Notícia

Diário de S.Paulo

Compulsivo por sexo terá terapia

Publicado em 26 junho 2013

Por Filipe Sansone

O Hospital das Clínicas vai oferecer tratamento para homens que sofrem de compulsão sexual. A medida envolve terapia em grupo e faz parte da segunda etapa de um estudo que o DIÁRIO divulga com exclusividade. Entre as conclusões da pesquisa realizada por três anos com 86 homens está o fato de a maior parte deles (72%) ter doenças associadas, como transtorno de ansiedade generalizada e depressão.

O estudo foi publicado na revista especializada “Psychiatry Research” e bancado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Segundo o psiquiatra Marco Scanavino, um dos coordenadores da pesquisa, a média de idade dos participantes é de 37 anos, 60% deles estão empregados e pertencem às classes B ou A.

“Esse não é o perfil da maior parte da população brasileira, o que nos faz pensar que, como compulsão sexual é um problema pouco divulgado, as pessoas que vieram nos procurar estavam mais informadas”, explica Scanavino. “Por isso, nessa segunda etapa vamos criar um grupo de estudos em impulso sexual para que profissionais da área estejam aptos a identificar pacientes com esse perfil. O grupo dura seis meses e se reúne uma vez por semana.”

O coordenador do estudo ressalta que a segunda etapa não é voltada exclusivamente para quem desconfia ser compulsivo sexual. “Os voluntários com vida sexual ativa saudável também podem participar e vão receber avaliação psiquiátrica e psicológica”, diz Scanavino. “Com os compulsivos, trabalhamos com a ideia de controle e não de cura, para que o paciente possa inserir outras atividades para sentir-se bem.”

Entrevista

Marco Scanavino, psiquiatra do Hospital das Clínicas, coordenador do estudo

‘Doente troca atividade social por relação’

DIÁRIO_ O que caracteriza um compulsivo sexual?

MARCO SCANAVINO_ Ele privilegia o sexo em detrimento do restante de sua vida. A pessoa, sobretudo, começa a ter prejuízos, deixa de ficar com a família por compromissos sexuais, trabalha com menos eficiência, acaba se isolando. Além disso, ele costuma  aumentar a frequência e a intensidade das relações sexuais para sentir o mesmo prazer que antes. Há indícios de exagero de comportamento ou a pessoa se percebe em um processo de sofrimento, de angústia. No processo avançado do problema, a pessoa começa a sentir vazio, arrependimento.

Por que a idade dos voluntários é tão elevada?

A idade média é de 38 anos. Isso porque há uma média de sete anos entre o paciente apresentar os sintomas da doença e procurar o tratamento. Em um primeiro momento, há a exacerbação do tempo gasto com sexo, o que gera sensação de alívio e só depois começa a sensação de prejuízo

filipe.sansone@diariosp.com.br