Notícia

Farmacêutico Márcio Antoniassi

Combinação de obesidade abdominal e perda de força muscular aumenta risco de queda

Publicado em 03 julho 2021

Por Marcio Antoniassi

Pesquisa da Universidade Federal de São Carlos alerta: chances de acidentes são maiores para idosos que apresentam os dois fatores.

Neste domingo, tenho o prazer de voltar a falar do ótimo trabalho realizado na Universidade Federal de São Carlos, que já foi objeto da coluna de quinta-feira, e os temas também guardam relação entre si. Pesquisadores dos departamentos de gerontologia da UFSCar e de epidemiologia e saúde pública da University College London divulgaram trabalho mostrando como a combinação de duas condições de saúde – o acúmulo de gordura na região abdominal e a perda de força muscular – reduz a velocidade da caminhada dos idosos e pode trazer riscos à mobilidade, aumentando a chance de acidentes e quedas.

A pesquisa acompanhou, por oito anos, 2.294 participantes de um estudo de envelhecimento britânico, com 60 anos ou mais, que não tinham limitação da mobilidade quando o trabalho começou. Foi conduzida pela doutoranda da UFSCar Roberta de Oliveira Máximo, sob a orientação do professor Tiago da Silva Alexandre, e conta com um financiamento de quatro anos da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Graças ao investimento, foi possível montar um laboratório de epidemiologia e envelhecimento no departamento para estudar o envelhecimento musculoesquelético e suas repercussões metabólicas, funcionais e o risco de mortalidade em pessoas com mais de 50 anos.

“Com o envelhecimento, uma mudança significativa ocorre no corpo dos indivíduos: ao mesmo tempo em que perdemos gordura subcutânea, aquela localizada embaixo da pele, apresentamos um acúmulo maior de gordura na região abdominal. Essa região central é metabolicamente mais ativa e tem maior potencial inflamatório, agravando uma situação já em curso, que é a perda de força muscular relacionada à idade, conhecida como dinapenia. Assim, quando a obesidade abdominal e a dinapenia estão presentes juntas, a condição é denominada clinicamente de obesidade abdominal dinapênica, mais prejudicial para os idosos porque acelera o declínio da velocidade de caminhada”, afirmou o orientador.

Somente nos últimos dez anos a ciência deixou de considerar o impacto isolado da obesidade e da dinapenia, o que disparou o alerta dos pesquisadores: “analisadas sinergicamente, ficou claro que as condições combinadas eram piores do que separadas”, enfatizou. Outros desfechos negativos se somam à resistência menor para caminhar, como incapacidade para realizar atividades básicas da vida diária.

Os resultados indicaram que os idosos com obesidade abdominal dinapênica tiveram um declínio na velocidade de caminhada de 15 centímetros por segundo nos oito anos de acompanhamento, enquanto aqueles não obesos abdominais e não dinapênicos tiveram um declínio inferior, de 4,8 centímetros por segundo no mesmo período. “Os 15 centímetros por segundo parecem pouco, mas podem ser capazes, por exemplo, de dificultar o cruzamento de uma rua no tempo determinado por um semáforo, uma vez que a velocidade normal de marcha de um idoso deve ser superior a 80 centímetros por segundo”, ressaltou o professor Alexandre. “É comum que idosos com lentidão apresentem mais limitações para realizar suas atividades rotineiras e fiquem cada vez mais confinados em casa, devido à insegurança para transitar por diversos espaços sob o risco de atropelamentos ou quedas”, acrescentou Roberta Máximo.

O diagnóstico de obesidade abdominal dinapênica foi considerado pela circunferência de cintura maior que 102 centímetros para homens e 88 centímetros para mulheres; e pelo teste de força de preensão manual menor que 26 quilos para homens e 16 quilos para mulheres. O mais importante é que a obesidade abdominal dinapênica é uma condição modificável, que pode ser tratada por meio do treinamento aeróbio e de ganho de força muscular.

Fonte: G1