Notícia

Gazeta do Povo

Com que fator eu vou?

Publicado em 09 janeiro 2008

Para garantir uma pele saudável, livre de queimaduras, do envelhecimento e do câncer de pele basta o uso do protetor solar, certo? Nem sempre. Especialistas afirmam que, o uso incorreto do filtro pode ser tão perigoso quanto simplesmente não utilizá-lo.       

De acordo com o professor de Dermatologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e médico do Hospital de Clínicas, Jesus Santa-maria, o primeiro item a observar é se o filtro protege contra os raios UVB e também contra os UVA. "Alguns só filtram o UVB, responsável por deixar a pele vermelha. Assim, a pessoa acaba ficando até mais tempo no sol e, durante este período, absorve a radiação UVA, que também é prejudicial", afirma.

O fator de proteção solar (FPS) também é importante, segundo o chefe .de Dermatologia da Santa Casa, Luis Carlos Pereira, e a pessoa deve levar em conta o tipo de pele que possui na hora de escolher esse fator. Ele age da seguinte forma: um filtro com FPS 15 aumenta em 15 vezes o tempo que a pessoa pode ficar no sol sem que se queime. Então, se a pessoa pode ficar cinco minutos sem qualquer proteção — levando-se em conta seu fototipo —, com o filtro FPS 15, poderá permanecer uma hora e quinze minutos. "O mínimo a ser usa do é o 15, independentemente da pessoa e do horário. O ideal, mesmo, é que seja o 30", aconselha Pereira.

Mas para que a proteção anunciada na embalagem seja garantida, são necessários alguns cuidados na hora da aplicação. O primeiro é quanto ao momento certo de aplicar. A professora de Dermatologia da Faculdade Evangélica do Paraná (Fepar), Anelise Budel, fala que ele deve ser passado antes de a pessoa se expor ao sol. "O ideal é que passe em casa, de preferência antes de colocar a roupa, para que nenhum lugar seja esquecido. Assim, quando sair, a pessoa já estará protegi da", garante. Em relação à quantidade, nada de economia: para que tenha o efeito desejado, uma boa camada do filtro deve ser aplicada. "Para cada adulto, são necessários, em média, 30 mililitros por dia", fala Santamaria.

A dose pode parecer excessiva para um único dia, mas leva em consideração a reaplicação do pro duto, essencial, de acordo com os especialistas, para o sucesso da proteção. "A cada duas horas, o filtro deve ser reaplicado. Caso a pessoa sue muito ou fique muito tempo na água, a reaplicação deve ser feita até mesmo antes", defende Anelise. Ela diz, ainda, que os lábios não podem ser esquecidos. "Protetor labial não é batom, deve ser usado por toda a família, independentemente da idade ou sexo."

E, mesmo com todos esses cuida dos — que não devem ser restritos à praia nem ao verão —, Santamaria lembra que o filtro deve ser usado como aliado, e não como inimigo. "Não é porque a pessoa está com o filtro que poderá passar o dia todo embaixo do sol. Mesmo não havendo eritema (vermelhidão), não significa que não haverá danos à pele. O horário de pico, entre 10 e 16 horas, ainda deve, se possível, ser evitado", afirma o médico.

Adesivo protetor em teste

Imagine um produto que indicasse se a pele está, de fato, bem protegida... Pois esse produto — um adesivo hipoalergênico com cerca de um centímetro quadrado — já está em fase de testes e deve ser lançado em breve no mercado.

"É uma espécie de figurinha autocolante, cujo desenho muda de cor conforme a exposição aos raios ultravioletas. Isso indica se o protetor está realmente protegendo ou não, e se deve ser reaplica do", explica o autor da invenção, Fábio Monaro Engelmann, doutor em Química pela Universidade de São Paulo (USP). O adesivo leva em consideração o fototipo da pele (ver tabela nesta página) e perde o desenho totalmente assim que a dose eritematose diária — dose mínima para que a pele fique avermelhada — é atingida. De acordo com ele, o uso não é garantia absoluta de que a pessoa não desenvolverá câncer de pele, mas como a doença está ligada à falta de cuidado, as chances diminuem. "Ele Lembra à pessoa que ela deve reaplicar o filtro", fala.

Engelmann acredita que o adesivo — cujo projeto foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) — estará nas prateleiras antes do carnaval. O modo de comercialização e o preço não foram definidos, mas se estima que a cartela com seis unidades deva custar em torno de 5 reais.