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Com pesquisadores da UFPR, estudo aponta mudanças na teoria da primeira espécie humana migratória

Publicado em 10 outubro 2019

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná descobriram materiais históricos que podem mudar a teoria da migração da primeira espécie humana. Pesquisas feitas na Jordânia, no Oriente Médio, entre 2013 e 2015, indicam que a primeira espécie do gênero Homo a deixar o continente africano pode ter sido a Homo habilis, há cerca de 2,4 milhões.

A pesquisa mudaria a teoria atual de que o primeiro hominídeo a migrar da África foi o Homo erectus, entre 2 milhões e 1 milhão e oitocentos mil anos atrás. O estudo foi publicado na revista Quarternary Science Reviews e vai ser detalhado em uma palestra, hoje (10), com o professor Fabio Parenti, integrante da equipe de pesquisadores.

Segundo ele, durante escavações em um sítio arqueológico no Vale do Rio Zarga, na Jordânia, os cientistas encontraram ferramentas de pedra lascada, que teriam sido fabricadas pelo Homo habilis.

As pesquisas começaram na década de 1980, com estudiosos da França. Parenti seguiu as investigações nos anos 1990 e desde que chegou ao Brasil, em 2011, buscou formas de continuar o trabalho. Com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e de uma instituição americana, três ciclos de missões foram feitos na região, em 2013, 2014 e 2015.

O professor destaca, no entanto, que os estudos ainda precisam ser aprofundados.

Uma nova missão está marcada para 2020, que inclui uma viagem técnica para um trabalho de sedimentologia, que é o estudo da formação geológica dos sítios arqueológicos, e outra com escavações. Mas na avaliação do professor, as descobertas não dependem apenas das capacidades técnicas dos pesquisadores.

Além do professor Parenti, outros três acadêmicos do Brasil integram o grupo de pesquisa: Walter Neves – especialista em evolução humana, famoso pela descoberta do fóssil Luiza, em Minas Gerais, o geólogo Giancarlo Scardia, da Universidade Estadual Paulista (Unesp – Rio Claro), e o geoarqueólogo Astolfo Araújo, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Há ainda colaboradores nos Estados Unidos e na Alemanha, que contribuíram com parte das análises.

Reportagem: Ana Flavia Silva

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