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Competição maior no Vale do Paraíba

Publicado em 02 dezembro 2010

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - O mercado brasileiro desponta cada vez mais como foco atrativo para novos negócios, em diversas áreas da economia, e com várias empresas interessadas em implementar negócios e parcerias em cidades do interior paulista, ou da Região do Grande ABC. Em consequência, entidades buscam meios de acompanhar essa alta demanda. É o caso do Centro para a Competitividade e Inovação do Cone Leste Paulista (Cecompi), organização social criada há sete anos por iniciativa do poder público para promover a inovação e o empreendedorismo nas empresas, vai expandir a sua atuação no próximo ano. A ideia é preparar suporte às vendas de produtos de alta tecnologia e atuar em outros municípios do Vale do Paraíba.

O plano é criar uma espécie de balcão de oportunidades para a venda dos mais diversos produtos tecnológicos desenvolvidos pelas empresas associadas ou incubadas, segundo o gerente executivo do Cecompi, Agliberto Chagas. "Incentivamos a transformação do conhecimento em produtos, precisamos também ajudar as empresas a vendê-los".

A partir do próximo ano, o Cecompi também passará a apoiar empresas de Taubaté. Com fábricas da Volkswagen e da LG, a cidade possui cadeias de fornecedores dos setores automotivo e eletroeletrônico que poderão se beneficiar da iniciativa. Na última segunda-feira (29), o gerente executivo do Cecompi assinou termo de cooperação com a Universidade de Taubaté (Unitau).

"O primeiro passo dessa parceria será identificar o nosso portfólio de atuação", disse Chagas. Outra meta do Cecompi para 2011 é iniciar um trabalho de identificação das oportunidades de desenvolvimento da pequena indústria instalada nos municípios menores da região, fora do eixo formado pelas cidades de São José, Jacareí e Taubaté.

"Por falta de oportunidades, há uma migração de mão de obra das cidades menores. Para evitar esse êxodo, é preciso tornar as empresas competitivas e promover o desenvolvimento nas cidades menores ."

As metas do Cecompi foram apresentadas junto com a prestação de contas feita esta semana pela entidade. "Trabalhamos com dinheiro público, é nossa obrigação prestar contas, ter uma boa gestão e compartilhar o conhecimento", resume Chagas. Desde que foi criado, há sete anos, o Cecompi captou mais de R$ 6 milhões.

Metade desse valor foi repassada pela Prefeitura de São José dos Campos, e o restante obtido junto a entidades financiadoras de projetos de inovação, governo do estado e empresas privadas para o desenvolvimento e consolidação de projetos como o do APL (Arranjo Produtivo Local) Aeroespacial, também conhecido como polo de competitividade, que visa o fortalecimento das micro e pequenas empresas da cadeia aeronáutica.

Atualmente, o APL reúne 59 empresas, a maioria fornecedores da Embraer. Um dos desdobramentos deste trabalho foi o lançamento da marca Brazilian Aerospace Cluster com a qual as empresas brasileiras participam das maiores feiras mundiais de aviação, em Le Bourget (França) e Farnborough (Reino Unido)."O custo de participação nestes eventos é muito alto, sozinhos os empresários não teriam condições de participar", disse Chagas.

Em junho deste ano, durante a feira aeronáutica Expo Aero Brasil, realizada em São José dos Campos, o Cecompi firmou acordo de cooperação com o polo francês de Pegase, da região de Marselha, integrado por empresas do setor aeroespacial. A maioria atua no segmento de helicópteros. O acordo visa o intercâmbio entre as empresas brasileiras e francesas nas áreas de treinamento e novas tecnologias.

O Cecompi também integrou o projeto de implantação do Parque Tecnológico, a Incubadora de Negócios, que funciona dentro do Parque Tecnológico com capacidade para abrigar dez empresas, e do Centro de Design e Manufatura (CDM). No centro já foram desenvolvidos mais de 15 produtos. "O Cecompi teve participação ativa na captação de R$ 20 milhões não reembolsáveis da Finep e da Fapesp para as empresas e apoiou a obtenção de 26 marcas e patentes". Hoje, a instituição reúne 70 empresas associadas.