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Como está a carteira de vacinação do seu filho?

Publicado em 01 junho 2021

Por A vida da criança

Vacina é, sem dúvida, a palavra do momento. Nunca se falou tanto sobre o tema. Para os responsáveis por crianças, as vacinas estão presentes no cotidiano e devem estar entre as suas prioridades, desde o nascimento.²

“Meu filho saiu da maternidade com menos de 2 kg, e contei cada grama até que atingisse o peso ideal para poder ser vacinado. Faço questão de que a carteira de vacinação dele esteja em dia, e as datas são seguidas rigorosamente. Aqui em casa, é prioridade máxima”, disse Carolina Cayres, mãe do Fernando, de 1 ano.

O cuidado dessa mãe é mais do que justificado por fatos. Estima-se que a vacinação salvou, apenas entre os anos de 2000 e 2019, a vida de 37 milhões de crianças, de acordo com um estudo publicado em janeiro deste ano na Lancet, uma das revistas científicas mais importantes do mundo. Isso considerando apenas a vacinação infantil. Levando em conta que muitos imunizantes aplicados na infância evitam doenças também na fase adulta, esse número pode chegar a 120 milhões de vidas salvas.³

No Brasil, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), todos têm acesso a diferentes vacinas, que são uma das mais extraordinárias conquistas da ciência. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) é referência mundial no tema. O Brasil é um dos poucos países que oferecem de forma universal e gratuita uma extensa lista de vacinas, em mais de 36 mil salas espalhadas por todo o território nacional. Sem contar as diversas clínicas particulares de imunização.4

Mesmo assim, muitas famílias têm deixado de vacinar seus filhos nos últimos anos ou de comparecer aos postos de saúde na data correta de aplicação das doses, o que acende uma luz vermelha entre os especialistas. E não é para menos. Conforme informações da Agência Brasil, divulgadas no fim do ano passado, de todas as vacinas do calendário infantil, metade não bateu a meta desde 2015; e, de 2018 para cá, nenhuma meta foi atingida.5

Apenas para citar algumas consequências desse declínio nas taxas de vacinação, crianças não vacinadas têm risco 8,6 vezes maior de serem internadas por varicela (catapora) e 6,5 vezes maior de apresentarem infecções pneumocócicas, por exemplo, segundo estudos científicos6,7

Por que se vacinou menos?

Os motivos dessa redução nas taxas de vacinação da população brasileira estão relacionados a vários fatores. Um deles são as fake news que circulam pelas redes sociais, questionando a segurança das vacinas. Vemos fake news há muito tempo. O problema é que as redes sociais têm amplificado a disseminação dessas mensagens falsas.8

Com estudos rigorosos e constante aprimoramento, as vacinas têm um bom perfil de segurança, segundo diversos especialistas e sociedades médicas. Eventuais reações adversas, como febre e dor no local da aplicação, podem ocorrer após a vacinação, mas os benefícios da imunização são muito mais amplos.?

Outra razão, segundo os especialistas, é o desconhecimento de muitas famílias sobre o calendário nacional de vacinação, que está mais complexo se comparado com o de 10 ou 20 anos atrás.8

Então, se não há a orientação de um profissional de saúde, alguns pais acabam se perdendo sobre quais vacinas os filhos devem tomar ou quando elas precisam ser aplicadas (veja quadro abaixo).

Adaptado de Ministério da Saúde do Brasil²

Vale lembrar que o cronograma de vacinação é elaborado de forma que as crianças sejam imunizadas quando começam a precisar de proteção para determinada doença. Assim, não seguir o calendário aumenta o risco de elas desenvolverem uma doença.?¹°

Por fim, mais um fator para os números da vacinação no Brasil estarem em queda nos últimos anos é a percepção equivocada de que não é preciso mais vacinar porque as doenças desapareceram. Ao contrário do que se pensa, a erradicação de algumas doenças só foi possível graças ao sucesso de programas de imunização. E essas doenças só vão permanecer sob controle com uma altíssima cobertura vacinal em todo o País.¹¹

Mércia Scarton, mãe da Isabella, de 1 ano, é bem consciente sobre essa responsabilidade: “Fazemos questão absoluta de que todas as vacinas estejam em dia, não só pelo bem-estar de nossa filha, mas também pelo senso de coletividade. Vacinando, protegemos não apenas a nossa bebê, mas tantas outras crianças de doenças que podem ser fatais”.

Natassia Okazaki, mãe do Leonardo, de 3 anos, e das gêmeas Rafaela e Lorena, de 1, também entende que é um esforço de todos. “Vejo como um pacto coletivo: protejo meus filhos, sempre esperando o mesmo dos outros”, comenta.

Mas é seguro sair para se vacinar agora?

Sim, os pais podem e devem seguir com a vacinação dos seus filhos, mesmo nesse período atípico. Vaciná-los é um ato de amor e proteção, muito importante para o futuro da saúde deles. O Ministério da Saúde do Brasil esclarece ainda que a rede pública de saúde está bem preparada para realizar a vacinação de forma segura. A orientação é de que a aplicação aconteça em ambientes ventilados, que haja local para a lavagem das mãos e disponibilização de álcool em gel, e que somente um familiar acompanhe a criança.12,13

Referências bibliográficas:

1- World Health Organization (WHO). Vaccines and immunization. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/vaccines-and-immunization#tab=tab_1. Acessado em 05 de março de 2021.

2- Ministério da Saúde do Brasil. Calendário nacional de vacinação. Disponível em: https://www.saude.go.gov.br/files/imunizacao/calendario/Calendario.Nacional.Vacinacao.2020.atualizado.pdf. Acessado em 05 de março de 2021.

3- Li X, Mukandavire C, Cucunubá ZM et al; Vaccine Impact Modelling Consortium. Estimating the health impact of vaccination against ten pathogens in 98 low-income and middle-income countries from 2000 to 2030: a modelling study. Lancet. 2021;397(10272):398-408.

4- Ministério da Saúde do Brasil. Programa nacional de imunizações (PNI). Disponível em: https://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/pni/o-que-e.html. Acessado em 05 de março de 2021.

5- Agência Brasil. Em queda há 5 anos, coberturas vacinais preocupam Ministério da Saúde. 2020. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-10/em-queda-ha-5-anos-coberturas-vacinais-preocupam-ministerio-da-saude. Acessado em 05 de março de 2021.

6- Glanz JM, McClure DL, Magid DJ et al. Parental refusal of varicella vaccination and the associated risk of varicella infection in children. Arch Pediatr Adolesc Med. 2010;164(1):66-70.

7- Glanz JM, McClure DL, O'Leary ST et al. Parental decline of pneumococcal vaccination and risk of pneumococcal related disease in children. Vaccine. 2011;29(5):994-9.

8- Fundação de amparo à pesquisa do estado de São Paulo (FAPESP). As razões da queda na vacinação. 2018. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/as-razoes-da-queda-na-vacinacao. Acessado em 05 de março de 2021.

9- Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Vacinas. Perguntas e respostas. Como posso ter certeza de que as vacinas são seguras? 2017. Disponível em: https://familia.sbim.org.br/vacinas/perguntas-e-respostas/como-posso-ter-certeza-de-que-as-vacinas-sao-seguras. Acessado em 05 de março de 2021.

10- Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Vacinas. Perguntas e respostas. Já que meu bebê só fica em casa, posso começar a vaciná-lo mais tarde ou só quando ele for para escola? 2017. Disponível em: https://familia.sbim.org.br/vacinas/perguntas-e-respostas/ja-que-meu-bebe-so-fica-em-casa-posso-comecar-a-vacina-lo-mais-tarde-ou-so-quando-ele-for-para-escola. Acessado em 27 de abril de 2021.

11- Cruz A. Saúde em foco. A queda da imunização no Brasil. Redução da cobertura vacinal no país é preocupante. 2017. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos/revistaconsensus_25_a_queda_da_imunizacao.pdf. Acessado em 05 de março de 2021.

12- Agência Brasil. Governo lança campanha nacional de multivacinação. 2020. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-10/governo-lanca-campanha-nacional-de-multivacinacao. Acessado em 27 de abril de 2021.

13- Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Vacinação de rotina durante a pandemia de COVID-19. 2020. Disponível em: https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/nota-tecnica-sbim-vacinacao-rotina-pandemia.pdf. Acessado em 27 de abril de 2021.

Este material informativo não substitui a conversa com um médico, pois apenas esse profissional poderá orientá-lo(a) sobre a prevenção de doenças e o uso adequado de medicamentos. Não tome nenhum medicamento sem ter recebido orientação médica.

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