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Comitê fará revisão do IPCC

Publicado em 08 abril 2010

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas IPCC terá seus procedimentos e processos revisados por um comitê independente de especialistas. O anúncio foi feito na Holanda pelo InterAcademy Council IAC, organização que reúne academias de ciências de diversos países, entre os quais o Brasil. O economista Harold T. Shapiro, ex-reitor das universidades Princeton e de Michigan, nos Estados Unidos, conduzirá o comitê de 12 especialistas. O Brasil estará representado por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo.

A revisão do IPCC foi solicitada pela Organização das Nações Unidas ONU no mês passado a partir de erros identificados em relatórios do painel divulgados em 2007. O comitê revisará os procedimentos empregados pelo IPCC na preparação de seus relatórios. Entre os assuntos que serão analisados estão o controle e a qualidade dos dados utilizados, a forma como os relatórios lidaram com diferentes pontos de vista científicos e a correção de erros identificados após a divulgação dos documentos.

O comitê também revisará os processos gerais do IPCC, entre os quais as funções gerenciais e estratégias de comunicação. O objetivo do IAC é que o comitê tenha um relatório pronto, com observações e recomendações, até 30 de agosto. Vamos abordar esse processo de revisão com a mente aberta. Estamos confiantes de que temos os especialistas necessários, nesse comitê, para entregar à ONU um processo sólido que ofereça aos tomadores de decisão a melhor avaliação possível sobre as mudanças climáticas , disse Shapiro.

O que o IAC espera do comitê é uma contribuição especial para que os trabalhos do IPCC tenham a base científica mais sólida possível, o que é fundamental para que as conclusões e projeções tenham cada vez maior legitimidade junto a governos e ao público em geral, disse Brito Cruz.

Entre os integrantes do comitê de revisão estão Maureen Cropper, ex-economista chefe do Banco Mundial Mario Molina, ganhador do Nobel de Química em 1995, e Peter Williams, vice-presidente da Royal Society. Roseanne Diab, diretora da Academia de Ciências da África do Sul, será a vice-presidente do comitê, que teve seus integrantes indicados pelas academias de ciência que fazem parte da IAC.

Erro?

A revisão será feita após a descoberta, no início deste ano, de um erro em uma das pesquisas que compõem o último relatório, divulgado em 2007. O texto informa que as geleiras do Himalaia podem desaparecer até 2035, por causa do aquecimento global . O problema é que os próprios cientistas do IPCC reconheceram que a previsão não tem fundamento científico.

Agência Fapesp

SAIBA MAIS

> O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas IPCC, ligado à Organização das Nações Unidas ONU, divulgou, em 2007, quatro capítulos que formam um relatório sobre o aquecimento global.

> No fim do ano, o IPCC foi um dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz - junto com o ex-vice-presidente americano Al Gore -, por seu trabalho de conscientização para o problema e as conseqüências da mudança climática.

> O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas IPCC, na sigla em inglês é um órgão composto por delegações de 130 governos para prover avaliações regulares sobre a mudança climática. Foi criado em 1988, da percepção de que a ação humana poderia estar exercendo uma forte influência sobre o clima do planeta e que é necessário acompanhar esse processo.

> O IPCC concluiu que a ação humana é provavelmente a maior responsável pelo aquecimento global nos últimos 50 anos, e que os efeitos desta influência se estendem a outros aspectos do clima, como elevação da temperatura dos oceanos, variações extremas de temperatura e até padrões dos ventos.

> O IPCC estima que até o fim deste século a temperatura da Terra deve subir entre 1,8ºC e 4ºC, o que aumentaria a intensidade de tufões e secas.

> O grupo também calcula que o derretimento das camadas polares pode fazer com que os oceanos se elevem entre 18 cm e 58 cm até 2100, fazendo desaparecer pequenas ilhas e obrigando centenas de milhares de pessoas a engrossar o fluxo dos chamados refugiados ambientais - pessoas que são obrigadas a deixar o local onde vivem em consequência da piora do meio ambiente.

> O IPCC também alerta que partes da Amazônia podem virar savana. Há riscos também para o Nordeste brasileiro, que poderia ver, no pior cenário, até 75% de suas fontes de água desaparecerem até 2050. Os manguezais também seriam afetados pela elevação do nível da água.