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Como Protocolo de Atividades Sensório-Motoras Pode Acelerar a Leitura em Crianças com Dislexia (136 notícias)

Publicado em 30 de julho de 2025

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Após dois meses de um protocolo de atividades sensório-motoras com engajamento cognitivo, 11 crianças de 10 a 12 anos diagnosticadas com dislexia apresentaram melhora na velocidade de leitura.

Este estudo, que combinou práticas recreativas envolvendo habilidades motoras e sociais, demonstrou ser promissor ao estimular o desempenho de leitura das crianças. Os resultados foram publicados na revista Applied Neuropsychology: Child

Embora o estudo envolva um número limitado de crianças, os resultados sugerem que desafios motores e cognitivos podem contribuir para um melhor desempenho na leitura e mudanças nos movimentos oculares. José Angelo Barela, professor do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-UNESP), que coordenou o projeto em parceria com o Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Tecnologia Assistiva (CMDTA), destacou que a intervenção mostrou resultados promissores.

Além da redução do tempo de leitura, houve uma melhora significativa na autoestima, atenção e bem-estar das crianças. Professores relataram que as crianças estavam mais interessadas nas aulas e apresentaram um melhor aproveitamento. De acordo com Barela, um programa mais amplo será desenvolvido em parceria com a prefeitura de Rio Claro, permitindo atender mais crianças e aprimorar o protocolo de intervenção.

A dislexia é um transtorno de aprendizagem que afeta a leitura e a escrita sem envolver déficits cognitivos. As causas são desconhecidas, mas o transtorno está associado a dificuldades motoras, como controle postural e coordenação motora. Barela explica que crianças com dislexia precisam fixar o olhar nos textos por mais tempo para compreendê-los, o que resulta em uma velocidade de leitura inferior.

Pesquisas recentes indicam que as dificuldades enfrentadas por pessoas com dislexia podem estar ligadas a um leve comprometimento do cerebelo, a região do cérebro responsável pela coordenação motora e pelo equilíbrio. As intervenções propostas visaram ativar essa área e facilitar os movimentos oculares.

A parceria com a prefeitura de Rio Claro permitirá uma exploração mais aprofundada das intervenções e dos mecanismos que contribuíram para as melhorias observadas nas crianças. Embora não tenha havido impacto significativo na agilidade ou coordenação manual, Barela sugere que isso pode estar relacionado à abordagem adotada nas atividades.

Os pesquisadores acreditam que os resultados podem indicar uma maior ativação do córtex cerebral, que é responsável por funções cognitivas superiores, como linguagem e memória. Uma maior ativação pode ter promovido melhorias na atenção, resultando em benefícios adicionais, incluindo a velocidade de leitura, considerando a breve duração do protocolo de apenas dois meses.

Barela ressalta que o diagnóstico da dislexia muitas vezes ocorre tardiamente, após os 10 anos, um período crítico para o desenvolvimento da fluência na leitura e aprimoramento das habilidades motoras. Com o tempo, as dificuldades acumuladas podem tornar o aprendizado um desafio ainda maior.

Informações da Agência FAPESP