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GVces - Centro de Estudos em Sustentabilidade

Como uma pesquisa se consolida como política pública?

Publicado em 10 setembro 2009

Por Fernanda Dalla Costa

Parcerias com o setor público e troca de informações entre níveis de graduação são a receita para transformar um projeto de pesquisa universitária em política pública, disse à Revista Sustentabilidade o geográfo Antônio Manuel de Oliveira, da Universidade de Guarulhos (UnG), cujo estudo sobre os mapas de temperaturas na cidade foi transformado em programa de arborização.

O ponto de partida, no entanto, é que os corpos discentes e docentes tenham vontade de desenvolver projetos que busquem a aplicabilidade nas questões sociais, uma tendência que está focando cada vez mais na questão das mudanças climáticas e do meio ambiente, explicou.

"As conquistas acadêmicas devem se voltar à sociedade no sentido do bem-estar humano", concluiu.

Além disso, o apoio oficial de um órgão público de financiamento à pesquisa e inovação é um empurrão necessário para a aproximação com o setor público.

No caso da pesquisa de Oliveira, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) investiu R$100 mil para que ele e os seus orientandos elaborassem o mapa termal de Guarulhos, a maior cidade da região metropolitana de São Paulo.

Um ano depois, o estudo foi usado pelos vereadores para instruir como devem ser as políticas de arborização da cidade, com o objetivo de reduzir as ilhas de calor.

Para ele, a experiência mostrou que trabalhos complementares de grupos de estudantes de graduação, especialização, mestrado e até doutorado podem trazer uma coerência interessante para os administradores públicos, já que produzem uma complementação de ideias, pontos de vista e profundidade de análises.

"A presença de um curso de pós-graduação na universidade é fundamental, pois proporciona uma profundidade que permite alcançar resultados favoráveis e aplicáveis", explicou Oliveira.

Mas o ponto chave é ter uma boa interlocução com o setor público para que os grupos de pesquisa possam conhecer as principais necessidades da comunidade.

Oliveira salientou que foi importante, na elaboração do mapa termal, a participação da Empresa Municipal de Urbanismo de São Paulo (EMURB) através da pesquisadora Harmi Takya, que contribuiu com ferramentas e experiências.

Mas Oliveira lembrou que não são todos os administradores públicos que estão dispostos e preparados para essa parceria.

"Precisamos de parcerias com administradores que não estejam exercendo seu mandato por ele só, e sim que estejam comprometidos em resolver os problemas da comunidade", disse. Para ele, somente assim haverá disposição política para que os resultados saiam do discurso e consigam mudar a realidade das pessoas.

O geógrafo destacou a importância das parcerias entre institutos de pesquisa e universidades que possibilitem agregar condições técnicas ou laboratoriais que uma instituição sozinha talvez não tenha.

Revista Sustentabilidade