Notícia

Gazeta Mercantil

Comunicação mais rápida entre Brasil e Argentina

Publicado em 27 março 2000

Por André Lachini - São Paulo
As comunicações entre Brasil e Argentina poderão ficar mais rápidas e baratas para centenas de empresas. As principais entidades de pesquisas científicas dos países, a Cabase argentina e a Fapesp, de São Paulo, selaram um acordo para comunicação em um canal próprio, que será feito com pontas em Buenos Aires e São Paulo, na semana passada. O canal, provavelmente, usará o cabo submarino de fibra óptica Americas 1, ou então outros cabos de fibra óptica entre Brasil e Argentina por via terrestre (estes cabos já foram instalados mas ainda não foram habilitados). Outra opção é satélite. Hoje, 50% do tráfego de Internet do Brasil para a Argentina e 65% do fluxo contrário passam pelos Estados Unidos. "É um acordo de interconexão entre Fapesp e Cabase. Significa duas coisas: que centenas de empresas, institutos de pesquisa e universidades poderão usar nossos dois pontos de acesso, em Buenos Aires e São Paulo, em comunicação com rápida velocidade. E significa que haverá um impacto cultural maior entre os dois países, já que tantas empresas e universidades estarão diretamente interligadas", diz Oscar Messano, presidente da Cabase (Câmara Argentina de Bases de Datos y Servicios en Linea). Messano diz que o canal entre Cabase e Fapesp começa a operar nesta semana e ficará dois meses em fase de testes para definir a banda. Este canal dará aos usuários, segundo ele, serviços como videoconferência e transmissão simultânea de voz e imagem sobre dados (IP). Todos os provedores de acesso à Internet que são associados tanto à Fapesp quanto à Cabase poderão participar. Messano diz que o serviço será mais barato que o atualmente oferecido por empresas, como NetStream, Diveo e outras multinacionais. O custo para as duas entidades sem fins lucrativos (a Fapesp pertence ao governo de São Paulo e a Cabase é uma entidade privada argentina) deve ficar em US$ 15 mil mensais. Ou seja, o aluguel do canal de comunicação no Americas 1 ou em outra infra-estrutura, como canal de satélite. "Um link (ponto) de 2 megas para os Estados Unidos custa US$ 45 mil, para a Argentina, que é bem mais perto do Brasil, custa menos", diz Hartmut Glaser, responsável pelo projeto na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Segundo ele, o que vale no acordo é a "decisão política", de acelerar a integração com a Argentina através da web. Só no caso da Fapesp, cerca de 300 a 400 empresas terão acesso através do novo canal, enquanto que, através da Cabase, são 130 as empresas argentinas que terão acesso veloz ao Brasil. As universidades e institutos paulistas de pesquisa que estão no novo canal são 120.