Notícia

Jornal de Piracicaba online

Como escolher o curso certo para seu projeto de vida

Publicado em 05 março 2007

Ao escolher o curso estão em jogo projetos de vida, necessidade de ganhar dinheiro, vontade de adquirir conhecimento e aspirações profissionais. Boa parte das pessoas está atrás de melhorar o desempenho no cargo que exerce e, com o mercado de trabalho competitivo, quanto mais competências a pessoa desenvolver, mais chances terá de se colocar.
Todo profissional é 100% responsável pela sua carreira, por isso é necessário ter um plano que procure delinear sua trajetória profissional para saber em que ponto está de sua carreira e decidir melhor qual o curso que deverá fazer.
Segundo o dito popular "não há bons ventos para quem não sabe onde vai". Não há bom curso de pós-graduação (stricto sensu) ou especialização (lato sensu) para quem não sabe o que quer da vida. Na sociedade brasileira há relativo consenso sobre o fato de a educação pública ser qualitativamente superior à educação privada. Por quê?
Até recentemente, as universidades públicas tinham a responsabilidade de criar e consolidar os programas de pós-graduação stricto sensu, investindo para a formação acadêmica de professores e pesquisadores, formando quadros capazes de responder às exigências do desenvolvimento econômico do país e desenvolvendo e divulgando a C&T (ciência e tecnologia). O êxito se deve ao fato de terem sido as primeiras a estabelecer programas de cooperação internacional, que envolviam as universidades públicas, ministérios e as agências governamentais (Capes, CNPq, ABC, Fapesp, Faperj, Fapergs, Fapemig). Por tudo isso, os estudantes optam por freqüentar as universidades públicas. Hoje, universidades privadas comprometidas com ensino-pesquisa de qualidade possuem cooperação com agências de fomento bem como parcerias com renomados centros de excelência internacionais.

Os MBAs (lato sensu especializações)
No final da década de 70 do século passado, começaram a ser criados outros cursos, que não eram mestrado ou doutorado, destinados a pessoas já graduadas, sendo, portanto, cursos de pós-graduação, independentemente do número de horas de duração. Foram chamados de pós-graduação lato sensu, expressão latina que significa "ampliação do conhecimento geral". Embora fossem oferecidos a todas as áreas, o seu crescimento maior foi na área de administração, isso porque pessoas formadas em engenharia, economia, direito, medicina, e mesmo outras áreas, precisavam ocupar cargos gerenciais, o que as levava a procurar dominar as técnicas de administração.
Os cursos já existentes — mestrado e doutorado — passaram a ser chamados stricto sensu e eram dedicados à pós-graduação acadêmica e ao mestrado profissional. Nesse processo, muitos cursos de pós-graduação lato sensu adotaram a denominação MBA (Master of Business Administration).
No início dos anos 80, o Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppedad), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, deu o nome de MBA aos cursos de formação profissional na área de administração que existem nos Estados Unidos. Em administração, o master do MBA americano vem do mestre de corporações de artes e ofícios, o que domina certo conhecimento. Não se relaciona com o nosso mestre, que é como são chamados os professores.
Muitas instituições têm adotado o nome MBA para caracterizar programas de educação continuada, o que vem causando confusão entre essa modalidade e outros cursos — é comum encontrar cursos de áreas não ligadas à administração utilizando o termo MBA, o que está fora do contexto. No Brasil, o MBA é o nome dado a um curso de especialização voltada para área de administração e é parte integrante da educação continuada, portanto, não deve ser confundido com o mestrado profissional Este é de um curso de pós-graduação stricto sensu que, além de aprofundar conhecimentos e técnicas científicas, confere o grau de mestre, o que permite o exercício da docência.
O mestre no Brasil não se relaciona com o master do MBA americano que se origina do mestre das corporações de artes e ofícios; no Brasil são chamados de professores não equivalendo ao nosso mestrado. São várias as instituições que atualmente têm adotado o nome "fantasma" MBA, os cursos de MBA referem-se a cursos lato sensu, portanto, não são considerados pós-graduação e sim especializações que oferecem uma visão generalista sobre gestão empresarial. Com duração mínima de 360 horas de aula e duração entre um a dois anos, não é necessário que o aluno defenda seu trabalho final de curso sob avaliação de banca.
Atualmente as instituições educacionais passaram a utilizar a sigla MBA de forma controversa a alguns tipos de especialização. Esses cursos são voltados para administradores e outros profissionais com graduação mais generalista que desejam se aprofundar na gestão de uma determinada área do negócio.
A adoção da sigla MBA vem caracterizar os programas de educação continuada; o uso da sigla vem causando confusão entre essa modalidade e outros cursos de pós-graduação, cursos de áreas não ligadas à administração que utilizam o termo MBA, o que parece fora do contexto, já que a origem da sigla vem dos cursos americanos de formação profissional Master of Business Administration.
A confusão estende-se dos cursos de especialização ao curso de mestrado profissional. De acordo com a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior), no Brasil o MBA é o nome dado a um curso de especialização voltado à educação continuada que procura entrar em contato com as técnicas de administração: é um curso para completar sua formação após a conclusão da graduação.
É considerada uma pós-graduação no lato sensu da expressão para área de negócios. De acordo com os requisitos da Resolução CNE/CES nº 1, de 03/04/01, os indicadores de regularidade de cursos lato sensu, como o MBA, são o credenciamento institucional, que tem validade limitada. Pela definição da Lei de Diretrizes e Bases, são considerados cursos de pós-graduação o mestrado acadêmico, mestrado profissional e doutorado, os demais cursos, independente do número de horas devem ser considerados como educação continuada, modalidade especialização.
Tem a nomenclatura de pós-graduação porque é cursado após a graduação, qualquer curso que não seja mestrado acadêmico, mestrado profissional e doutorado, mesmo com mais de 360 horas/aula deve ser considerado especialização, como é o caso dos MBAs. Os cursos de especialização segundo a Capes não são submetidos à sua avaliação, sendo de sua competência o stricto senso, mestrados e doutorados.
Os cursos de especialização enfrentam deficiências devido à massificação e mercantilização. A professora e doutora em educação Fátima Oliveira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que analisa as deficiências dos cursos de especialização, ressalta para os pontos convergentes nas instituições educacionais que contribuem para o agravamento da perda de qualidade são professores desqualificados; turmas numerosas, metodologias e práticas de ensino ficam distantes das necessidades empresariais; as instituições não estão alinhadas ao que o mercado de trabalho espera e o que elas oferecem em termos de cursos. Apesar das deficiências pode-se atribuir aos cursos de educação continuada a missão de aperfeiçoar, qualificar e atualizar metodologias e práticas de ensino, por constituírem parte integrante do lato sensu deve ser considerado como especialização, com visão de formar especialistas em áreas distintas do conhecimento.
Prof. dr. Antonio Carlos Giuliani é coordenador e professor do programa de mestrado profissional em administração da Unimep.
cgiuliani@unimep.br