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Conheça o Alpha Crucis, o mais novo navio oceanográfico brasileiro

Publicado em 10 abril 2012

Por Pedro Sibahi


O navio oceanográfico Professor Wladimir Besnard foi, de 1967 até 2008, a principal embarcação civil brasileira usada em pesquisas – em 2008 ele sofreu um incêndio, que o fez parar de navegar. Mas, finalmente, o Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo comprou um navio maior, mais rápido e melhor equipado para substituí-lo: o Moana Wave, rebatizado de Alpha Crucis.

Fabricada em 1973, a embarcação foi adquirida dos Estados Unidos, onde foi reformada, e agora está a caminho do Brasil, onde deve chegar em maio. O Alpha Crucis deve aprimorar as pesquisas marinhas realizadas na costa do país, incluindo as feitas na zona do pré-sal. O diretor do IO, Michel Michaelovitch de Mahiques, contou em entrevista ao Webventure detalhes dessa nova aquisição.

Acompanhe a viagem do Alpha Crucis por meio do software on-line Marine Traffic, que dá o itinerário de vários navios que estão navegando pelo mundo. Até o fechamento desta reportagem, ele estava próximo da costa oeste do México.
http://www.marinetraffic.com/ais/pt/datasheet.aspx?MMSI=710000435&menuid;=&datasource;=ITINERARIES&app;=&mode;=&B1;=Search

Quais são as características do Alpha Crucis?
O navio tem 64 metros de comprimento, 11 metros de boca e 972 toneladas. Comporta 19 tripulantes e 20 pesquisadores. Foram instalados equipamentos que atendem às quatro grandes áreas da oceanografia: física, química, biologia e geologia. Além disso, o Alpha tem sistema de posicionamento dinâmico, que permite que ele se mantenha em uma posição no mar durante um longo período, coisa que o Besnard não conseguia fazer. A expectativa é utilizar o navio durante 200 dias por ano.

Como é um navio de pesquisa? O que ele precisa ter de especial para tal fim?
Essencialmente, um navio de pesquisa deve ter, além de laboratórios específicos (de química, biologia, eletrônica, etc.), um conjunto de equipamentos que permitam medir propriedades da água do mar, além de outros de coleta de organismos, sedimento e água. Um bom convés de trabalho e bons guinchos para a operação de equipamentos pesados também são importantes. O Alpha também tem uma autonomia de 40 a 50 dias, o que lhe permite longos períodos no mar.

Que tipo de demanda o Brasil pede que o Alpha Crucis vai suprir?
O Brasil precisaria de uns oito ou dez Alpha Crucis para atender às demandas de pesquisa oceanográfica, ligadas a processos oceanográficos e climáticos, biodiversidade e biotecnologia, recursos vivos e não vivos, dentre outros.

Apenas projetos da USP utilizarão o novo navio ou também grupos de pesquisa externos à universidade?
A utilização do Alpha será regida por um comitê gestor, encarregado de compatibilizar as demandas, que poderão vir de quem tiver projetos. Obviamente, a utilização do navio terá um custo, destinado a cobrir as despesas fixas e variáveis.

O navio já passou por reformas?
O navio passou por 10 meses de reformas, em Seattle, nos Estados Unidos.

Quanto ele custou? Como ele foi financiado e por quem?
O custo total, incluindo a reforma, foi de cerca de 11 milhões de dólares, sendo 7 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e 4 milhões da Universidade de São Paulo.

Onde a embarcação ficará ancorada quando não estiver em uso?
O Alpha Crucis deverá ficar ancorado em Santos, em princípio em frente ao Armazém 8, onde a USP pretende instalar sua base oceanográfica

Já existem planos para o navio após a chegada ao Brasil?
Ao chegar, ele ainda passará por alguns procedimentos burocráticos, mas já há demanda de projetos para o segundo semestre de 2012.

A população em geral poderá conhecê-lo?
Em princípio, sim, mas isso só poderá ser equacionado quando tivermos a base também.

O que vai acontecer com o Besnard?
O Besnard foi o único navio civil brasileiro a ir para a Antártica, permitindo que o país ingressasse no Tratado Antártico. Ele completou quase 10 mil estações oceanográficas, servindo desde a instalação de cabos telegráficos no Nordeste até a pesquisa de estoques pesqueiros no sul. Também ajudou o Brasil a definir sua Zona Econômica Exclusiva. O Besnard é um ícone. Existem duas propostas para o destino do navio. Estamos aguardando uma manifestação formal da Prefeitura de Santos para que ele seja transformado em um museu. Mas também há um grupo de pessoas que pensa em afundá-lo para transformá-lo em um recife artificial e atração turística submarina. Se não recebermos a proposta formal de Santos, provavelmente optaremos pela segunda opção.