário.

12) IPO

O IPO, ou Oferta Pública Inicial em português, representa de fato o modelo mais avançado de investimento, que é quando a empresa abre capital junto à Bolsa de Valores, dispondo ações em troca de montantes de dinheiro.

Nesta etapa, a empresa está tão consolidada no mercado que sua marca já é capaz de levantar uma grande quantia de capital e desperta interesse de aquisição nos mais variados tipos de investidores, sejam eles grandes empresários, pequenos investidores, ou até mesmo os clientes que encontram-se na última etapa do Funil de Vendas, os promotores, e compram ações para sentirem-se ainda mais próximos da empresa.

Resumo

Se o seu problema, seja para iniciar um negócio ou fazer a empresa crescer, for dinheiro, não se desespere.

Atualmente existem diversas formas de investimento, cada uma de acordo com uma ambição, um propósito e um objetivo.

Quem está pensando em abrir uma empresa pode conseguir por si próprio levantar os primeiros recursos necessários antes de conquistar um investidor especialista, podendo contar ainda com o auxílio de familiares, amigos, ou até mesmo desconhecidos que acreditam no projeto e querem vê-lo dando certo.

Para quem já possui empresa também existem variados modelos de investimento que tendem a caminhar de acordo com os anseios e expectativas vividos pelo negócio naquela etapa.

O mais interessante é que ao analisarmos os tipos de investimentos podemos perceber um caminho ascendente, evolutivo, no tipo de aporte de recursos. Conforme a empresa cresce e se desenvolve, expande-se conjuntamente a proporção, volume e intensidade dos investimentos, alinhando sempre com o propósito da empresa.