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ABIPTI - Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação

Competição internacional de ciências, Famelab lança inscrições na 16ª SNCT

Publicado em 24 outubro 2019

De acordo com as regras da disputa, realizada em 32 países, pesquisadores devem expor um tema científico em apenas 3 minutos e são avaliados com base nos critérios de conteúdo, clareza e carisma

O FameLab, uma das maiores competições de comunicação científica do mundo, lançou nesta terça-feira (22) a quarta edição brasileira da disputa no palco da 16ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), em Brasília. Presente em 32 países, o objetivo do Famelab é incentivar a divulgação e a popularização do conhecimento científico.

Para o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, a divulgação científica é capaz de revelar talentos e produzir soluções. “Quando a gente fala em ciência e tecnologia, a primeira coisa que passa na minha cabeça é futuro. Sem elas, a gente não vai ter um futuro. Eu não conheço uma ferramenta tão poderosa quanto a ciência acompanhada da educação para unir os países e para que a gente possa manter nosso planeta saudável”, afirmou.

A competição

As inscrições do FameLab começam nesta quarta-feira (23) por meio do site do British Council. https://www.britishcouncil.org.br/famelab Os pesquisadores das áreas de ciência, tecnologia, engenharia, matemática e medicina (STEMM na sigla em inglês) interessados em participar deverão enviar um vídeo de 3 minutos em português e inglês apresentando um conceito científico sem ajuda de PowerPoint, equipamentos eletrônicos ou ferramentas de edição.

Até 30 pesquisadores serão escolhidos para a etapa semifinal, onde as exposições de 3 minutos passam a ser feitas para um auditório e um júri especializado, que avaliarão os competidores com base nos critérios de conteúdo, clareza e carisma. Os semifinalistas também participam de treinamentos com especialistas em comunicação científica. A final brasileira do FameLab vai contar com 10 participantes e o vencedor representa o país no concurso mundial, que faz parte do Cheltenham Science Festival, na Inglaterra.

Exemplos

Laura de Freitas foi uma das finalistas do FameLab em 2018 e participou do lançamento da nova edição da disputa, que ela descreve como o “MasterChef” da ciência. “Em vez de cozinheiros, são cientistas competindo. Ao invés de um prato, a gente entrega uma explicação científica”, descreve.

Ela é farmacêutica, doutora em Biociências e Biotecnologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Com as lições aprendidas no FameLab e a amizade formada com os outros competidores, Laura e outros 9 finalistas criaram o “Nunca Vi 1 Cientista”. O grupo está nas redes sociais e soma quase 100 mil seguidores ao explicar conceitos científicos por meio de posts, vídeos e memes, que têm gerado engajamento e interação com o público.

Na opinião dela, a divulgação científica conscientiza a população da importância das pesquisas e de cobrar investimentos no setor. “Com a divulgação científica, as pessoas passam a perceber que elas fazem parte da ciência, e que o conhecimento produzido é usufruído pelo público. Quando elas entendem isso, passam a valorizar e cobrar investimentos nessa área”, destaca.

Representante brasileiro do FameLab internacional no ano passado, Guilherme Telles estuda em sua tese de mestrado como os diferentes tipos de treinamento físico podem alterar um mecanismo molecular epigenético chamado metilação do DNA (que controla a expressão dos genes). A ideia é entender como a prática de exercícios físicos leva as células musculares a expressarem genes importantes para o desenvolvimento muscular e para a saúde das pessoas.

Após concluir o mestrado, ele pretende ingressar no doutorado, além de empreender projetos voltados à capacitação de pessoas para a divulgação científica. Segundo ele, tornar a ciência mais acessível ao público é importante não só para incentivar mais investimentos nas universidades, laboratórios e institutos, mas também formar novos pesquisadores.

“Uma vez que as crianças, adolescentes e adultos tenham acesso às informações científicas, eles tendem a se interessar mais e perceber que a ciência pode ser desenvolvida por qualquer pessoa que tenha curiosidade. Quanto mais curiosos querendo se tornar cientistas e pesquisadores, mais possibilidades de surgirem boas pesquisas que vão transformar a sociedade”, relata.

FameLab

O FameLab foi lançado em 2005 na cidade de Cheltenham e hoje é realizado em 32 países pelo British Council, organização internacional do Reino Unido para relações culturais e oportunidades educacionais. No Brasil, a iniciativa tem parceria do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC); Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap); Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) e a Embaixada Britânica.

Saiba mais sobre o FameLab na página do British Council https://www.britishcouncil.org.br/famelab.