Notícia

Nicomex Notícias

Conferência em São Paulo ilustra cenário científico nacional

Publicado em 15 abril 2010

Por Matheus Franco

A cidade de São Paulo promoveu, no começo desta semana, um encontro de suma importância para o desenvolvimento do estado e, consequentemente, do país. Nos dias 12 e 13, a sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) abrigou a Conferência Paulista de Ciência, Tecnologia e Inovação, onde foi discutido o futuro desses setores e apresentado um plano para os próximos 15 anos. O evento serviu de preparação para a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que acontece em Brasília, no mês de maio.

A conferência paulista foi organizada contando com palestras sobre cinco temas relacionados a São Paulo: pesquisa e desenvolvimento no setor privado, áreas e temas focais, pesquisa acadêmica, formação de recursos humanos e sistema paulista para ciência, tecnologia e inovação. Na abertura do evento, o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito, deixou claro a meta a ser alcançado pelo estado. Nosso principal desafio, tanto na academia como nas empresas, é aumentar o impacto internacional dessa atividade de pesquisa. São Paulo possui uma base forte para enfrentar esse desafio, mas temos uma fraqueza: a disponibilidade de pessoal qualificado, explicou Brito.

Diante da afirmação do executivo, fica explícita a importância do primeiro debate da conferência, realizado na segunda-feira, dia 12, no qual foram discutidos os investimentos da iniciativa privada em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D). Números divulgados pela FAPESP dão conta de que, em São Paulo, o setor privado responde por 62% do dispêndio total do Estado em P&D, ao passo que esse percentual, em relação ao gasto total no país cai para 38%, sem a contribuição paulista. Esses dados demonstram a relevância do evento, para que se tenha um espelho da área científica nacional.

De acordo com Carlos Pacheco, do Instituto de Economia da Universidade Estadual Paulista (Unicamp) e organizador da conferência paulista, as empresas brasileiras investem em P&D apenas para se diferenciar dos concorrentes e não como um exercício corriqueiro. Segundo Pacheco, são necessárias políticas públicas para internacionalizar as empresas, para que elas sintam-se no dever de produzir P&D a fim de se destacarem frente a adversários maiores. Na composição do investimento paulista em 2008, o setor privado contribuiu com 62,8%, o governo estadual com 24% e o governo federal com 13,1%, segundo dados da FAPESP.

O gargalo dos recursos humanos

São Paulo precisa multiplicar por três, nos próximos 15 anos, o número de cientistas que hoje atuam no Estado, calcula o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito. Essa projeção denota claramente o desafio a ser enfrentado, entretanto, ao contrário do que se pode pensar, o número de vagas disponíveis no Ensino Superior não é fator limitador para suprir essa demanda. O problema, segundo Brito, está no baixo número de pessoas que conclui o ensino médio. Na conferência paulista, o presidente da Recepta Biopharma e ex-diretor científico da FAPESP, José Fernando Perez, resumiu a situação: O Brasil precisa formar mais engenheiros e cientistas ou a falta de recursos humanos será um gargalo sério para o desenvolvimento.