Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Condesb pode custear estudos sobre câncer

Publicado em 09 maio 2000

Por Da Reportagem
O Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb) poderá financiar estudos científicos para comprovar se as taxas regionais de incidência e mortalidade de câncer têm relação com a poluição do pólo industrial de Cubatão nas últimas décadas. Ontem, o presidente do Condesb e prefeito de Praia Grande, Ricardo Yamauti, disse que proporá o financiamento de pesquisas nesse sentido. "Vou fazer essa proposta para o conselho analisar", disse Yamauti, que defende uma discussão regionalizada do problema. Reportagem publicada no domingo por A Tribuna revela estudo da Faculdade de Saúde Pública da USP de 1993 que aponta uma maior incidência do câncer nas cidades próximas de Cubatão. Segundo o estudo, cânceres relacionados a poluentes industriais, como a leucemia e tumores de bexiga, tiveram mortalidade até seis vezes maior nos quatro municípios situados no entorno do pólo (Santos, Cubatão, São Vicente e Guarujá) do que no restante das cidades da Baixada. A reportagem também mostrou outros dois levantamentos inéditos sobre a doença. Um deles, do professor Luiz Augusto Marcondes da Fonseca, diz que a região tem a maior taxa de mortalidade por câncer no Estado. As taxas, referentes a 1993, são maiores que as médias nacionais. O segundo trabalho, da Fundação Oncocentro da Secretaria Estadual de Saúde, aponta a cidade de Santos como líder nas taxas de incidência da doença em pacientes vivos com base em dados de 1991. Aprovação - Segundo Yamauti, a proposta de financiamento de estudos via Condesb é viável porque a Região Metropolitana dispõe do Fundo de Desenvolvimento (Fundo), braço financeiro do Condesb que recebe repasses mensais das prefeituras e Governo do Estado. "No entanto, é necessário que o Condesb aprove a destinação de verbas", frisou o prefeito de Praia Grande. O Condesb é composto pelos nove prefeitos da região mais nove representantes de secretarias estaduais - entre elas, a de Saúde. Para a aprovação de uma proposta de financiamento são necessários metade mais um dos 18 votos dos membros do órgão. Na hipótese de ser dado o aval aos financiamentos, os recursos poderiam ser usados em projeto de pesquisa desenvolvido pela Faculdade de Saúde Pública da USP. O projeto prevê a realização de um estudo com a metodologia de caso-controle, conforme revelou A Tribuna no domingo. O estudo custará de R$ 75 mil a R$ 150 mil e aguarda liberação de financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Pela metodologia, grupos de pacientes de câncer terão históricos de vida e exposição a agentes químicos acompanhados. Os dados são comparados com os históricos de pessoas sem a doença. A comparação se dará por meio de uma abordagem estatística. Estudos de caso-controle podem determinar se os poluentes têm ou não influência no surgimento de cânceres. Ontem, Yamauti disse considerar os dados sobre o câncer na região "pesados". "O pólo teve uma influência negativa, mas houve uma melhor no controle dos poluentes nos últimos anos", afirmou o prefeito. "Acredito que, se se fizessem novas pesquisas, os números seriam mais favoráveis".