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Combate ao câncer: desafio é integrar áreas científicas e assistenciais

Publicado em 27 setembro 2018

“O Brasil vive uma importante transição demográfica, que acarreta também uma transição epidemiológica. Com o envelhecimento da população, o câncer tornou-se a segunda causa de morte de brasileiros. E logo será a primeira.”

Com essa consideração, Roger Chammas, professor titular de Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), iniciou a edição de setembro do Ciclo de Palestras ILP-FAPESP, que enfocou o tema “A Ciência Contra o Câncer”.

Resultado de parceria entre o Instituto do Legislativo Paulista (ILP) e a FAPESP, o ciclo é realizado mensalmente na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, com o objetivo de promover eventos de divulgação científica voltados à sociedade, legisladores, gestores públicos e outros interessados.

Além de Chammas, o evento, ocorrido em 24 de setembro, teve a participação de Maria Ignez Saito (professora da FMUSP), de Emmanuel Dias Neto (pesquisador do Centro Internacional de Pesquisas do A.C.Camargo Cancer Center) e de Daniela Baumann Cornélio, fundadora da Ziel Biosciences, empresa que conta com apoio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). A coordenação foi de Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente da FAPESP.

Em sua apresentação, Chammas desenhou um cenário da pesquisa sobre câncer no Estado de São Paulo, destacando os programas de vacinação contra o HPV; os avanços no diagnóstico por meio de biomarcadores moleculares; a utilização de novos fármacos e de cirurgias minimamente invasivas; e o desenvolvimento de terapias alvo-dirigidas.

“O Estado de São Paulo tem três grandes centros de pesquisa em câncer e grupos paulistas participam de mais de 53% dos trabalhos publicados na área. O grande desafio é aumentar a integração entre as áreas científicas e as áreas assistenciais, entre o sistema de ciência, tecnologia e inovação e o sistema único de saúde”, disse Chammas, que também é presidente do Conselho Diretor do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e membro da Coordenação de Área de Saúde da FAPESP.

Segundo os participantes do evento, essa integração é crítica para que os resultados das pesquisas de vanguarda desenvolvidas nas universidades e institutos cheguem efetivamente à população. E, quanto a isso, a mídia tem também um importante papel a desempenhar, veiculando informações criteriosas, como enfatizou Ignez Saito.

Ela falou dos sucessos e insucessos do programa de vacinação contra o HPV (vírus do papiloma humano), associado a vários tipos de câncer (colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus, boca e pescoço).

“O HPV é um vírus extremamente disseminado entre a população. E o risco de contágio por contato, durante as relações sexuais, é de 50%, principalmente em adolescentes. A vacina quadrivalente recombinante é altamente eficaz e segura no combate ao HPV. No entanto, a má informação tem prejudicado o programa de vacinação. Notícias sensacionalistas, sem qualquer fundamento científico, provocaram uma retração da população no comparecimento aos serviços de saúde para a administração da segunda dose”, disse Saito.

Os cânceres provocados por HPV estão em terceiro lugar na ordem de prevalência. A peculiaridade é que podem ser efetivamente evitados por meio da vacinação. Mas isso requer a adoção de programas de educação e de conscientização. “Não apenas para adolescentes, mas também para familiares, profissionais de saúde e população como um todo”, disse.

Via Agência FAPESP