Série Agenda Política Pública reúne 12 volumes de download gratuito, com diretrizes e planos para a governança da água, baseados em pesquisas acadêmicas e escritos em linguagem acessível
Como definir uma agenda estratégica para a segurança hídrica? Série traz diretrizes para políticas públicas
Série Agenda Política Pública reúne 12 volumes de download gratuito, com diretrizes e planos para a governança da água, baseados em pesquisas acadêmicas e escritos em linguagem acessível
A Agenda Política Pública é um formato de publicação pensado para transformar a produção de uma pesquisa voltada a temas complexos socioambientais em planos concretos e objetivos para ações políticas. Depois da publicação de 11 volumes sobre problemas ambientais relacionados ao contexto territorial e socioambiental da Macrometrópole Paulista do projeto MacroAmb (2017-2023) , foi lançado um novo conjunto com 12 títulos sobre segurança hídrica que integram o projeto SEGHID, desenvolvido em 2024 em uma parceria entre pesquisadores de universidades paulistas e da Paraíba, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq).
Os volumes fazem parte do projeto Proposta de diretrizes e planos para a governança e segurança hídrica adaptativa: dimensões técnica, participativa e sustentabilidade, num contexto de mudanças climáticas, nas bacias hidrográficas do Alto Tietê e do Paraíba , sob a coordenação dos professores Pedro Roberto Jacobi, do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, e José Irivaldo Alves Oliveira Silva, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), da Paraíba.
Segundo Jacobi, o conteúdo foi desenvolvido pelos pesquisadores do projeto, numa abordagem interdisciplinar, sendo diversos volumes produzidos por integrantes das duas equipes, e outros com ênfase regional pelas equipes do Grupo de Pesquisa Grupo de Acompanhamento e Estudos em Governança Ambiental (GovAmb) em São Paulo, e pela equipe UFCG e Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).
Pedro Roberto Jacobi, professor do IEE USP e coordenador da série Agenda Política Pública - Foto: Divulgação/ IEA
A iniciativa aborda a necessidade de se repensar a governança da água, enfatizando práticas sustentáveis que fortaleçam a ação integrada de políticas públicas voltadas às bacias hidrográficas urbanas e periurbanas. Segundo o coordenador, “o principal objetivo das Agendas é apresentar análises sobre diversos temas articulados em torno da Segurança Hídrica nas suas múltiplas dimensões, detalhando experiências e políticas, apresentando propostas e enfatizando mensagens estratégicas para o enfrentamento das questões abordadas, destacando sugestões que possam ser incorporadas em políticas públicas”.
Nova série de publicações aborda segurança hídrica - Foto: Divulgação/
GovAmb IEE USP
Tecnologias sociais
A primeira Agenda Política Pública da série, intitulada Tecnologias Sociais para Segurança Hídrica e Adaptação Climática , de Francisco Fechine Borges e Hugo Morais de Alcântara, traz algumas tecnologias que podem ser empregadas para mitigar os problemas da emergência climática. Entre elas estão as barragens subterrâneas, uma tecnologia de captação e armazenamento da água da chuva que está promovendo o redesenho de agroecossistemas no Médio Sertão do Estado de Alagoas por meio da valoração de metodologias que utilizam o saber popular em diálogo com o conhecimento científico.
Há também, a Cisterna Chapéu do Padre Cícero, tecnologia social de convivência com o semiárido desenvolvida no intuito de ampliar o acesso à água para produção de alimentos em pequenas propriedades rurais. A cisterna tem capacidade para armazenar 52 mil litros de água. Ocupando uma área de 80 m², possui calçadão em formato circular, construído ao redor da cisterna, que assemelha-se a um chapéu, daí seu nome. O teto também serve como área de captação de água das chuvas, a qual escorre para seu interior através de fendas nas bordas.
Outros métodos presentes no volume são o de Bioágua Familiar, com um sistema que filtra as águas que normalmente seriam descartadas no solo após o uso em residências (banho, lavagem de roupas etc.), direcionando-a para um quintal produtivo diversificado e agroecológico, permitindo que pequenos agricultores possam ter um cultivo permanente; Hidroponia com reuso de águas residuais de dessalinizadores, tema de pesquisa em diversos centros; Horta Orgânica com Economia de Água; e Mureta de Pedras: Tecnologia Social de Combate aos Efeitos da Desertificação.
São tecnologias simples, desenvolvidas e implementadas conjuntamente com as comunidades beneficiárias, que podem contribuir para garantir a segurança hídrica e minimizar os efeitos do aquecimento global, em todos os biomas brasileiros, especialmente a caatinga, no semiárido.Tecnologias que transformam a vida de pessoas que vivem no semiárido, sujeitas à insegurança hídrica e aos fenômenos extremos relacionados com as mudanças climáticas. Estes são apenas alguns exemplos das centenas de tecnologias sociais (TS) disponíveis no Banco de Tecnologias Sociais (BTS) da Fundação Banco do Brasil (FBB), uma instituição que incentiva e promove o desenvolvimento e disseminação de tecnologias sociais no Brasil.
Série sobre segurança hídrica possui doze títulos publicados.
Agenda Política Pública
Iniciada em 2023, sob a coordenação de Jacobi, a Agenda Política Pública se estrutura como sequência de documentos com informações baseadas em pesquisas do GovAmb, com instituições parceiras. O foco é nas recomendações de opções e ações que contribuem para fortalecer e ampliar os debates sobre políticas públicas com enfoque inter e transdisciplinar na perspectiva da governança socioambiental nas suas múltiplas dimensões.
Com uma proposta inovadora, a agenda transdisciplinar envolve pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, entre professores e alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorado. Como explica o coordenador, o modelo base é o que em inglês se denomina Policy Brief, que muitas instituições produzem, inclusive mantendo o nome Policy Brief. “Tenho utilizado nos projetos que coordeno no Grupo de Pesquisa Governança Ambiental, o nome Agenda Política Pública”, comenta.