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Com sequenciador portátil, grupo monitora evolução do vírus Zika nas Américas

Publicado em 25 maio 2017

A bordo de um laboratório móvel e munido com uma tecnologia inovadora de sequenciamento genético que cabe na palma da mão, um grupo internacional de pesquisadores tem investigado a trajetória do vírus Zika desde que ele desembarcou no Brasil e começou a se espalhar pelas Américas.

De acordo com os cientistas, o objetivo do trabalho é monitorar a evolução do genoma viral – tanto para entender o que ocorreu como para prever surtos futuros e manter os métodos diagnósticos atualizados.

Os primeiros resultados do projeto ZiBRA (Zika no Brasil Análise em Tempo Real, na sigla em inglês) – apoiado pelo Ministério da Saúde, pela FAPESP e diversas outras entidades – foram divulgados nesta quarta-feira (24/05) na revista Nature.

“A combinação de dados epidemiológicos e genéticos nos permitiu perceber que houve circulação silenciosa do Zika em todas as regiões das Américas pelo menos um ano antes da primeira confirmação do vírus, em maio de 2015”, disse Nuno Faria, pesquisador do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e primeiro autor do artigo.

Segundo Faria, o Zika teria sido introduzido no Nordeste brasileiro em fevereiro de 2014. Nesse ano, é provável que tenha havido alguma transmissão pela região, mas não muito acentuada.

“O grande surto aconteceu muito provavelmente em 2015, simultaneamente ao de dengue. Do Nordeste, o Zika teria se espalhado para a região Sudeste do Brasil [Rio de Janeiro, inicialmente] e também para o Caribe e outros países da América do Sul e Central, chegando à Flórida”, disse.

As conclusões se baseiam na análise de 254 genomas completos do patógeno – 54 dos quais sequenciados para este estudo. A maior parte desses novos dados genéticos foi obtida com um sequenciador portátil conhecido como MinION, da Oxford Nanopore Technologies, que pesa menos de 100 gramas.

Agência Fapesp