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Como é a árvore genealógica dos acadêmicos no Brasil Juliana Sayuri

Publicado em 03 abril 2019

Por Juliana Sayuri

O físico César Lattes (1924-2005), um dos mais importantes intelectuais brasileiros, possui ao menos 425 descendentes acadêmicos ao longo de cinco gerações, entre 1966 e 2017. São 7 “filhos” acadêmicos diretos, 75 “netos”, 193 “bisnetos”, 148 “trinetos” e 2 “tetranetos”.

O “filho” mais jovem é o físico Anderson Campos Fauth, atualmente professor do Instituto de Física da Universidade de Campinas. Lattes orientou a dissertação de mestrado de Fauth, defendida em 1986.

O levantamento da genealogia acadêmica de César Lattes é um dos exemplos da Plataforma Acácia, um projeto da Universidade Federal do ABC, na região metropolitana de São Paulo.

As informações são coletadas a partir da Plataforma Lattes, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que atualmente reúne mais de 6 milhões de currículos acadêmicos, de brasileiros e estrangeiros.

1.111.544

é o número de acadêmicos incluídos na plataforma

1.208.398

é o número de conexões acadêmicas mapeadas até agora

Pesquisadores da área de cientometria (a métrica da ciência) estão desenvolvendo algoritmos para identificar linhagens acadêmicas, a partir de dados sobre orientações de mestrado e doutorado no Brasil: orientadores são considerados “pais” ou “mães” de mestres e doutores orientados, que, por sua vez, podem gerar “netos” e dar continuidade à família acadêmica.

Idealizada em 2016, a Plataforma Acácia lançou uma versão experimental em abril de 2018 e entrou no ar em março de 2019.

No site, é possível buscar informações individuais de pesquisadores e, no futuro, pretende-se facilitar o acesso a dados de departamentos, núcleos de pesquisa e universidades.

“Embora já possa ser consultada, a Plataforma Acácia continua em desenvolvimento”, afirmou à Revista Pesquisa Fapesp o coordenador do projeto, Jesús Pascual Mena Chalco, professor da UFABC, em março de 2019.

Além de Mena Chalco, o projeto conta com a participação dos doutorandos Luciano Rossi e Rafael J. Pezzuto Damaceno, do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação, e do estagiário Thomaz Soares.

A proposta é disponibilizar dados que podem contribuir na produção de indicadores para, por exemplo, direcionar políticas públicas, mapear a interdisciplinaridade das áreas e medir a influência de cientistas e seus “herdeiros” intelectuais nas gerações seguintes. Também pode contribuir para estudos de sociologia e história da ciência.

“O termo ‘acácia’ é uma inspiração da árvore ‘acácia’, uma espécie nativa do sudeste australiano. O formato da copa desta espécie assemelha-se com os grafos de genealogia acadêmica identificados no contexto brasileiro, ou seja, são compactos em termos de altura, indicando que no Brasil a ciência é jovem (possui poucas gerações de doutores e mestres), mas largos, em termos de comprimento”, define o site.

Além dos dados colhidos no Lattes, o sistema pretende incluir 600 mil registros do banco digital de dissertações de mestrado e teses de doutorado da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e uma lista de integrantes da Academia Brasileira de Ciências, informou a Pesquisa Fapesp, em novembro de 2016.

Há exemplos de árvores genealógicas internacionais de economistas, matemáticos e neurocientistas. No Brasil, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais estão desenvolvendo o projeto The Science Tree (árvore da ciência, em tradução livre), que pretende reunir informações de diversos países.