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Computador fará diagnóstico de lesões da retina

Publicado em 27 agosto 2013

Um software capaz de interpretar imagens da retina e identificar sinais de retinopatia diabética - lesões na retina decorrentes da diabetes e maior causadora da cegueira irreversível no Brasil - está em desenvolvimento no Instituto de Computação (IC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O programa, que dá diferentes respostas para as lesões que possam ser identificadas, será capaz de indicar a gravidade do problema e se o paciente diabético precisa de consulta com especialista no prazo de um ano. Além de auxiliar no diagnóstico, o sistema aponta a patologia de forma precoce, podendo evitar danos irreparáveis na visão.

A pesquisa é resultado do trabalho final de mestrado de José Ramon Trindade e que agora faz doutorado em computação. Para gerar o diagnóstico, o paciente com diabetes tem seu olho “fotografado”, imagens digitais da sua retina são geradas, e o equipamento consegue analisar se há lesões na retina e as suas gravidades.

As capacidades do software são inéditas entre as pesquisas similares no país, pois integra análise simultânea de seis diferentes indícios de retinopatia diabética. De forma resumida, o sistema transforma pixels (menor ponta que forma uma imagem digital) em dados médicos que são interpretados a partir do conhecimento disponível das lesões.

A nova técnica possibilitará que o tamanho e o custo dos retinógrafos atuais sejam reduzidos, garantindo que mais postos de atendimento e pacientes sejam contemplados com a tecnologia. A retinopatia diabética é um dos efeitos da diabetes, que acomete a maioria dos portadores da doença, geralmente após 20 anos. Sem sintomas, a doença também pode ser um identificador de complicações microvasculares e do risco de problemas renais.

Para ajudar no controle da doença, a pesquisa já recebeu diversos recursos, entre eles o Instituto Microsoft, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A precisão do equipamento gira em torno de 90%.

Os pesquisadores seguem trabalhando para reduzir essa margem de erro. O equipamento já economiza 85% do tempo médico, de acordo com os autores da pesquisa.

No desenvolvimento da tese de doutorado, os pesquisadores tentarão integrar todas as habilidades do programa para a triagem dos pacientes, além de aumentar a precisão do equipamento e ampliar a quantidade de lesões detectadas, garantindo que todas as etapas se tornem automáticas e ainda mais precisas.

Jornal do Brasil