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Jornal Cidade - Rio Claro

Como comunicar ciência

Publicado em 20 janeiro 2021

Por Adilson Roberto Gonçalves

Li reflexão interessante do professor Luiz Eduardo Corrêa Lima publicada em seu blog (Na era da biologia, o biocentrismo precisa prosperar https://go.shr.lc/2XQjo-DZ). Biólogo, o professor Luiz discorre sobre a evolução da importância desse conjunto de conhecimentos, com algum contraponto com a Química e a Física. Vale a leitura. Penso que a Química há muito tempo absorveu os conceitos da Biologia, não apenas nas disciplinas bioquímica e biotecnologia, mas na questão ampla de equilíbrios dinâmicos, ciclos fechados, resíduos zero e por aí vai. Alguns desses tópicos já foram abordados neste espaço. Na verdade, as divisões científicas como as conhecemos foram apenas subterfúgio para facilitar o aprendizado e o estudo. Acabamos por segregar demais esses saberes.

No entanto, contra a ignorância, mesmo a educação como vacina a longo prazo se mostra ineficiente. Contra o autoritarismo, acreditávamos que o voto seria uma vacina suficiente. Agora descobrimos que apenas contra o coronavírus há, finalmente, vacinas que possam combatê-lo e diminuir os efeitos da Covid-19. Porém, o desgoverno faz de tudo para ser contrário à ciência e ao conhecimento e já padecemos da ansiedade antivacinal presumida.

Além disso, órgãos consolidados de imprensa nem sempre ajudam no esclarecimento. A Folha de S. Paulo possui espaço de opinião chamado Tendências/Debates e foi duramente criticada por sua ombudsman ao publicar artigo negacionista da ciência, defendendo o inexistente tratamento precoce contra a Covid-19. O pior é que descobrimos pela jornalista que fora preterido o artigo de Aloizio Mercadante esclarecendo a falácia de matéria daquele jornal sobre a década de avanços sociais no país, sem citar o sujeito, ou seja, o governante e o partido responsável pelo feito. Essa comunicação de ciência que fazemos é importante, ainda que não totalmente eficiente. Não encontramos ainda o tom correto, a direção a ser seguida, a abordagem instigante para o interlocutor entender a importância do conhecimento e desses saberes científicos. A Revista Pesquisa FAPESP, por exemplo, na edição de dezembro, fez uma reportagem intitulada “ Vozes bem-vindas ” sobre o assunto. Cursos de especialização em jornalismo científico, como o do Labjor da Unicamp que tive oportunidade de fazer, formam e demandam profissionais nessa área, mas ainda são insuficientes. A Doutora Margareth Dalcolmo, citada na reportagem, é um exemplo de dedicação por estar todos os dias dando entrevistas e fazendo esclarecimentos sobre a pandemia do novo coronavírus. Ela participou ao vivo do programa Roda Viva da TV Cultura em novembro, visivelmente com olheiras e dizendo que o trabalho de esclarecimento deve ser ininterrupto. De manhã, naquele mesmo dia, ela já havia participado de webinário da Fapesp. O Boletim Anti-Covid que editamos na Unesp Rio Claro (https: sites. google. com/unesp. boletim-anti-covid-19/) tem esse mesmo intuito, influenciando a mídia local a repercutir os alertas e análises lá contidos. #IniCiencias.

[ O autor é graduado e licenciado em Química pela Universidade Estadual de Campinas- UNICAMP (1989), com Mestrado (1991) e Doutorado em Química (1995) pela mesma UNICAMP tendo passado dois anos na Alemanha no Instituto Federal de Pesquisas Florestais (Hamburgo 1992-1994)]

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