Notícia

Gazeta Mercantil

com.br, endereços milionários

Publicado em 13 janeiro 2000

Por Danilo Jorge e Silvio Ribas - de Belo Horizonte e São Paulo
A criação de endereços eletrônicos na Web virou um atrativo negócio e para muitos ma desagradável surpresa. A cada dia, uma avalanche de novos domínios busca registro na fundação de Amparo à pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), órgão responsável pelo cadastramento na Internet brasileira. E um número significativo está em mãos de empresas ou pessoas que passam a fazer disso um movimentado comércio. O ocupante, na maioria das vezes, vai cobrar caro para ceder o endereço virtual, criado a partir de marcas consagradas. No Brasil, está de vento em popa, no rastro da explosão da Internet nos últimos dois anos. Em 1999, por exemplo, a Fapesp recebia uma média de 5 mil pedidos de registros de novos endereços por mês - volume que já atingiu o ritmo de 14 mil neste início de ano. A previsão é que o ".br" some 300 mil até dezembro. Um dos casos polêmicos mais recente é o da Graphix Propaganda, de São Paulo, que acaba de registrar o domínio "windowsmillennium.com.br", uma referência explícita a nova versão do Windows, que a Microsoft lançará mundialmente no dia 17 de fevereiro. O novo endereço está em leilão no site "lokau.com" e já recebeu uma oferta de compra de R$ 50 mil. "O comércio de domínios não é uma atividade oficial e está longe de usar uma ética recomendável", diz Hartmut Richard Glaser, coordenador de registro da Fapesp. Um caso clássico é o da KD Sistemas, dona do mais famoso site nacional de buscas na Web, o "cade," ou "cadê?". Em 1995 os executivos da empresa tentaram o registro internacional, mas descobriram que o domínio "cade.com" pertencia à empresa Cade Consulting, de Birmingham (EUA). O endereço foi adquirido pela KD em julho de 1999. Márcio Chleba, consultor especializado em marketing digital, sugere que uma única instituição cuide do registro de marcas, patentes e sites para evitar o comércio de nomes identificados, muitas vezes, com grandes corporações empresariais. Ele lembra, por exemplo, que a Renault não pôde criar o site www.laguna.com.br "porque uma empresa gaúcha de informática já tinha registrado o domínio". A Intelig, empresa-espelho da Embratel, vive o mesmo drama. Depois de gastar R$ 40 milhões numa campanha publicitária para a escolha de seu nome, descobriu que o domínio "intelig.com.br" pertencia à Inteligência Informática, de Recife (PE), que comercializa o programa IndexA, software de atualização monetária. A operadora optou por ingressar na rede com o endereço de "intelig.net.br".