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Jornal Dia Dia

Combinação de obesidade abdominal e perda de força muscular aceleram o declínio da velocidade de caminhada em idosos

Publicado em 18 junho 2021

Levantamento foi feito pela UFSCar, em parceria com universidade inglesa, e acompanhou mais de dois mil idosos

Pesquisa realizada no Departamento de Gerontologia (DGero) e no Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da UFSCar, em parceria com o Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da University College London (UCL), verificou que o acúmulo de gordura na região abdominal combinado à perda de força muscular reduz a velocidade de caminhada em idosos. Essa condição pode trazer riscos à segurança da mobilidade dessa população em diversas situações e à independência em suas atividades diárias.

O estudo acompanhou, por oito anos, 2.294 indivíduos participantes do English Longitudinal Study of Aging (ELSA), com 60 anos ou mais, que não tinham limitação da mobilidade quando o trabalho começou. A pesquisa foi conduzida pela doutoranda da UFSCar Roberta de Oliveira Máximo, sob orientação de Tiago da Silva Alexandre, docente do DGero, como parte de um projeto Jovem Pesquisador e outro de Doutorado, ambos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Tiago Alexandre compartilha que, com o passar dos anos, um cenário comum começa a ser notado pelos idosos: “seu corpo passa por diversas mudanças, a gordura começa a se acumular na região abdominal, seus músculos ficam mais fracos e os passos cada vez mais lentos”. O professor explica que, de fato, a gordura segue um padrão de distribuição diferente em idosos. Com o envelhecimento, ocorre uma perda da gordura subcutânea (localizada embaixo da pele) e um acúmulo maior na região abdominal. “Essa região central é mais metabolicamente ativa e tem maior potencial inflamatório, agravando uma situação já em curso, a perda de força muscular relacionada à idade conhecida como dinapenia. Assim, quando a obesidade abdominal e a dinapenia estão presentes ao mesmo tempo, a condição é denominada clinicamente de obesidade abdominal dinapênica, mais prejudicial aos idosos, o que, por sua vez, acelera o declínio da velocidade de caminhada”, complementa o orientador do estudo.

Levantamento

Os resultados da pesquisa indicaram que os idosos com obesidade abdominal dinapênica tiveram um declínio na velocidade de caminhada de 15 centímetros por segundo nos oito anos de acompanhamento, enquanto aqueles não obesos abdominais e não dinapênicos tiveram um declínio inferior, no mesmo período, de 4,8 centímetros por segundo. “Os 15 centímetros por segundo parecem pouco, mas podem ser capazes, por exemplo, de dificultar o cruzamento de uma rua no tempo determinado por um semáforo, uma vez que a velocidade normal de marcha de um idoso deve ser superior a 80 centímetros por segundo”, destaca Tiago Alexandre. “É comum que idosos com lentidão apresentem mais limitações para realizar suas atividades rotineiras e fiquem cada vez mais confinados em casa, devido à insegurança ao transitar por diversos espaços sob o risco de atropelamentos ou quedas”, pontua Roberta Máximo.

Outro ponto importante levantado pelo estudo foi que os idosos apenas dinapênicos ou apenas obesos abdominais não apresentaram um declínio da velocidade de caminhada superior àqueles nem obesos abdominais e nem dinapênicos. “Isso reforça a importância de se identificar idosos obesos abdominais dinapênicos como um grupo que precisa de rápida intervenção dado seu maior risco de ter limitação da mobilidade”, reforça Alexandre. No estudo, o diagnóstico de obesidade abdominal dinapênica foi considerado pela circunferência de cintura >102 cm para homens e >88 cm para mulheres e pelo teste de força de preensão manual

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