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Começam escavações para instalar telescópio gigante no Chile

Publicado em 22 agosto 2018

A Organização do Telescópio Gigante Magalhães (GMTO) anunciou na terça-feira (14) o início da escavação da rocha dura para o enorme píer de concreto do Telescópio Gigante Magalhães (GMT) e as fundações do telescópio em seu local no Observatório Las Campanas, no Chile. O trabalho será realizado pela Minería y Montajes Conpax (conhecida como Conpax), uma empresa de serviços de construção que já realizou trabalhos no local para outros observatórios no Chile. Usando uma combinação de perfuração hidráulica e martelamento, o trabalho de escavação deverá levar cerca de cinco meses para ser concluído. O Brasil participa deste mega projeto por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com liderança, aqui no País, de João Steiner e Cláudia Mendes, professores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP.

A escavação é um passo fundamental para a construção do GMT, que deverá ver a primeira luz já em 2024. O GMT, de 25 metros de diâmetro e que deverá ter um peso final de cerca de 1.600 toneladas, será composto com sete espelhos de 8,4 metros suportados por uma estrutura de telescópio de aço que ficará assentada no píer de concreto. Ele será alojado dentro de um recinto giratório que medirá 65 metros ( cerca de 22 andares) de altura e 56 metros de largura.

Além de trabalhar nas fundações do píer, a Conpax vai escavar um recesso na rocha da cúpula para a parte inferior da câmara de revestimento de espelho e fundações para um prédio utilitário e um túnel no cume. “Com o início da construção dos edifícios permanentes no local, o GMT está mostrando um progresso tangível em direção à conclusão. Estamos muito satisfeitos que a Conpax esteja realizando este importante trabalho”, afirmou o gerente de projeto da GMTO James Fanson.

A parte mais desafiadora de seu trabalho na cúpula será escavar a rocha sólida do topo da montanha até uma profundidade de 7 metros para segurar o concreto para o píer do telescópio. Muito deste trabalho será feito com um martelo hidráulico para garantir que a integridade do leito sólido abaixo do píer não seja danificada. “No total, esperamos remover cinco mil metros cúbicos ou 13.300 toneladas de rocha da montanha e precisaremos de 330 cargas de caminhão basculante para removê-los da cúpula”, disse Fanson.

A segunda etapa do processo de projeto e construção do telescópio deverá ser iniciada ainda em 2018 e prevê a finalização do desenho, a fabricação, os testes e a instalação do instrumento no observatório de Las Campanas.

“Há muitos fatores complicadores na montagem do telescópio, como a atividade sísmica no Chile. Felizmente – ou infelizmente – a Califórnia [onde está situada a sede administrativa do GMT, em Pasadena] também está em uma região com atividade sísmica e pudemos aproveitar algumas tecnologias já usadas lá no GMT”, disse Robert Shelton, físico norte-americano e presidente da GMT Corporation.

A solução que será empregada pela empresa responsável pelo desenho do GMT para isolar o telescópio do chão, de modo a impedir que seja atingido por um eventual terremoto, será instalar rolamentos de isolamento sísmico na parede de concreto da base do telescópio, abaixo do nível do solo. Os rolamentos permitirão que a base do telescópio se mova durante um eventual terremoto de grande magnitude.

“Os rolamentos de isolamento sísmico que serão instalados na base do GMT serão semelhantes aos que foram instalados na fundação do Pasadena City Hall para proteger a construção de terremotos”, disse Shelton.

O Observatório Las Campanas, localizado no sul do Deserto do Atacama do Chile e de propriedade da Carnegie Institution for Science, é um dos principais locais astronômicos do mundo, conhecido por seu céu claro e escuro e fluxo de ar estável, produzindo imagens excepcionalmente nítidas. Com seu design exclusivo, o GMT produzirá imagens dez vezes mais nítidas do que as do Telescópio Espacial Hubble na região do infravermelho do espectro e será usado pelos astrônomos para estudar planetas em torno de outras estrelas e relembrar o tempo em que o primeiras galáxias foram formadas.

No ano passado, o projeto GMT lançou o quinto segmento espelho primário no Laboratório de Espelhos Richard F. Caris, na Universidade do Arizona, anunciou um novo parceiro para o projeto com a Universidade Estadual do Arizona e concedeu contratos de projeto e construção da montagem de suporte do telescópio.

Ouça a entrevista realizada pelo jornal da USP na série “Entender Estrelas”: https://goo.gl/V8zW1V