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Tribuna da Imprensa

Computador analisará lesões cutâneas e dará parecer via Web

Publicado em 07 fevereiro 2000

Campinas - Com a diminuição da camada de ozônio e o conseqüente aumento dos casos de câncer de pele registrados, o número de especialistas para diagnosticar lesões na pele começa a ser insuficiente no Brasil. Por isso uma empresa de São José dos Campos, SP vem investindo desde 1998 num sistema computacional para acelerar a análise destas lesões e permitir a emissão de pareceres de especialistas via Internet. "O equipamento é dotado de um vídeo dermatoscópio, uma espécie de microcâmera, que filma a lesão cutânea e transfere o sinal digital de vídeo para uma placa dentro do computador", explica Antônio Francisco Júnior, da Atonus Engenharia de Sistemas (http://www.polovale.softex.br/atonus). Um software digital analisa, então, o tamanho e o formato da lesão, indicando, por exemplo, se há possibilidade de ser um melanoma (câncer). A análise pode também ser comparativa, justapondo-se imagens da mesma lesão feitas em datas diferentes. "A análise comparativa por computador diminui a subjetividade do médico ou do paciente no controle da evolução de uma lesão e ainda reduz, em muitos casos, a necessidade de retirada de material para biópsia", acrescenta Francisco Júnior. As imagens digitalizadas das lesões poderão, também, ser enviadas a especialistas via Internet, para uma segunda opinião. Francisco Júnior está formando uma rede virtual de dermatologistas e oncologistas especializados em lesões cutâneas para emitir esta segunda opinião. Cada imagem enviada teria o parecer de até três especialistas da rede. A Atonus é uma empresa que já trabalha com visão computacional, análise de sêmen, ótica e ultra-sonografia. Para o desenvolvimento de um equipamento nacional com vídeo dermatoscópio, dos softwares específicos e do sistema de comparação utilizado recebeu financiamento de R$ 113 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp (http://www.fapesp.br). Um protótipo do sistema já funciona no Instituto Brasileiro de Controle do Câncer e a Atonus deverá colocar os primeiros equipamentos de linha no mercado nacional em abril deste ano. O sistema nacional deverá custar cerca de US$ 12 mil dólares, mais a manutenção ou atualização anual do software. Apenas outros três países - Alemanha, Áustria e Estados Unidos - têm sistemas semelhantes, mas só o equipamento - sem o software nem a possibilidade de consulta via Internet - custa o dobro.