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Combate à pandemia ensina lições para erradicação das doenças tropicais negligenciadas

Publicado em 08 fevereiro 2021

Por André Julião, da Agência FAPESP

Enquanto o mundo luta contra a pandemia de COVID-19, um conjunto de 20 doenças conhecidas há muitos anos, mas ainda sem tratamentos eficazes ou vacinas, mata até 500 mil pessoas por ano, a imensa maioria pobres. O combate às chamadas doenças tropicais negligenciadas (DTNs), que afetam uma em cada cinco pessoas, ganhou um novo plano de ação da Organização Mundial da Saúde (OMS), com metas para serem cumpridas até 2030. Além disso, como forma de engajar o público na causa, mais de 300 organizações celebraram, em 30 de janeiro, o Dia Mundial para Doenças Tropicais Negligenciadas.

A erradicação ou mesmo a diminuição dos casos dessas 20 enfermidades, que incluem leishmaniose, doença de Chagas, dengue e zika, passa necessariamente pela compreensão dos agentes infecciosos e pelo desenvolvimento de medicamentos e vacinas seguras, eficazes e acessíveis. Por isso, especialistas apontam como essencial o investimento em pesquisa e desenvolvimento.

“Hoje há mais de 1,7 bilhão de pessoas no mundo afetadas por essas doenças, que causam não apenas mortes, mas uma grande morbidade, tirando muitos anos de vida útil de quem sobrevive. O Brasil, que reúne grande parte das 20 doenças tropicais negligenciadas, é líder na América Latina em casos de doença de Chagas, leishmaniose, hanseníase, dengue e esquistossomose”, disse à Agência FAPESP Adriano Andricopulo, professor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP).

O pesquisador coordena o projeto “Descoberta de fármacos baseada na estrutura do receptor e do ligante para a Leishmaniose e a Doença de Chagas a partir de produtos naturais bioativos”, financiado pela FAPESP e pelo Medical Research Council, do Reino Unido, numa parceria com a Universidade de Dundee, na Escócia.

Andricopulo é ainda pesquisador e coordenador de transferência de tecnologia do Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar), um CEPID apoiado pela FAPESP no IFSC-USP. Atualmente, o grupo conta com dez candidatos a medicamento contra Chagas e cerca de 20 para leishmaniose.

Consórcio internacional

O CIBFar integra o consórcio formado pela USP e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para a descoberta de medicamentos contra malária e doenças negligenciadas. Financiado pela FAPESP e pelas organizações sem fins lucrativos Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi) e Medicines for Malaria Venture (MMV), o projeto faz parte do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) da FAPESP.

O objetivo do consórcio, firmado no fim de 2020, é desenvolver moléculas que possam ser candidatas a testes clínicos para leishmaniose, Chagas e malária. Esta última não faz parte da lista de 20 doenças tropicais negligenciadas da OMS, por já contar com alternativas farmacológicas e mesmo uma vacina, ainda que com uma eficácia de cerca de 30% em quatro doses (leia mais sobre o consórcio em: agencia.fapesp.br/32127/).

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