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Folha de S. Paulo - Vale (São José dos Campos)

Comunicação interna é pífia, diz candidato a reitor da USP

Publicado em 10 outubro 2005

Por Renata Cafardo

O professor Antonio Marcos Massola é um sujeito brincalhão e comunicativo. Daqueles que fala alto e diz o que pensa. "O processo de comunicação interno é pífio", diz, jogando farpas na rádio USP, TV USP e jornal da USP. "Ninguém fica sabendo o que acontece aqui dentro." Sua personalidade não lembra em nada um engenheiro eletricista, formado pela Escola Politécnica (Poli). Mas, em seu currículo, Massola tem a colaboração no primeiro computador do País, o Patinho Feio, e recentemente a gerência da construção da USP Leste.
Aos 61 anos, o ex-diretor da Poli e atual responsável pela Coordenadoria do Espaço Físico da USP é candidato pela terceira vez à reitoria. Ele falou da disputa em entrevista. Veja os principais trechos:

Por que ser candidato de novo?
Todo professor titular da USP tem em mente que um dia poderá se candidatar a reitor. Na última eleição fui colocado na lista tríplice e não logrei ser escolhido pelo governador. Tenho hoje um cargo de confiança do reitor e foi a ele que disse primeiro que seria candidato. Acho que estou em melhores condições de exercer o cargo, amadureci como administrador e adoro enfrentar desafios.

Qual é a sua principal proposta?
O reitor no fundo é um gestor do que emana os nossos colegiados, cabe a ele colocar em prática os projetos. Reitor não tem poder. Mas um dos planos que a gente pode elaborar é o de colocar a universidade como referencial no mundo, no País e no Estado. A graduação tem de ser fortemente encorajada; ela é a prima pobre porque só tem os recursos do orçamento. Nas outras áreas, como pós-graduação e pesquisa, há dinheiro de agências de fomento, entidades internacionais.

É preciso aumentar o orçamento da universidade?
A USP aumentou de 7 mil para 10 mil o número de vagas. O programa de expansão é fundamental para o Estado, mas sem aporte de recursos extra-orçamentários é impossível continuar. Acho que haveria a necessidade de constitucionalização dos recursos que vêm para a USP. Assim, nosso orçamento seria em cima de toda a carga tributária que o governo cobra, como ocorre com a Fapesp. Mas pedir ao governo um aumento nos 9,57% do ICMS é delicado. Quando você pede algo mais, precisa especificar quem você vai querer prejudicar. O veto na LDO foi porque o governo não tinha de onde tirar dinheiro.

Qual a sua opinião sobre as polêmicas fundações de apoio à USP? Todas as fundações deveriam ter a transparência da FUSP e da Fuvest. Mas talvez o que haja é uma desconfiança das atividades que elas desenvolvem por dificuldade de comunicação. É muito importante que se divulgue tudo o que se faz aqui e nossos meios de comunicação não cumprem esse papel. O processo de comunicação interno é pífio. Ele precisa ser reformulado, não sei ainda como, porque não sou jornalista. Mas o que percebo é que ninguém da comunidade externa fica sabendo de nada que acontece aqui.

Qual o maior problema da USP?
A universidade não é ágil o suficiente para encarar a realidade do século 21. É preciso haver uma reformulação jurídica administrativa, uma modernização do nosso estatuto, planos de carreira para docentes e funcionários.

Por que nenhum reitor conseguiu fazer isso ainda?
Porque a própria instituição gera processos burocráticos e você tem de trabalhar as pessoas para saberem a real necessidade e os custos das atividades da universidade. A burocracia é inerente ao crescimento e ao envelhecimento. É preciso fazer uma economia racional dos gastos. Entre 1998 e 2004, conseguimos economizar R$ 70 milhões em água e energia. Isso daria para construir a USP Leste.