Notícia

Correio do Litoral

Conchas marinhas no Paraná e norte de Santa Catarina

Publicado em 15 janeiro 2014

Por Escrito por  André de Meijer

Na Europa, o costume de tomar banho de mar surgiu na metade do século XVIII, inicialmente apenas na classe alta, mas a partir da metade do século XIX também na massa trabalhadora (Corbin 1989). No Brasil meridional este costume foi introduzido no primeiro quarto do século XX por pessoas urbanas de origem alemã (Bigarella 1991, Correa 2010). As vilas balneárias paranaenses de Caiobá e Matinhos surgiram somente após de 1926, quando foi aberta a Estrada do Mar (Fernandes 1947), a atual PR-407 que liga a BR-277 a Praia de Leste.

A moda de permanecer sazonalmente bem próximo ao mar têm tido gravíssimas consequências para o ambiente litorâneo, quase no mundo todo. Mas teve também um aspecto positivo: aumentou muito o interesse do cidadão comum em aprender sobre os organismos do mar. Assim, em todos os países litorâneos estão surgindo publicações de linguagem acessível para ajudar as pessoas a reconhecer organismos encontrados na praia. Algumas destas obras são sublimes, tanto do ponto de vista estética quanto ao seu valor didático e praticidade como guia de campo; a obra de Campbell 1976 para as praias da Europa continua entre os meus guias favoritos. Também no Brasil foram produzidos livros bastante úteis para ajudar o leigo a identificar os achados praianos e uma seleção deles, no que tange à fauna, é apresentada na Tabela 1.

 

Tabela 1. Livros úteis na identificação de animais encontrados na costa do Sul do Brasil. (1)

Obra

todos os grupos

moluscos

caranguejos e siris

peixes

tartarugas

aves

mamíferos

Região geográfica

Amaral et al. 2005

 

+

+

+

 

 

 

Brasil

Barletta & Corrêa 1992

 

 

 

+

 

 

 

Carvalho-Filho 1999

 

 

 

+

 

 

 

Editora Abril 1991

 

+

 

+

+

+

 

Hetzel & Lodi 1993

 

 

 

 

 

 

+

Melo 1996

 

 

+

 

 

 

 

Nobre Rosa 1973

+

 

 

 

 

 

 

Palazzo Jr. & Both 1988

 

 

 

 

 

 

+

Rios 2009

 

+

 

 

 

 

 

Souza et al. 2011

 

+

 

 

 

 

 

Thomé et al. 2010

 

+

 

 

 

 

 

Alvar & Alvar 1979 (vol. 2)

+

 

 

 

 

 

 

Paraná

(1) No que se refere aos invertebrados, Joly & Bicudo 1999 e Migotto & Marques 2006 listaram as principais obras científicas de referência.

 

O artigo de Loyola e Silva 1978 fornece uma excelente introdução aos invertebrados encontrados nas praias litorâneas do Paraná.

Numa caminhada pela praia arenosa do litoral paranaense é comum encontrar gaivotões, siris, bolachas-da-praia (também chamado de corrupios ou dólares-da-areia, sendo Mellita quinquesperforata a espécie mais comum), alguns peixes mortos e, nas pedras, tatuzinhos-da-praia (Isopoda) e cracas. Com muita sorte você encontrará a cápsula de ovos de um cação e com azar talvez apanhe alguns bichos-de-pé. Mas o que encontraremos sempre são as conchas de uma boa variedade de moluscos marinhos, grupo ao qual é dedicada esta carta.

Quando Cristóvão Colombo chegou ao Novo Mundo há 520 anos, iniciou a sua aventura aqui pisando em conchas da praia, como fizeram todos os outros estrangeiros que vieram nos cinco séculos seguintes. Isto tem mudado só bem recentemente, pois hoje a maioria vem de avião.

Imagino que daquela primeira viagem Colombo trouxe à sua terra natal uma boa coleção de conchas marinhas, como prova da descoberta das terras novas e como troféus. Pois nada é mais tentador do que coletar conchas, como se percebe observando na praia as crianças pequenas e grandes. Aliás, naquela primeira vez a turma de Colombo deve ter se sentido e comportado mesmo como crianças: tudo era tão impressionante, novo, desconhecido e, consequentemente, observavam tudo sem o preconceito do adulto que divide tudo, inclusive as conchas, em raro e comum, bonito e feio.

Por residir afastado das praias não sou frequentador deste ambiente. Mas depois de ter adquirido em junho de 2011 o guia das conchas marinhas da minha terra natal (Bruyne 2004), com excelentes chaves de identificação, comecei a sentir um desejo grande de testar estas chaves em material da minha terra nova. Este oportunidade surgiu em janeiro do ano passado, quando uma amiga me convidou para acompanha-la à sua casa de veraneio em Itapoá, SC, onde juntos fizemos uma modesta coleta das conchas praianas.

Simone 1999 sintetiza o relacionamento entre seres humanos e moluscos assim:

Provas do contato do homem com os moluscos remontam a épocas pré-históricas. Conchas de moluscos fazem parte de jazigos arqueológicos, incluindo, aqui no Brasil, os ‘sambaquis’. Os moluscos serviam de alimento e suas conchas eram utilizadas como ornamento e para a confecção de utensílios de corte, abrasão etc. Há relatos de muitas culturas em que as conchas eram usadas como moedas ou mesmo ostentação de poder e sabedoria. Ainda hoje os moluscos são extremamente importantes na economia de muitos países, como fonte de alimento rico em proteínas, sendo coletados diretamente na natureza ou mesmo cultivados. Em muitos países, possibilitam até a existência de uma indústria de pérolas e de adornos de madrepérola. Apresentam interesse médico-sanitário, pois muitas espécies são vetores de doenças, enquanto outras, aparentemente, podem ser usadas no controle destas.”

Uma primeira lista abrangente dos moluscos brasileiros, incluindo os marinhos, foi apresentada pelo paranaense Frederico Lange de Morretes (Morretes 1949, 1953), que além de ser famoso como pintor e desenhista também foi um grande estudioso de moluscos (Salturi 2007), grupo sobre qual ele publicou de 1938 até a sua morte, em 1954.(a)

Na Tabela 2 encontra-se o número de espécies de moluscos marinhos das duas principais classes conhecidas no Paraná até a metade do século passado e em quais localidades foram encontradas.

 

Tabela 2. Número de espécies de conchas marinhas conhecidas do Paraná até 1950.(1)

Município

Localidade

Moluscos marinhos

Gastropoda

Bivalvia

Total

Guaratuba

Praia das Caieiras

36

51

87

Praia de Guaratuba

28

42

70

Saí

12

28

40

Praia do Sul

16

20

36

bancos fossilíferos (sambaquis) do Boguaçu e do Rocio

7

11

18

Ponta da Passagem

6

3

9

Ponta do Mendanha

6

2

8

Ponta Itapexirica

5

2

7

Baía de Guaratuba

8

14

22

Matinhos

Prainha

30

41

71

Praia de Caiobá

15

21

36

Praia de Matinhos

16

18

34

Ilha do Farol

10

9

19

Pontal do Paraná

Praia de Leste

19

31

50

Paranaguá

Ilha do Mel

Praia do Farol

31

30

61

Mar de Dentro

12

19

31

local não definido

3

1

4

Ilha das Cobras

10

22

22

cidade de Paranaguá

barra (desembocadura) do rio Itiberê

4

1

5

local não definido

6

18

24

Saco do Tamburutaca/Tambarutaca

9

8

17

Guaraqueçaba

Praia Deserta (Ilha de Superagui)

10

32

42

Ilha das Peças

4

30

34

Ilha Rasa

7

15

22

Ilha das Gamelas

-

2

2

cidade e locais não definidos no município

2

2

4

Antonina

cidade de Antonina: Ponta da Pita e locais não definidos

4

7

11

Total de espécies:

68

78

146

(1) Fonte: Gofferjé 1950.

 

É claro que depois de 1950 o conhecimento dos moluscos marinhos do Paraná aumentou bastante e hoje existe um laboratório especializado para o estudo deste grupo, situado em Pontal do Sul, no Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná.

 

No Apêndice 1 é apresentado o resultado das minhas coletas recentes de conchas marinhas, incluindo também material coletado e me repassado por alguns amigos. O meu trabalho de identificação destas espécies se iniciou com as chaves de Bruyne 2004, feitas para a Holanda. Essas chaves foram úteis para aprender quais características das conchas são usadas na identificação, mas evidentemente as espécies brasileiras são outras.(b) Em nível de gênero,Crassostrea, Diodora, Donax, Glycymeris, Laevicardium, Macoma, Mactra, Ostrea, Pholas eTeredo, ocorrem tanto aqui quanto nas praias do Mar do Norte.

Em seguida comparei as minhas conchas com as fotos e comentários de Gofferjé 1950, Editora Abril 1991 e Thomé et al. 2010 e, utilizei as chaves de Boffi 1979. Fiz a identificação final com a obra de Rios 1994,(c) sempre comparando o resultado com as excelentes fotos coloridas da Sociedade de Conquiliologistas do Brasil, na página: <http://www.conchasbrasil.org.br/conquiliologia/> (escolher a classe,depois clicar em marinho e procurar a família).

 

O jovem João José Bigarella fez um magnífico levantamento dos sambaquis do litoral paranaense e apresentou uma lista de 44 espécies de moluscos encontrados nestes locais: 20 gastrópodes e 24 bivalves (Bigarella 1951a, tabelas 1 + 2). Em comparação, nos sambaquis do Estado de Rio de Janeiro têm sido encontrado 124 espécies de moluscos: 59 gastrópodes e 65 bivalves (Souza et al. 2010).

Entre as 58 espécies de moluscos contidas no Apêndice 1, a maioria daquelas atualmente conhecidas como comestível também já tinha sido relatada em algum sambaqui paranaense ou carioca,(d) o que indica que provavelmente os índios as consumiam. Uma exceção notável é o mexilhão Perna perna. Ao contrário dos mariscos do gênero Mytella, cujas valvas se destroem rapidamente, as de Perna perna são bastante duráveis e a sua ausência nos sambaquis parece confirmar a suposição atual que a espécie foi introduzida no Brasil numa época posterior à construção indígena dos sambaquis (Gernet & Birckolz 2011, Souza et al. 2010).(e) Os moluscos mais abundantemente encontrados nos sambaquis são a ostra-do-mangue Crassostrea rhizophoraee, entre os bivalves, o berbigão Anomalocardia brasiliana (Bigarella 1951a/b, Gofferjé 1950, Por 1992) e, no Rio de Janeiro, também a amêijoa Phacoides pectinatus (Souza et al. 2010),(f) as três espécies sendo muito consumidas até hoje, inclusive no litoral do Paraná.

Na Tabela 3 são listadas as espécies de conchas atualmente registradas às margens da baía, emAntonina e aquelas encontradas naquele local há sessenta anos. Antonina está situada no setor mesohalino (g) da Baía de Paranaguá e suas margens são areno-lodosas, localmente com afloramento de rochas.

 

Tabela 3. Conchas marinhas encontradas no município de Antonina, ao sudeste da cidade, até 1954 e em 2012. (1)

Classe

Família

Espécie

Período

Hábitat

≤ 1954 (2)

2012 (março)

 

Gastropoda

Lottiidae

Lottia subrugosa, 1846 (Collisella subrugosa)

Pi

 

Nas enseadas e mar aberto, em fundos de pedra. Vive frequentemente entre os mariscos e sobre Mytilus sp., Thais sp. e Ostrea sp.” (Gofferjé 1950: 230).

Neritidae

Neritina virginea (1758)

Pi

Go+Pi+Po (vivo, muito abundante)

Vivo: em rochas, madeira e fundo areno-lodoso, na zona entremarés.

Littorinidae

Echinolittorina lineolata, 1840 (Littorina ziczac)

Ne

 

Sob fundo de pedras, em mar aberto e enseadas.” (Gofferjé 1950: 233).

Littorina flava, 1832 (Littoraria flava)

 

Pi+Po (vivo, abundante)

Vivo: em rochas, pedras e madeira, na parte superior da zona entremarés.

Hydrobiidae

Heleobia australis (1835) (Littoridina australis nana)

Ne

 

(3)

Nassariidae

Nassarius vibex (1822)

Pi

 

Sob fundo de pedras e areno-argiloso, em enseadas e baías.” (Gofferjé 1950: 244)

Muricidae

Thais mariae, 1954 (Stramonita mariae)

Pi

Go (morto, escasso), Pi (morto, um indivíduo). Cada concha ocupada por um ermitão.

Morto: em fundo lodoso, na zona entremarés.

Bivalvia

Nuculanidae

Adrana patagonica (1845) (A. schuberti)

Pi

 

Fundo areno-argiloso de baías.” (Gofferjé 1950: 252).

Mytilidae

Mytella charruana (1842) (M. falcata)

Ne

Go+Pi+Po (vivo, muito abundante; morto, muito abundante)

Vivo: em rochas, na zona entremarés.

Mytella guyanensis (1819) (Modiolus brasiliensis)

Pi

Go (vivo, muito abundante; morto, abundante), Pi (vivo, abundante)

Vivo: em fundo areno-lodoso entre as raízes de canapuva (Rhizophora mangle), na zona entremarés.

Pteriidae

Pinctada colymbus (1758) (Pteria hirundo)

Pi

 

Em enseadas e baías, a uns 5 a 10 metros de profundidade, em fundo areno-argiloso.” (Gofferjé 1950: 257).

Ostreidae

Crassostrea rhizophorae(1828) (C. arborea)

Pi

Go+Pi+Po (vivo, muito abundante; morto, abundante)

Vivo: em rochas, pedras e madeira, na zona entremarés.

Lucinidae

Phacoides pectinatus (1791) (Lucina pectinata, L.jamaicensis)

 

Go (morto, uma dupla de valvas), Po (morto, uma valva)

Morto: em fundo areno-lodoso, na zona entremarés.

Tellinidae

Macoma constricta (1792)

 

Go+Pi+Po (morto, abundante, valvas muitas vezes em dupla)

Morto: em fundo areno-lodoso, na zona entremarés.

Psammo-

biidae

Tagelus plebeius (1786) (Solen gibbus)

 

Go+Pi (morto, algumas duplas de valvas)

Morto: em fundo areno-lodoso, na zona entremarés.

Veneridae

Anomalocardia brasiliana(1791)

 

Pi+Po (morto, abundante, somente valvas soltas)

Morto: em fundo areno-lodoso.

Protothaca pectorina (1818) (Chione pectorina)

Ne

 

 

Corbulidae

Carycorbula caribaea (1842) (Corbula caribaea)

Ne

 

Em baixios areno-argilosos de baías.” (Gofferjé 1950: 277).

Teredinidae

Teredo sp.

 

Pi (morto; somente encontrado os seus túneis abandonados)

Túneis: em tocas de madeira morta de canapuva (Rhizophora mangle) e em canoas velhas abandonadas na praia.

Total de espécies:

13

11

 

19

 

(1)

Localidades:

Ne = local não especificado;

Go = Porto Nando Gomes (2,5 km ao sul da Ponta da Pita), 2 de março de 2012, 15h (na maré baixa), leg. A.A.R. de Meijer;

Pi = Ponta da Pita, 14 de março de 2012, 12:30h - 13:30h (na maré baixa), leg. A.A.R. de Meijer;

Po = Praia dos Polacos, 14 de março de 2012, 12:30h - 13:30h (na maré baixa), leg. A.A.R. de Meijer.

(2) Fontes: Gofferjé 1950; Morretes 1953 (p. 48, 55), 1954.

(3) Esta espécie tem tamanho de apenas 4,5 x 2 mm e distribuição de São Paulo a Argentina (Rios 1994). Hostin et al. 2007 a encontraram em grande abundância em Antonina, no canal de dragagem que leva ao Terminal Portuário da Ponta do Félix e eles a consideram bioindicadora de perturbações antrópicas como dragagens e deposição de sedimentos.

Lange de Morretes, como “Contratado” do Museu Paranaense nos últimos anos da sua vida, chegou a acompanhar dragagens em andamento na Baía de Paranaguá para obter espécimes de moluscos (Salturi 2007: 50). Deve ter sido desta forma que ele conseguiu o material de H. australis.

 

Na Tabela 3 observa-se que no meu levantamento de março 2012 foi registrado quase o mesmo número de espécies do que há sessenta anos, mas do total de 19 espécies somente cinco foram encontradas em ambas as épocas. A diferença nos resultados pode ser um reflexo de mudanças ambientais locais ocorridas ao longo do período que separa os dois inventários.

As valvas soltas de berbigão, atualmente encontradas em grande quantidade na Praia dos Polacos,podem ter sido trazidas ali pela correnteza, pois segundo os pescadores de Antonina a espécie não ocorre no fundo da baía nem está sendo pescada pelos antoninenses.

Na praia arenosa do mar de fora é comum encontrar valvas com um buraquinho cônico e perfeitamente redondo. Trata-se de animais que foram predados por um caramujo carnívoro. O último perfura a valva usando a sua rádula (um trabalho que pode demorar horas ou até dias,dependendo da espessura da valva) e depois enfia a sua boca pelo buraquinho, devorando o animal dentro da sua própria concha. Em 1 de fevereiro de 2012, os meus amigos Annemarie e Han Gillissen fizeram uma coleta de conchas na Praia Deserta da Ilha de Superagui (localidade C do Apêndice 1). Das 182 valvas que trouxeram 18 estavam perfuradas desta forma: 15 pertenciam aDivalinga quadrisulcata (a totalidade das valvas coletadas desta espécie) e três a Tivela mactroides(12,5% das valvas coletadas). Em 9 de março de 2012 eu mesmo fiz um levantamento das conchas na praia de fora da Ilha das Peças (localidade C, Apênd. 1). Entre as 23 espécies de bivalves encontrados, somente duas possuíam valvas perfuradas: uma pertencia a Mulinia cleryana e o restante a D. quadrisulcata. Estimo que da grande quantidade de valvas da segunda espécie ali encontradas, cerca de noventa por cento estava perfurada.

As valvas de D. quadrisulcata são relativamente finas e a perfuração de 1,5-2 mm de diâmetro,encontra-se geralmente localizada próxima ao umbo, na parte onde a concha alcança a sua largura maior e concentra a massa visceral. Em T. mactroides, que apresenta valvas espessas, a perfuração tem cerca de 2-2,5 mm de diâmetro e localiza-se no meio da valva, onde a sua espessura é ligeiramente menor do que na região do umbo.

As valvas perfuradas de D. quadrisulcata estão sendo aproveitadas para copiar pétalas em trabalhos artesanais (Rios 1994).

Como predador de T. mactroides e M. cleryana conhece-se o caramujo Polinices hepaticus (Rios 1994), que no litoral brasileiro ocorre do MA a SC. Esta e algumas outras espécies da famíliaNaticidae são conhecidos entre os caramujos carnívoros mais comuns do litoral paranaense, assim como Stramonita haemastoma, da família Muricidae. A última espécie ocorre em ambos os lados do Oceano Atlântico e preda mexilhões, ostras e alguns outros moluscos e também preda cracas (Rios 1994). É interessante mencionar que quando S. haemastoma e o seu congênere S. mariae morrem suas conchas quase sempre acabam sendo ocupadas pelo ermitão (Decapoda - Anomura).

A maioria das 58 espécies de moluscos marinhos listadas no Apêndice 1 é conhecida há séculos: com a exceção de cinco, todas foram nomeadas antes de 1855, oito delas pelo próprio Linnaeus (1758), o que mostra que se tratam de espécies comuns encontradas e coletadas pelos primeiros europeus que puseram o pé neste continente.

 

Para demonstrar a grande riqueza biológica do litoral brasileiro faço uma comparação entre a composição da fauna de moluscos marinhos de São Paulo e de minha terra natal; ver Tabela 4.

 

Tabela 4. Comparação entre o número de espécies de moluscos marinhos com concha na costa do estado de São Paulo e na costa sudeste do Mar do Norte (Bélgica, Holanda e noroeste da Alemanha).

 

Costa do Estado de São Paulo (1)

Costa sudeste do Mar do Norte (2)

Razão costa paulista / costa sudeste do Mar do Norte

Extensão

± 500 km

± 700 km

Província zoogeográfica marinha

divisa Caribenha / Patagônica

Boreal

Classe

Gastropoda (caramujos e outros univalves)

356

182

2,0

Bivalvia (bivalves)

191

159

1,2

Cephalopoda (lulas, polvos)

10

8

1,25

Polyplacophora (quítons)

6

10

0,6

Scaphopoda (dentes-de-elefante)

15

2

7,5

Total:

578

361

1,6

(1) Fonte: Simone 1999.

(2) Fonte: Bruyne 2004.

 

Na Tabela 4 chama a atenção a grande riqueza do sudeste brasileiro em dentes-de-elefante e caramujos, quando comparada ao Mar do Norte europeu. Mostrando fotos de dentes-de-elefante e quítons aos pescadores de Paranaguá e Antonina, percebi que eles desconhecem estes grupos. Os primeiros vivem no mar, mas a correnteza pode joga-los na praia. Ao respeito do segundo grupo, Loyola e Silva 1978 observa: “Levantando-se as pedras da faixa litorânea em nosso litoral, em especial em Caiobá, encontram-se em bom número exemplares (...)”. Os quítons curvam o corpo em bola quando retiradas das rochas (Nobre Rosa 1973).

Os pescadores de Paranaguá conhecem duas espécies de lulas. A primeira é pescada no mar aberto, somente na época quente e está incluída no Apêndice 1. A segunda, que ainda não vi, é bem menor (veja Alvar & Alvar 1979, lâmina 193d), branco e vive baía adentro, onde às vezes é capturada junto com camarão, na pesca de arrasto, em que se usam redes de pesca de malha 5.

 

Espero que este texto tenha despertado a sua curiosidade sobre os moluscos marinhos e que na sua próxima visita à praia não preste atenção apenas às coxas, mas também às conchas.

Sugiro que tente bater o recorde de 24 espécies de bivalves encontradas numa só caminhada dos meus amigos Han & Annemarie (ver localidade A, Apênd. 1).(h) Para conseguir esta façanha é bomsaber que as melhores condições para encontrar conchas em abundância e diversidade é combinando as seguintes situações: (a) nos dias subsequentes a um temporal ou uma “ressaca”, e (b) após a incidência de ventos que causam correntes submarinas em direção à praia (Nijkamp & Smies 1979). A primeira situação favorece o deslocamento das conchas do fundo subaquático e a segunda situação propicia o transporte até os seus pés.

Quando o vento vem continuamente da direção do mar para a costa é possível encontrar espécies bem interessantes. Pois este tipo de vento jogará na praia objetos flutuantes como algas, madeira e todo tipo de lixo (caixas, rolhas, cestas, frascos), que podem estar colonizados por moluscos de substratos mais duros (Bruyne 2004) e também podem transportar espécies que flutuam na coluna d’água.

Vamos então nos encontrar na próxima baixa-mar!

 

COMENTÁRIO AVULSO

Gernet & Birckolz 2011 declaram: “Com relação aos trabalhos de Gofferjé 1950, (...), Bigarella 2009, todos fazem breves inferências sobre a fauna malacológica em sambaquis paranaenses, dando destaque apenas as espécies mais abundantes e utilizando-se de taxonomia desatualizada, sem acompanhamento de especialistas.”.

Na realidade, João José Bigarella (nascido em Curitiba em 1923), publicou uma lista extensa (Bigarella 1946) das conchas encontradas no sambaqui do Boguaçu. Já que aquele estudo foi referido por Gofferjé 1950, não entendo como Gernet & Birckolz 2011 conseguiram omiti-lo. Bigarella não deu “destaque apenas as espécies mais abundantes”: ele listou para o referido sambaqui nada menos que 14 espécies de moluscos (5 de gastrópodes e 9 de bivalves), enquanto Gernet & Birckolz 2011 listaram para o mesmo local um número apenas ligeiramente maior: 17 espécies (9 gastrópodes e 8 bivalves). Além disso, a “taxonomia usada” por Gofferjé não estava desatualizada na época em que publicou o seu trabalho. No que se refere ao fragmento “sem acompanhamento de especialistas” gostaria de observar o seguinte: apesar de Carlos Nicolau Gofferjé (nascido em Florianópolis em 1922), ter sido bastante jovem quando publicou o seu levantamento das conchas do litoral paranaense, o próprio conteúdo da publicação mostra que já era um experiente conquiliologista de campo. E no trabalho de Bigarella é mencionado explicitamente que a coleta e as determinações das espécies listadas por ele foram feitas pelo barão Ottorino De Fiore di Cropani (Bigarella 1946), que ocupava a Cátedra de Paleontologia da USP em São Paulo (Salturi 2007: 34).

É interessante que as listas de Bigarella 1946 e de Gernet & Birckolz 2011 dos moluscos do sambaqui do Boguaçu têm apenas seis espécies em comum (4 gastrópodes e 2 bivalves). Isto significa que atualmente são conhecidas daquele sambaqui 25 espécies de moluscos: 10 gastrópodes e 15 bivalves. No sambaqui do Guaraguaçu, com 21 m de altura o sambaqui mais alto e de maior volume do Paraná (Parellada & Gottardi Neto 1994), foi encontrado praticamente o mesmo número: 29 moluscos, sendo 12 gastrópodes e 17 bivalves (Gernet & Birckolz 2011).

 

AGRADECIMENTOS

Estou muito grato...

- aos amigos Annemarie & Johannes Gillissen e Donald Schause, por terem me passado para identificação as conchas que encontraram na Ilha de Superagui e em Florianópolis, respectivamente;

- aos pescadores de Paranaguá, Antonina e Ilha das Peças pelo fornecimento dos nomes vulgares locais das conchas;

- aos amigos Sibelle Trevisan Disaró e Fernando Antonio Sedor pelo excelente trabalho de correção desta carta e pelo empréstimo da obra de Rios 2009.

 

(a) Lange de Morretes deixou 2100 lotes malacológicos no Museu Paranaense, em Curitiba, onde trabalhou. Hoje são guardados noMuseu de Historia Natural Capão de Imbuía, de Curitiba (Salturi 2007).

(b) Das espécies de conchas marinhas brasileiras, apenas 1,33% é cosmopolita e outras 4,76% são anfi-atlânticas, ou seja, ocorrem em ambos os lados do Oceano Atlântico (Rios 1994).

(c) A segunda edição do livro Seashells of Brazil (Rios 1994) pode ser consultada nas bibliotecas (i) do Museu de Historia NaturalCapão de Imbuía, em Curitiba e (ii) do Centro de Estudos do Mar da UFPR, em Pontal do Paraná.

(d) O sambaqui também é conhecido como ‘casqueiro. Os moradores rurais e pescadores de Antonina usem somente o segundo termo, a maioria deles desconhecendo o primeiro. A palavra inglesa para sambaqui é shell mound, shell midden ou kitchen-midden (uma tradução da original dinamarquesa kökken-mödding; Webster's 1996).

(e) O mais antigo sambaqui datado teve início há cerca de 8 mil anos (Dean 1996; Souza et al. 2010), enquanto no litoral do Paraná a sua construção “parece ter sido iniciado há cerca de 5.500 anos (...), terminando com a chegada dos carijó, (que ocuparam por certo tempo alguns deles) e mais tarde com os europeus.” (Bigarella 1991).

(f) Visitei um sambaqui omitido no levantamento de Parellada & Gottardi Neto 1994, que é situado a 5,5 quilômetros da estrada Lageado-Cedro, no município de Antonina. De superfície bastante grande e altura de aproximadamente 5 m, encontra-se parcialmente destruído e, no que se refere às conchas, parece consistir unicamente da ostra-do-mangue Crassostrea rhizophorae. Pessoas dos arredores me contaram que nele foram encontrados ossos e dentes humanos. Muitas pessoas da área rural de Antonina e Guaraqueçaba dizem acreditar que estes ‘casqueiros’ se formaram durante o Diluvio relatado na Bíblia e quando pergunto como eles imaginam estas montanhas de ostras terem se formadas durante a enchente bíblica eles respondem: ”Só Deus sabe.”.

(g) Escala da salinidade: 0,5-5 = oligohalino; 5-18 = mesohalino; 18-30 = polihalino; 30-35 = euhalino (fonte: Wikipedia). A água doce tem salinidade < 0,5.

(h) É possível bater este recorde: encontrei na Internet um trabalho estudantil relatando que em 2008, na Ilha do Cardoso (Cananéia, SP), durante uma caminhada de apenas uma hora e meia, foram coletadas 32 espécies de moluscos marinhos: 31 bivalves (apenas 17 delas determinadas em nível de espécie) e 1 caramujo.

 

 

GLOSSÁRIO (fontes Thomé et al. 2006, 2010):

caracol: nome vulgar para molusco gastrópode terrestre, que pode recolher todas as partes moles do corpo para o interior da concha.

caramujo: nome vulgar generalizado para moluscos gastrópodes aquáticos, providos de concha.

conquiliologia: a parte da Malacologia que se preocupa somente com a concha, seu colecionamento, sua constituição, forma, tamanho e características, sem considerar as partes moles do corpo do molusco.

entremarés: zona da praia situada entre as marés alta e baixa.

ermitão: designação comum aos crustáceos da família dos pagurídeos, cujo adulto vive alojado em conchas de gastrópodes.

lesma: nome vulgar para gastrópodes desprovidos de concha ou com concha interna.

malacologia: ciência especializada da Zoologia, dedicado ao estudo dos moluscos.

umbo: projeção externa na região dorsal das valvas das conchas de bivalves situada diretamente acima da charneira.

valva: cada uma das metades que constituem a concha.

 

REFERÊNCIAS

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Apêndice 1. Conchas marinhas encontradas em praias do Paraná e do norte de Santa Catarina, a partir de 2012. (1)

Classe

Família

Espécie: nome científico

Espécie: nome vulgar...

a) segundo a literatura

b) segundo os pescadores do litoral paranaense

DIS

Hábitat + Alimentação

CO

Literatura

Localidade e abundância

Dimensões (e outras características)

Gastropoda

Fissurellidae

Fissurella clenchi, 1943

a) vulcão (5)

litoral todo, até Torres (RS)

Herbívoro (algas).

 

E52; R34; T102 (2)

G (M, ab)

14-21 x 8-16 x 4-6 mm (orifício 1,5-2,5 x 1-1,5 mm)

Diodora patagonica (1847)

 

litoral todo

Fundos de pedra, em enseadas e mar aberto.

Herbívoro (algas).

+

G229; R33; T103 (4)

G (M, 1x); F (M, 1x);

30 x 20 x 10 mm (orifício 3 mm de compr.)

Trochidae

Tegula viridula (1791)

a) rosquinha (3,4,5,8); cu-de-galinha (8)

CE a SC

Fundos de pedra.

Herbívoro.

+

S

E52; G231+fig.6/2; R47; T105 (8)

Encontrado por D. Schause na praia do Santinho, Florianópolis, em ...ix.2013 (M, 1x)

17 x 16 x 17 mm

Neritidae

Neritina virgínea (1758)

a) aruá-do-mangue (3)

PA a SC

Fundo limoso e areno-argiloso; também preso nos manguezais a pouco altura e sob fundo de pedras.

+

S

AA196e; G232+fig.8/12; R76; T110 (17)

Ver Tabela 3.

6-12 x 4,5-8 x 5-10 mm

Littorinidae

Littorina flava, 1832 (Littoraria flava)

 

MA a RS (Tor-

res)

Herbívoro.

+

S

AA196m; G(234); L(63); R79; T113 (24)

B (V, ab, no muro do farol caído); cidade de Guaraqueçaba (V, ab, muro do cais; 10.ii.2012). Ver também Tabela 3.

7-23 x 5-13 mm, com 6 voltas ligeiramente convexas e 25 estrias espiraladas bem visíveis; abertura sem pontos brancos internamente; altura da abertura é a metade do comprimento da concha

Strombidae

Strombus pugilis, 1758

a) pregoari (3,4,8); pegoari, periguari, preguari(8)

litoral todo exce-

to RS

Fundo arenoso de enseadas.

Herbívoro (algas ou detrito).

+

S

AA196c; E51; G237; R121; T115 (28)

A (9)

 

Tonnidae

Tonna galea (1758)

 

litoral todo

Fundo de pedra e areia, em mar aberta e enseadas

(10)

G240; R150; T126(50)

E (M, 2x)

Encontrado somente fragmentos

Phalium granulatum (1778)

(Semicassis granulata)

 

litoral todo

Fundos arenosos de mar aberto e enseados.

Carnívoro (Emerita, tatuíra-da-areia [Decapoda]).

S

AA196a; G239+fig.6/3;

R154; T128 (53)

B (M, 1x); E (M, ab)

Encontrado somente fragmentos

Janthinidae

Janthina globosa (1822)

 

litoral todo

Vive flutuando (pelágica) na superfície das águas.

 

R187; T133 (63)

Encontrado vivo por D. Schause na praia do Santinho, Florianópolis, em 2011 (vinte exemplares, dos quais um foi coletado; data não anotada)

22 x 18 mm

Muricidae

Stramonita haemastoma, 1758 (Thais cornuta)

a) saquaritá (3,4,5,8); sacuritá (6,8); saguaritá(6); corogondó (8); caramujo-de-unhas (2)

litoral todo

Sob fundos de pedras em enseadas.

Carnívoro (mexilhões, ostras, berbigão, alguns gastrópodes e cracas).

+

S

AA196l; E52; G241+fig.6/4;

L64; R222; T144 (86)

G (M, ab)

22-23 x 18-20 mm

Stramonita mariae (1954) (Thais mariae)

 

...

 

 

R222

D (M, ab). Ver também Tabela 3.

29-50 x 18-30 mm, abertura 16-30 x 7-13 mm; com 5 voltas

Olividae

Olivancillaria urceus (1798)(O. brasiliensis)

a) linguarudo (5,6,8); pavacaré, betu, calorim(6,8); vaquinha, vitela (8)

ES a RS

Semienterrada na areia, seguindo o limite das marés.

Carnívoro.

+

S

E50; G246+fig.7/6;

R269; T154 (103)

F (M, 1x); B (M, es); A (M, es); E (M, 2x)

51 x 32 x 25 mm

Olivancillaria vesica (1791)

 

RJ a SC

Carnívoro.

+

S

E50; R270; T154 (104)

B (M, es); E (V, 1x)

37-49 x 19-28 mm

Olivancillaria auricularia(1810)

a) linguarudo (3,5,6,8); pavacaré, betu, calorim(6,8); vaquinha, vitela (8)

PR a RS

Carnívoro (bivalves Donax hanleyanus e Mesodesma mactroides e o crustáceoEmerita brasiliensis)

+

S

G246+fig.7/7;

R270; T155 (105)

G (M, 1x)

49 x 30 mm

Terebridae

Hastula cinerea (1778) (Terebra jamaicensis)

a) agulhinha, saquaritá (5)

CE a SC

Praias arenosas de mar aberto e enseadas.

Carnívoro (poliquetos e o bivalve Donax).

 

E49; G250; L66; R357; T163 (122)

F (V, ab); A (9)

26 x 6 x 6 mm

Bullidae

Bulla striata, 1792

 

litoral todo

Em fundos arenosos de enseada

+

S

G251+fig.8/16; R405; T166(127)

E (M, 2x)

Encontrado somente fragmentos

Bivalvia

Cephalopoda

Arcidae

Anadara ovalis (1789)

 

litoral todo

 

+

S

R475; SLS70; T169 (132)

F (M, 1x); B (M, ab); A (M, ab; 8); E (M, 1x)

20-40 x 17-30 x 7-12 mm; com 32-33 costelas radiais

Anadara brasiliana (1819) (Scapharca brasiliana)

 

AP a SC

Fundo areno-argiloso de enseada

+

S

AA196h; E51; G254+fig.4/4;

L(66); R474; SLS67; T170 (134)

F (M, ab); B (M, ab); A (M, ab; 13); E (M, ab)

14-40 x 12-35 x 5-15 mm; com 30-34 costelas radiais

Glycyme-

rididae

Glycymeris longior (1833) (G. diaphorus)

 

ES a RS

Fundos arenosos do mar aberto

+

S

G255; R479; SLS 73; T172 (138)

A (M, ab; 3)

31-34 x 31-32 x 10 mm; com > 30 costelas radiais

Mytilidae

Brachidontes exustus(1758) (B. darwinianus)

a) mexilhão, sururu (8)

litoral todo

Fundos de pedras, nas enseadas e baías

+

S

G256; R482; SLS75; T172 (139)

Mercado Municipal de Paranaguá (V, ab; entre Crassostrea rhizophorae procedente da Ilha das Peças; 14.ii.2012)

12-30 x 5-17 x 2,5-5 mm; com ±95 finas costelas longitudinais

Mytella charruana (1842) (M. falcata)

a) sururu (3,4,5,7); sururu-de-alagoas (8)

b) bacucu

litoral todo

 

+

S

G256; L(63); R483; SLS77; T173 (141)

Ver Tabela 3.

22-48 x 10-21 x 5,5-9 mm.

Compr./alt. = 2,2-2,7.

Mytella guyanensis (1819) (Modiolus brasiliensis)

a) bacucu (2,3,6,7,8); sururu-de-alagoas (6); sururu (2,8); mexilhão (8)

b) sururu

litoral todo

Nas baías, em baixios areno-argilosos e limosos

+

S

G255+fig.5/8; L(63); R483; SLS78

D (V, ab); C (M, es). Ver também Tabela 3.

33-54 x 22-27 x 7-10 mm (Porto Nando Gomes, Antonina);

40-65 x < 33 x < 11 mm (Mercado Municipal de Paranaguá).

Compr./alt. = 1,9-2,0.

Perna perna (1758) (Mytilusauratus)

a) mexilhão (3,4,5,8); sururu (6,7,8); marisco(2,4)

b) mexilhão, marisco

litoral todo

Costas rochosas de mar aberto e enseada

+

E52; G257; L64; R484; T174 (142)

G (V+M, ab); F (M, es); A (V, es; 4); D (M, es); E (M, ab)

30-90 x 15-40 x 5-19 mm

Ostreidae

Ostrea equestris, 1834

a) ostra

b) ostra

litoral todo

 

+

(10)

R500; SLS82; T176 (146)

F (M, es)

60 x 55 x 14 mm

Crassostrea rhizophorae(1828) (Ostrea arborea)

a) ostra-do-mangue (7); gureri, ostra, ostra-gaiteira(8)

b) ostra

litoral todo

 

+

S

AA196b; G260; L64,67; R500; SLS84; T177 (149)

B (V, ab, no muro do farol caído); A (V, ab; 6); D (M, es); C (M, es). Ver também Tabela 3.

37-90 x 28-53 x 20 mm

Pectinidae

Euvola ziczac (1758) (Pecten ziczac)

a) vieira (3); vieiras (5,8)

AP a SC

Fundos arenosos de enseado

+(10)

G260+fig.4/1; R507; SLS87; T178(151)

E (M, 1x)

Encontrado somente fragmento

Lucinidae

Phacoides pectinatus(1791) (Lucina pectinata, L.jamaicensis)

a) amêijoa (2,6,7,8); lambreta (3,4,8); sernambi(3,4,7)

b) amêijoa

litoral todo exce-

to RS

Nas baías, em baixios areno-argilosos

+

S

G261+fig.5/15; R512; SLS91; T180 (154)

Mercado Municipal de Paranaguá (V; procedente do rio Maciel [Pontal do Paraná]; 10.iii.2012). Ver também Tabela 3.

51-73 x 43-69 x 12-15 mm

Divaricella quadrisulcata(1842) (Divalingaquadrisulcata)

a) marisco-de-croa (3,4); amêijoa (4.6)

PA a RS

Fundos de areia, em enseadas e mar aberto

+

S

G261+fig.5/13; R516; SLS96; T180 (155)

B (M, ab); A (M, ab; 15); E (M, es)

14-24 x 13-23 x 5-7 mm; com < 14 costelas concêntricas e ±50 linhas divaricadas; padrão lembrando impressão digital

Cardiidae

Trachycardium muricatum(1758)

a) mija-mija, rala-coco(4,5,8); berbigão (5)

litoral todo

Baixios areno-argilosos de enseada e baía

+

S

E50; G263+fig.5/7; R531; SLS102; T182 (158)

B (M, 1x)

26 x 25 x 9 mm; com 32 costelas radiais

Laevicardium brasilianum(1819)

 

PA a RS

Fundos de areia em enseadas e bancos areno-argilosos de baías

(10)

G263+fig.4/13; R534; SLS104; T183 (161)

A (M, es; 2); E (M, 1x)

27-32 x 22-24 x 9 mm; com 43 costelas radiais

Mactridae

Mactra isabelleana, 1846

 

RJ a RS

 

+

(10)

R535; SLS105; T184 (162)

A (M, 1x); E (M, 2x)

58 x 47 x 13 mm

Mactra cf. petiti, 1846

 

litoral todo

 

 

R536; T184 (163)

G (M, ab); B (M, 1x)

18-27 x 13-19 x 4-5 mm

Mactra cf. janeiroensis, 1915

 

litoral todo

 

 

R536

A (M, es, 3)

25-49 x 16-31 x 5-10 mm

Mactrellona alata (1802) (Mactrella alata)

 

CE a SC

Fundos arenosos de enseada

+

G271+fig.5/9; R537; SLS107; T185 (165)

A (M, 2x)

80-95 x 62-70 x 15-20 mm

Mulinia cleryana (1846) (M. guadeloupensis)

 

MA a SC

Fundos arenosos de enseada

 

G270; R537

F (M, ab); B (M, ab); A (M, ab; 14); C (M, es)

16-44 x 14-36 x 5-11 mm

Raeta plicatella (1818) (Labiosa canaliculata)

 

litoral todo

Fundo arenoso de mar aberto

 

G271; R538

B (M, 1x); A (M, 1x)

42-49 x 38-39 x 11-12 mm; com 50 costelas concêntricas

Mesodes-

matidae

Mesodesma mactroides, 1854

a) marisco-branco (2,4); marisco (3); baquiqui, sernambi (8)

RJ a RS

Fundos arenosas de enseada e baía

+

(10)

G269+fig.5/4; R539; SLS108; T186 (166)

B (M, 1x); A (M, 1x)

32-59 x 18-32 x 3-8 mm

Tellinidae

Tellina cf. lineata, 1819 (Eurytellina lineata)

 

CE a SC

Baixios areno-argilosos de baía e enseada

 

G276; R545; T187 (168)

F (M, 1x); B (M, 1x)

41 x 25 x 4 mm

Tellina cf. punicea, 1778 (Eurytellina punicea)

 

CE a SC

 

 

R545; T186 (167)

F (M, es); A (M, 1x); E (M, es)

38-45 x 24-29 x 4 mm

Macoma constricta (1792)

 

PA a SC

Baixios areno-argilosos de baía e enseada

S

G275+fig.5/14; R551; SLS112; T189 (172)

B (M, ab); A (M, ab; 15); C (M, es). Ver também Tabela 3.

20-50 x 15-36 x 4-9 mm

Semelidae

Semele proficua (1799)

 

litoral todo

Fundo areno-argiloso de enseada

(10)

G274; R554; SLS102; T190 (175)

B (M, 1x)

14 x 12 x 3 mm

Psammo-

biidae

Sanguinolaria cruenta(1786) (Tellina operculata)

 

MA a SC

Em areia, nas enseadas

+

S

E49; G273+fig.5/12;

L(66); R560; SLS113; T192 (178)

F (M, ab); B (M, ab); A (M, es; 4); E (M, 1x)

38-75 x 23-42 x 5-12 mm

Tagelus plebeius (1786) (Solen gibbus)

a) unha-de-velha(3,4,5,6,7,8); saramambí(2); canivete (4,8); unha-de-urubu (8)

b) saramambí, unha-de-velha

litoral todo

Fundo areno-argiloso de baía e enseada

+

S

G273+fig.4/16; R562; SLS114; T192 (179)

B (M, es); A (M, ab; 16); D (M, es); C (M, es). Ver também Tabela 3.

34-67 x 12-25 x 4-7 mm

Donacidae

Donax hilairea, 1832 (Donax hanleyanus)

a) moçambique (3,4,5); beguaba (5,7); manini (2); maçambique (4); sernambi, borboleta (5); peguaba (6,8); apeguava, peguira, pregoava, sapatinho (8)

b) manini

ES a RS

Enseado e mar aberto; semi-enterrado na areia, seguindo o límite das marés

+

S

 

E49; G272; L66;

R563; SLS115; T193 (181)

G (V, ab; M, ab); F (V, ab; M, es); B (M, ab); E (M, ab)

9-24 x 5-18 x 2-6 mm

Donax cf. gemmula, 1971

 

ES a RS

 

 

R563; T194 (182)

A (M, 1x)

24 x 15 x 5 mm; com ±100costelas radiais

Veneridae

Chione subrostrata (1818)

 

AP a SC

Fundo areno-argiloso de baía e enseada

+

(10)

 

G268; R570; T196 (186)

B (M, 1x)

18 x 16 x 5 mm

Anomalocardia brasiliana(1791)

a) berbigão (2,3,4,5,6,8); papa-fumo (3,4,5,8); sernambitinga (5,7); vôngoli (5,8); marisco(5); sernambi (7); maçunim, pedrinha, samanguaiá, sarro-do-peito, sarro-de-pito, simongoiá (8)

b) berbigão

litoral todo

Baías e enseadas, em fundo areno-argiloso e limoso.

+

S

AA196h; E49; G269; R571; SLS121; T197 (189)

G (M, es); A (M, ab; 13); D (M, ab); C (M, 1x). Ver também Tabela 3.

21-27 x 17-23 x 5-8 mm; com 15-20 costelas concêntricas

Tivela mactroides (1778) (T. brasiliana)

a) sapinhaguá (3,8); sapinhanguá (4); sapinhauá (8)

b) amêijoa-de-mar-grosso

PA a SC

Fundo arenoso de enseada e mar aberto

+

S

G266; R574; SLS126; T198 (191)

F (M, es); B (M, ab); A (M, ab; 24); E (M, 2x)

35-68 x 25-53 x 7-22 mm; face interna elipsóide

Tivela zonaria (1818) (T. ventricosa)

a) sapinhagá (5); sapinhaguá, sapinhauá (8)

b) amêijoa-de-mar-grosso

ES a RS

Fundo arenoso de enseada e mar aberto

+

S

E49; G266; R285 (1396); SLS127; T199 (193)

B (M, ab); A (M, ab; 19)

24-63 x 14-57 x 6-20 mm; face interna trigonal

Tivela isabelleana (1846) (T. iheringi)

 

ES a RS

Vivos em enseada, aprox. a 5 m de profundidade, sobre fundo arenoso

(10)

G266; R574; SLS128; T200 (194)

B (M, es); A (M, ab; 10); E (M, 1x)

25-42 x 17-27 x 5-8 mm; margem interna crenulada

Pitar circinatus (1778)

 

CE a SC

 

 

 

R577; SLS131; T200 (195)

F (M, 1x); A (M, ab; 4); E (M, 1x)

34-39 x 27-35 x 9-11 mm; com 42-57 costelas concêntricas

Amiantis purpuratus (1818)

 

ES a RS

Fundo arenoso de mar aberto

+

S

 

E49; G278; R578; SLS132; T202 (198)

A (M, es; 2)

-43 x -36 x -9 mm; com 26-32 costelas concêntricas

Erodonidae

Erodona mactroides, 1802

a) brooca (2); baquiqui(3,7)

b) bruoca, papa-terra

PR a RS

Em baixios areno-argilosos e limosos do interior de baías

+

S

G279+fig.4/12; R587; SLS138

Espalhado pelo chão da chácara ao lado da PR-405 km 8,9 (M, ab; 5.iii.2012)

23-41 x 16-29 x 6-11 mm

Petricolidae

Petricola stellae 1975 (Petricolaria stellae)

 

MA a PR

Praia

 

G269; R582; T203 (201)

B (M, 1x); E (M, 2x)

25-39 x 9-14 x 4-7 mm

Pholadidae

Pholas campechiensis, 1791

 

PI a RS

 

 

G279; R591; T205 (205)

B (M, 1x)

58 x 22 x 10 mm

Cyrtopleura costata (1758) (Barnea costata)

a) tampafole (3,4,5,6,7)

b) purudo, corudo

PA a SC

Fundo areno-argiloso e limoso, de baía

+

S

G279+fig.5/2; R592; SLS140; T206 (206)

B (M, ab); Vila da Glória (praia da Baía de São Francisco, Santa Catarina; M, es; 20.i.2012)

23-109 x 9-45 x 4-24 mm

Teredinidae

Teredo sp.

a) turu (7,8); teredo, gusano (7)

b) busano

 

 

+

R595

Ver Tabela 3.

 

Cephalopoda

Spirulidae

Spirula spirula (1758)

 

litoral todo

 

 

R612; T208 (210)

Encontrado por D. Schause na praia do Santinho, Florianópolis, em 2.xi.2012 (M, 1x)

espiralada e septada internamente; espiral 20 mm de diâmetro maior, ≤ 7 mm de altura

Lolignidae

Loligo plei (1823) (Doryteuthys plei)

a) lula (8)

litoral todo

 

+

 

AA193c; R616

Produto à venda numa peixaria em Antonina e procedente da pesca em Santa Catarina (M, 2.iii.2012).

Pena 200-230 x 22-24 mm, fusiforme-estreito, de extremidades agudas, com 3-5 sulcos longitudinais.

Manto 210 mm de compr., violeta-amarronzado; nadadeira 115 x 40 mm; 8 braços 100 mm de compr., 2 tentáculos 220 mm de compr.; olhos grandes, com córnea

(1)

A nomenclatura científica segue Souza et al. 2011 e Thomé et al. 2010. Sinônimos das espécies são fornecidos apenas quando é o nome usado em Gofferjé 1950.

DIS = Distribuição no litoral brasileiro; fonte: Rios 1994.

Hábitat: fonte Gofferjé 1950.

Alimentação (somente para os gastrópodes): fonte Rios 1994. (Das espécies de bivalves a maioria é filtradora e micrófaga; Thomé et al. 2010: 67).

CO: + = espécie comestível; fontes (2) (3) (5) (8). S = conchas da espécie foram encontradas em sambaquis do Paraná; fontes (2), Bigarella 1951a e Gernet & Birckolz 2011.

Literatura = página onde a espécie é tratada nos seguintes trabalhos: AA = Alvar & Alvar 1979; E = Editora Abril 1991; G = Gofferjé 1950; L = Loyola e Silva 1978; R = Rios 2009; SLS = Souza et al. 2011; T = Thomé et al. 2010 1994 (entre parênteses: número da espécie).

Localidades:

- Estado do Paraná:

A = Guaraqueçaba; Ilha de Superagui, Praia Deserta, trecho de 8 km mais próximo à Barra de Superagui, 1 de fevereiro de 2012, leg.Annemarie & Johannes J. Gillissen.

B = Guaraqueçaba; Ilha das Peças, praia entre Vila das Peças e Praia de Superagui, 9 de março de 2012, 17h-19h (maré baixa às 21:41h), leg. A.A.R. de Meijer & M.F. Rodrigues.

C = Paranaguá; porto do rio das Pedras (situado no setor polihalino da baía), 4 de maio de 2013, 17h (maré baixa às 16:51h), leg. A.A.R. de Meijer.

D = Paranaguá; Ilha dos Valadares, margem direita do rio Itiberê, no ‘Porto da Bateira’ (situado no setor euhalino da baía), 14 de fevereiro de 2012, 15h (maré baixa às 13:11h), leg. A.A.R. de Meijer.

E = Pontal do Paraná; Praia de Leste à praia de Ipanema, 6 de maio de 2013, 11:20h – 13h (maré baixa às 9:11h e 18:28), leg. A.A.R. de Meijer.

- Estado de Santa Catarina:

F = Itapoá; praia Itapema do Norte, 19 de janeiro de 2012, leg. A.A.R. de Meijer, M.F. Rodrigues & L. Cardieri.

G = Florianópolis; praia do Santinho, 23 de abril de 2012, leg. D. Schause.

M = material morto (encontrado somente conchas sem o animal); V = material vivo (encontrado conchas com o animal vivo dentro).

ab = abundante; es = escasso; 1x = encontrado apenas uma concha/valva. Somente para localidade “A: entre parênteses, o número de valvas coletadas (total: 182 valvas).

Dimensões: comprimento x altura x largura. Para os moluscos bivalves é apresentada a largura da valva individual.

(2) Fonte: Gofferjé 1950.

(3) Fonte: Rios 2009.

(4) Fonte: Thomé et al. 2010.

(5) Fonte: Editora Abril 1991. (Nesta publicação [p. 49] os nomes e legendas para Amiantis purpuratus e Donax hanleyanus foram trocados.)

(6) Fonte: Von Ihering 2002.

(7) Fonte: Santos 1955.

(8) Fonte: Boffi 1979.

(9) Em 5 de fevereiro de 1989, fiz, junto com C. Laus, a caminhada de 20 km de Barra de Superagui a Barra de Ararapira, pela Praia Deserta da Ilha de Superagui (localidade A). Naquela ocasião encontramos na areia uma concha vazia de Strombus pugilos, a ooteca de um caramujo marinho (possivelmente Stramonita haemastoma), muitos exemplares vivos de Hastula cinerea e desenterramos da areia molhada na Barra de Ararapira uma boa quantidade de berbigões (Anomalocardia brasiliana), para consumo.

(10) Conchas da espécie não foram encontradas em sambaquis do Paraná, mas sim em sambaquis de Rio de Janeiro, segundo Souza et al. 2010.

 

(André de Meijer, 13 de dezembro de 2013)