Notícia

Agência Gestão CT&I

Conexões de 300G entre Brasil e EUA beneficiarão produção científica

Publicado em 15 julho 2016

Duas conexões de 100 Gb/s entre São Paulo (SP) e Miami foram ativadas nesse mês, ampliando a saída internacional da rede acadêmica brasileira, chamada de Ipê. As novas conexões, em operação por meio de cabos submarinos nos oceanos Atlântico e Pacífico, fazem parte do projeto Amlight Express and Protect, que pretende disponibilizar uma infraestrutura de rede de alto desempenho para fornecer oportunidades na colaboração científica entre os dois países.

Apenas em São Paulo, o canal poderá beneficiar todas as instituições conectadas à rede acadêmica do estado, assim como as interligadas à Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), responsáveis por mais de 40% da produção científica nacional. "Com essa capacidade internacional de 100 Gb/s, estaremos preparados para a demanda que se afigura para os próximos três anos", disse o diretor de Engenharia e Operações da RNP, Eduardo Grizendi.

Outra iniciativa beneficiada será o projeto internacional de Astronomia Large Synoptic Survey Telescope (LSST), que conta com a participação de 50 pesquisadores brasileiros. O LSST é um telescópio em construção em Cerro Pachón, no Chile, previsto para entrar em operação em 2022 e que terá capacidade para fazer o mapeamento de quase metade do céu por um período de dez anos.

Em 2017, outros seis links com a mesma capacidade entre Miami e a América Latina devem entrar em operação, informou o engenheiro de redes da Universidade Internacional da Flórida (FIU, em inglês) Jeronimo Bezerra. Segundo ele, as conexões internacionais de 100 Gb/s estabelecem novos parâmetros em conectividade de alto desempenho nas Américas.

Desafios

Um dos principais desafios para a ativação dessa infraestrutura de alto desempenho foi a limpeza dos cabos de fibra óptica nas conexões terrestres, uma vez que qualquer resquício de sujeira ou oleosidade na interface entre as fibras pode derreter com o calor propagado pelo tráfego de dados, danificando a integridade física da rede. "A sujeira pode não só estragar o sinal, como pode fazer com que a fibra queime", explicou Jeronimo.

Outro desafio será o monitoramento do tráfego em altíssima velocidade, que dependerá de recursos computacionais complexos. Um desses recursos habilitados na conexão internacional entre Brasil e Estados Unidos é a tecnologia de Redes Definidas por Software (SDN, em inglês), que permite mais flexibilidade, robustez e possibilidade de programar a operação do tráfego.

O projeto Amlight Express and Protect é financiado pela National Science Foundation (NSF), pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela RNP, organização social ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

(Agência Gestão CT&I, com informações do MCTIC e RNP)