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Correio Popular

Concessão de bolsas vai ser retomada

Publicado em 23 fevereiro 1999

O ministro Luís Carlos Bresser Pereira defendeu ontem em Campinas a necessidade de o país definir áreas prioritárias para receber investimentos em pesquisa e convocou a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a participar deste esforço. Para o ministro, esta é a alternativa para o País se tornar competitivo e para que os recursos sejam bem aplicados. "O problema é que as elites brasileiras perderam a noção do sentido do interesse nacional. Por isto acho que devemos intervir, mas com cuidado, em algumas áreas", frisou. Para o ministro, o Brasil precisa de pesquisas para atender às suas necessidades econômicas e principalmente sociais. A preocupação do governo preocupa a comunidade acadêmica, porque isto poderia significar na indução de pesquisa, ou seja, haveria recursos para aquelas que interessassem ao país, tirando a liberdade de pesquisa. O reitor da Unicamp, Hermano Tavares, é particularmente favorável a esta linha, porque segundo ele o País precisa desenvolver ciência, produtos e tecnologia para seu mercado interno. "Acho que devemos investir mais nisto, mas com cuidado para que a liberdade acadêmica não seja restringida", disse. BOLSAS O Ministério da Ciência e Tecnologia retoma esta semana a concessão de bolsas de estudo interrompida no ano passado e até o final de semana, estará no site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) a relação das bolsas aprovadas para mestrado, doutorado e produtividade para pesquisa nas áreas de Ciências Exatas e Biológicas. Mas para este ano não haverá aumento no volume de bolsas concedidas em relação ao ano passado, informou o ministro Luís Carlos Bresser Pereira. Na reunião que manteve com a comunidade científica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ele informou que o volume de 65 mil bolsas (são 7 mil de bolsas-produtividade destinada aos pesquisadores) será mantido com os R$ 457 milhões fixados no orçamento do Ministério, mas ainda não sancionado. As únicas bolsas que sofrerão corte, informou, serão as de Mestrado. A política do Ministério é reduzir cada vez mais a concessão destas bolsas, porque a intenção é que a oferta de Mestrado seja feita por "escolas de menor importância em setores menos desenvolvidos do País". Para o ministro, Mestrado deve ser um certificado profissionalizante e não uma etapa para o doutorado. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) não vai cortar, por enquanto, as bolsas de Mestrado, informou o presidente do Conselho Superior da Fapesp, Carlos Cruz Brito. A Fapesp vai destinar este ano, no total de bolsas, R$50 milhões.