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Conferência discute erros e acertos na adaptação às mudanças climáticas

Publicado em 16 maio 2014

Por Karina Toledo, da Agência FAPESP

Karina Toledo, da Agência FAPESP

 

Comunidades de diferentes partes do mundo estão colocando em prática planos de adaptação às mudanças climáticas, cujos efeitos – como a elevação do nível do mar e o aumento na frequência de enchentes, estiagens, ondas de frio e calor intenso – começam a ser sentidos pela humanidade e tendem a se intensificar nos próximos anos.

 

Compartilhar algumas dessas experiências, discutir seus erros e acertos e criar uma rede de pesquisa colaborativa sobre o tema são os objetivos da conferência internacional Adaptation Futures 2014, que ocorre pela primeira vez no Brasil.

 

O evento, organizado pelo Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Programa Global de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas, Vulnerabilidade, Impactos e Adaptação (Peovia) do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), vai até o dia 16 de maio em Fortaleza, no Ceará.

 

“Após a liberação dos últimos relatórios do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas ], particularmente do Relatório sobre Impactos, Adaptação e Vulnerabilidades às Mudanças Climáticas, ficou claro que a adaptação é a melhor forma, talvez a única, de enfrentar as mudanças climáticas”, ressaltou, durante a cerimônia de abertura, José Marengo, pesquisador do Inpe, organizador da conferência e membro do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

 

Segundo Marengo, o Brasil ainda tem muito a aprender sobre o tema e é de fundamental importância que essa discussão ocorra na presença de tomadores de decisão e de organizações nacionais e internacionais da comunidade científica.

 

“No final do encontro pretendemos elaborar um relatório e divulgar os resultados das discussões aos formuladores de políticas públicas tanto de Fortaleza como de outras partes do mundo”, disse Marengo à Agência FAPESP.

 

Ciência e política

 

Ainda durante a cerimônia de abertura, Saleemul Huq, pesquisador do International Centre for Climate Change and Development, sediado na Independent University, em Bangladesh, destacou que a conferência pretende ser a interface entre a ciência e a política.

 

“Essa rede de pesquisadores e tomadores de decisões tem se encontrado regularmente e compartilhado informações desde as duas conferências anteriores [ em 2010, na Austrália e, em 2012, nos Estados Unidos ]”, contou Huq.

 

“Coletivamente nós ampliamos a curva de aprendizagem. Os primeiros estágios eram simplesmente corrigir o que estava sendo feito errado. Mas fomos além e atualmente estamos lidando com a adaptação na prática em diferentes locais do mundo”, disse o pesquisador.

 

Segundo Huq, hoje se trabalha na academia a noção de adaptação transformativa, que significa não apenas lidar com as alterações no clima, mas mudar coletivamente o modo de viver.

 

“O mundo em que vivemos não é bom e temos de transformá-lo. Todos os países, em nível nacional, e a humanidade em escala global, pois estamos todos indo na direção errada em diversos aspectos. Deveríamos estar reduzindo a poluição e, no entanto, poluímos ainda mais. Continuamos a desmatar e a população continua crescendo”, disse Huq.

 

Também participaram da mesa de abertura Eduardo Martins, presidente da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme); a analista ambiental Mariana Egler, representante do Ministério do Meio Ambiente; Antonio Rocha Magalhães, do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE); José Rubéns Dutra Mota, do Banco do Nordeste; e Victor Frota Pinto, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE).

 

A conferência magna de abertura foi proferida pela ex-ministra Marina Silva, que disse que a humanidade como um todo enfrenta uma “crise civilizatória” composta por cinco crises diferentes: econômica, social, ambiental, política e ética.

 

(Agência FAPESP)