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Com química do dia a dia e história, Unicamp tem 2º dia de provas difícil, dizem professores

Publicado em 11 janeiro 2010

O segundo dia de provas da segunda fase do vestibular 2010 da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) trouxe exames de química e de história com grande nível de dificuldade para os vestibulandos, segundo os professores consultados pelo UOL Vestibular. Confira a opinião dos docentes.

Química

Para o professor Édison Camargo, do Etapa, a banca examinadora conseguiu fazer a prova que muitos vestibulares desejavam: utilizando a química do cotidiano. "Abordaram desde astronomia, reciclagem de lâmpada até creme contra rugas. Mas 75% da prova estava difícil e 25%, fácil. É uma prova trabalhosa, porque a realidade é complicada", avalia.

De acordo com o professor Alessandro Nery, do curso Objetivo, as perguntas exigiam muito raciocínio e estavam formuladas numa linguagem um pouco diferente da utilizada normalmente nas provas, comechos de matérias da revista da Fapesp, publicação de divulgação científica. "Considerando que era uma prova para todas as carreiras, estava difícil", explica.

Foram cobrados assuntos como biodiesel, polimerização da borracha, absorção de carbono pelo solo, radioatividade, conversão de energia e degradação de vidro, dentre outros.

Nery aponta ainda que o item "B" da questão quatro era confuso, pois dava margem a até duas respostas. Era pedido que se considerasse uma atmosfera rica em CO2 - segundo o docente, isso poderia ser interpretado de duas formas: como uma concentração mais alta do que a normal ou uma concentração extremamente alta. "No primeiro caso, o resultado da precipitação seria carbonato de sódio; já no segundo, seria bicarbonato de sódio", explica.

Já Marcio Novaes, do Cursinho da Poli, tem uma opinião dissonante. "Não estava difícil e os alunos não devem ter tido problema com o tempo. Havia itens em que a resposta estava na própria questão", diz.

História

As questões de história, segundo o professor do Etapa António Carlos da Costa Ramos, podiam ser consideradas de dificuldade média, se descartado o fator tempo.

"Houve um excesso. Se o vestibulando tivesse um tempo enorme, faria a prova tranquilamente", disse. Sobre a reclamação de candidatos sobre as questões sobre a China e o Haiti, o professor discordou: "A pergunta mais difícil era a 17."

O professor José Carlos Pires de Moura, do Anglo, concorda com essa ponderação. "Na questão 17, o aluno teria de conhecer o sistema de ventos e correntes e como isso influencia na navegação a vela. Já no item "b", teria de dizer que os fatores geográficos não têm a ver com os bandeirantes. Mas poucos teriam coragem de peitar a banca", afirma.

Para Lukas Kodama, professor de história geral do Anglo, o nível de dificuldade das questões foi mediano, mas ele considera que o tempo pode ter sido o maior obstáculo. No primeiro dia de provas da segunda fase, o tempo também foi uma reclamação

É o mesmo que diz Daily de Matos Oliveira, do curso Objetivo. Ele explica que, na maioria das questões, os itens "a" pediam apenas a interpretação do enunciado, enquanto os itens "b" pediam um aprofundamento do tema. "Foi uma prova complicadinha, fiquei com dó dos estudantes", diz.

Dentre os "complicadores" da prova estão a cobrança de conhecimentos sobre colonização portuguesa no oriente e sobre Revolução Cultural da China, que não são dos assuntos mais comuns cobrados grandes vestibulares; e o tempo, que foi pouco, segundo Oliveira. "Todas as perguntas exigiram mais habilidade de redação para elencar muitos itens num espaço curto", explica.