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A Tarde (BA)

Computação faz a diferença no desenvolvimento de pesquisas

Publicado em 16 maio 2010

O que as palavras softwares, processadores e teraflops têm a ver com mudanças climáticas, HIV, bioenergia e biodiversidade? A resposta é exatamente tudo. O conhecimento da computação e da tecnologia da informação tem sido cada vez mais aplicado no desenvolvimento de pesquisas científicas. E se engana quem pensa que estamosfalando das ciências exatas e todos os seus cálculos complexos. É cada vez mais comum a utilização de tecnologias de última geração em áreas como sociologia, meio ambiente, biologia, agronomia, saúde e ciências humanas em geral.

Alguns dos exemplos dessas pesquisas foram apresentados durante a 6ª edição do Microsoft Research Faculty Summit 2010, realizado entre os dias 12 a 14 de maio, no Guarujá, em São Paulo, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo Fapesp . Pela primeira vez no Brasil, o evento reuniu cerca de 200 líderes acadêmicos de diversos países, representantes do governo e cientistas para discutir o tema Inovação e falar sobre o desenvolvimento da ciência por meio de pesquisas tecnológicas.

De acordo com o diretor científico da Fapesp, Carlos HenriqueBrito, 11 estudos brasileiros vêm sendo desenvolvidos nos últimos três anos em parceria com a Microsoft Research. Um exemplo é o projeto Rede de Sensores na Mata Atlântica Brasileira, no qual investigadores acadêmicos da Universidade de São Paulo, da Johns Hopkins University e da Microsoft Research têm colaborado para desenvolver, construir, testar e implementar uma rede de sensores sem fio para coletar dados ambientais na mata atlântica do Brasil. Estes dados irão ajudar os pesquisadores a entenderem melhor como a floresta se conecta com o limite da atmosfera terrestre com implicações importantes para a nossa compreensão sobre a mudança climática , diz Brito.

Supercomputador

A área ambiental é, inclusive, uma das que mais têm interagido quando o assunto é tecnologia. Não à toa, o Brasil terá um poderoso sistema de supercomputação de alta performance para previsões meteorológicas e estudo das mudanças climáticas. Com previsão para entrar em operação até o fim de 2010, o supercomputador é de 244 teraflops trilhões de operações por segundo, o que permitirá modelos próprios do clima. Isso significa dizer que haveráummodelo brasileiro do sistema climática global.

Poderíamos fazer nossas análises baseados nos modelos internacionais já existentes, mas pretendemos incluir coisas que acabam sendo ignoradas nos modelos atuais e que são de extrema importância para nós, aspectos específicos da nossa mata, ve oceano, enfim. Com esse supercomputador e toda a sua capacidade, poderemos fazer pesquisa competitiva em assuntos relacionados com mudanças climáticas, além de termos dado um passo fundamental para nos tornarmos uma gente central na elaboração do próximo relatório do Painel Inter governamental de Mudanças Climáticas IPCC , explica o secretário executivo da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Rede Clima e também pesquisador do Programa Fapesp de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, Carlos Nobre.

Com supercomputadores capazes de processar à velocidade de teraflops, tarefas que levam tempos absurdos para ser completadas se tornam muito mais rápidas e eficazes.

Portanto, esses problemas complexos que exigem tantos cálculos não se resume ma divagações restritas às paredes dos laboratórios.

Coma ciência da computação e suas milhares de equações necessárias, é possível fazer simulações de clima, de vento em altíssima velocidade, visualizar o corpo humano numa tela em tempo real, permitir a elaboração de novos medicamentos, simulação genética de novas plantas entre tantos outros benefícios.

HIV Quem imaginaria, por exemplo, que o desenvolvimento de filtros para combater spams pudessem ajudar nas pesquisas sobre o HIV? No evento, o médico e PHD em engenharia da computação da Microsoft Research, David Heckerman, apresentou as últimas evoluções no trabalho de sua equipe e colaboradores em todo mundo para a luta contra o vírus.

Nos nossos estudos, adotamos as mesmas estratégias do combate ao spam ou mensagens de e-mail não solicitadas.

Descobrimos que o sistema de reprodução de spams e do vírus são similares.

Cada novo filtro criado, os spams buscam um novo meio de enganar e acabam evoluindo. O mesmo ocorre com a reprodução do vírus HIV , explica o cientista. Segundo ele, o trabalho representa os primeiros passos do que poderia ser uma vacina contra o HIV. Trata-se de um processo complexo, longo, que envolve a participação de pessoas em todo o mundo, mas as pesquisas são bastante animadoras , diz.

De acordo com o diretor da Microsoft Research América Latina, Jaime Puente, diversas comunidades acadêmicas e científicas no Brasil e na América Latina estão sendo capacitadas com as plataformas e ferramentas necessárias para o desenvolvimento de pesquisas. Por meio dessa colaboração, somos capazes de usar nossa experiência e tecnologia para fornecer sistemas que ajudam os cientistas no processo de novas descobertas que representam impacto no desenvolvimento econômico e social da população, conclui.