Notícia

A Tarde (BA)

Congresso do Boi de Capim foca na questão ambiental

Publicado em 04 agosto 2009

Por Sylvia Verônica

A valorização dos rebanhos não apenas por pedigree mas por provas zootécnicas é um dos pontos que serão defendidos na Carta de Salvador, documento que será fruto do 4o Congresso Internacional do Boi de Capim que acontece até amanhã rio Bahia Othon Palace, em Salvador.

"Um dos temas mais importantes do congresso é o meio ambiente. Estamos estimulando a redução da emissão de gás metano com sugestões como o plantio de árvores na fazenda para extração de madeira sem provocar desmatamento", disse Almir Mendes, diretor da Associação Baiana dos Criadores. Ontem, o professor Luiz Roberto Furlan, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) apresentou os resultados do sequenciamento parcial do genoma bovino.

"Os pesquisadores brasileiros envolvidos nesse trabalho pertencem à rede Onsa, formada por cerca de 20 laboratórios de faculdades em São Paulo. Depois do sequenciamento, propusemos o estudo do genoma funcional, para saber sobre a funcionalidade dos genes, como eles agem em determinadas situações. Encontramos cerca de 18 mil genes e sabemos que o bovino tem 22 mil genes proteicos", explicou Furlan.

Os cientistas buscam identificar como os genes se manifestam em situações favoráveis. "Apartir daí vamos identificar os marcadores moleculares, para antecipar o valor genético antes que ele se manifeste. Assim, poderemos dizer diante de um embrião se aquele animal terá qualidade em relação à maciez da carne, por exemplo", ressaltou Furlan. Nesse estudo, os cientistas já reuniram diversas informações sobre a velocidade de crescimento dos animais e maciez da carne, níveis nutricionais da dieta e infestação por carrapatos. O projeto foi co-financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo (Fapesp) e pela Central Bela Vista Genética Bovina, indústria de sêmen, com recursos totais de US$ 1 milhão.

"A indústria vende testes de DNA para identificar marcadores genéticos, mas essa mesma indústria pouco financia a pesquisa", criticou Furlan.

O mapeamento do genoma bovino foi recentemente divulgado na revista Science. Para desenvolver o sequenciamento do genoma, um consórcio de 300 cientistas de 25 países, entre eles o Brasil, foi formado e liderado por pesquisadores do Baylor College of Medicine, nos EUA. Cientistas da Unesp participaram do grupo. As descobertas vão permitir inúmeras melhorias na produção pecuária.

O conhecimento sobre imunidade às doenças í uma das maiores contribuições dos estudos do genoma bovino, na avaliação de Carlos Cavalari, da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). "Hoje, os institutos de pesquisa deveriam estar mais próximos do produtor. Os técnicos têm que ser preparados para orientar produtores. Com maior acesso à informação, o criador pode conhecer melhor os animais de sua própria fazenda. A ABCZ fornece gratuitamente informações sobre 33 mil touros e poucos produtores buscam esses dados", revelou Cavalari.