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Com scanner, brasileiros criam 'impressão digital' de obras

Publicado em 19 janeiro 2008

Pesquisadores brasileiros criaram uma técnica, baseada no uso de um scanner da área médica, que vem sendo considerada promissora na identificação de falsas obras de arte. Esse método, que comprova a autenticidade da pintura após a análise da imagem magnética das tintas (a óleo ou acrílica), é resultado de uma parceria entre pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e da Universidade de Utah, nos EUA.

Segundo a agência Fapesp, essa técnica deve ser usada na prevenção de furtos e roubos -- sua autenticidade só poderá ser comprovada caso a tela já tenha sido analisada previamente. Isso porque os pesquisadores utilizam as partículas ferromagnéticas, que dão magnetismos distintos às pinturas, para tirar uma espécie de "impressão digital" do quadro. É justamente essa imagem magnética única que compara e confirma a "identidade" de cada peça.

Para criar essa imagem, os pesquisadores usaram um scanner especial que, na área médica, mede o campo magnético gerado pela atividade elétrica do coração. Trata-se do Squid (Superconductor Quantum Interference Device, na sigla em inglês). Antes de escanear a obra, é necessário magnetizá-la de maneira uniforme, para que o equipamento possa coletar as informações.

Após o Squid capturar as imagens magnetizadas, programas de computador produzem um mapa colorido do material analisado. Os sinais magnéticos das obras mudam de acordo com o tipo das pinceladas, marca, tonalidade e quantidade das tintas usadas, afirma a Agência Fapesp. "Mesmo que as reproduções e pinturas originais tenham exatamente os mesmos pigmentos, elas geram uma imagem magnética diferente", afirmou à agência Paulo Costa Ribeiro, professor do Departamento de Física da PUC-RJ e coordenador do trabalho.

De acordo com o professor, a técnica pode ser usada por colecionadores e museus na prevenção de roubos. Quando uma tela já analisada for recuperada, explica, será possível comprovar se ela é verdadeira. Ribeiro também acredita que o método possa ser incluído nos testes exigidos por empresas de seguro, no caso do ressarcimento de roubos e furtos. Atualmente, os pesquisadores estão em busca de parceria com museus e galerias de arte.

A técnica divulgada no Brasil pela Agência Fapesp foi descrita no "Journal of Applied Physics".