Notícia

Pequenas Empresas & Grandes Negócios

Com outros olhos

Publicado em 01 junho 2011

ESTAS CINCO EMPRESAS APRENDERAM QUE VÁRIAS CABEÇAS SEMPRE PENSAM MELHOR QUE UMA. COM AJUDA DE IMPORTANTES ALIADOS, AGORA NÃO PARAM DE CRESCER

O que seria o fim para muitos, para o gaúcho Geraldo Rodrigues Neto, 54 anos, foi um novo começo. Vítima de deficiência visual progressiva, ele ficou cego há 11 anos e, por preconceito, foi demitido da empresa multinacional em que atuava como vice-presidente. Sem se deixar abater, decidiu usar sua experiência para montar uma agência de publicidade, a Soul AD. Criada em 2004, em São Paulo, a empresa tem 11 funcionários, já conquistou 123 prêmios, nacionais e internacionais, e obteve um faturamento de R$ 5 milhões em 2010.

Para manter o crescimento do negócio, Rodrigues Neto decidiu mudar seu modelo de gestão e adotar o conceito de hotshop - escritórios com estruturas enxutas e focadas na otimização dos talentos. "A ideia era formar uma agência compacta, com profissionais autossuficientes, que pudessem tomar decisões sem passar por mim", explica o empresário. No começo, ele assume que foi difícil sair da zona de conforto para tentar inovar. "Apostar no novo é como pular de um paraquedas sem saber se ele vai abrir", diz. Mas os resultados comprovam que o risco valeu a pena: "Os funcionários são poucos, mas muito competentes e motivados"

APOSTA NO ESOTERISMO

Criada apenas com o dinheiro do fundo de garantia de seus sócios, a Feitiços Aromáticos aposta em produtos naturais, esotéricos e eróticos, e já começa a conquistar mercado no exterior

A química Raquel Cruz, 42 anos, e Robério Viana, 46 anos, formado em turismo, sonhavam com um negócio próprio. Como os dois se interessavam por aromaterapia, tiveram a ideia de criar colônias inspiradas nesse conceito. O investimento inicial para montar a Feitiços Aromáticos veio do Fundo de Garantia dos dois. "Investimos cerca de R$ 50 mil para começar o negócio", conta a empresária, para quem o apoio do Sebrae foi fundamental. "Eles nos ajudaram a formatar a empresa", diz. Para fazê-la crescer, Raquel sentiu necessidade de se capacitar. "Estudei química e cosmetologia", afirma. Fundado em 2002, o negócio tem hoje 15 funcionários e uma meta de crescimento de 10% ao ano. Desenvolvendo linhas específicas - esotéricas e eróticas -, a empresa foge da concorrência das gigantes do setor de cosméticos. "Temos dois mil clientes lojistas em todo o país, além da loja virtual", diz Raquel. A empresa também exporta para Portugal, Espanha, Angola e Colômbia.

PARA CRIAR UMA CULTURA INOVADORA

INSPIRE E MOTIVE

"Se você coloca profissionais criativos em um ambiente não-criativo, eles vão embora", diz Scott Erker, da consultoria Development Dlmensions International. Inspire com o trabalho. Mantenha seus colaboradores ocupados e, estabelecendo limites, deixe que trabalhem à sua maneira.

RECOMPENSE

Mentes criativas precisam de cuidados, atenção e bom ambiente de trabalho. Recompense também com dinheiro, quando a inovação trazida pelo profissional render bons resultados para a empresa.

CRIE UM AMBIENTE FELIZ

Um estudo da Harvard Business School mostra que as pessoas que trabalham em projetos criativos se sentem menos produtivas quando estão com raiva, com medo ou ansiosas.

MODA SUSTENTÁVEL

Sucesso no Fashion Rio e pronta para abrir sua primeira loja em São Paulo, a Natural Colors, da Paraíba, aposta em uma matéria-prima diferente e reúne pequenas empresas de moda

Com pouco dinheiro e boas ideias, a psicóloga e engenheira Francisca Vieira, 46 anos, transformou a história da confecção que leva seu nome. Criada em 199S, a empresa, de João Pessoa (PB), fazia roupas de algodão e linhão, mas sofria com a concorrência. "Para continuar trabalhando com matéria-prima nobre, era preciso mudar", diz Francisca, que teve a ideia de usar o algodão que nasce colorido. A planta já existia na natureza, mas foi aperfeiçoada pela Embrapa no início dos anos 2000 para uso industrial.

"Nossa aposta veio no momento em que se acentuou a preocupação com o meio ambiente" diz ela. Quem adota o algodão colorido não precisa usar corantes sintéticos e economiza água e energia. Francisca inovou ainda no modelo de negócio, propondo a empresas que também atuavam na linha ecológica que se unissem a ela para ganhar força no mercado. Surgiu a Natural Cotton Colors, formada por oito empresas, cada uma em um segmento da moda. Depois da fusão, as vendas aumentaram cerca de 30%.

SOFTWARE MADE IN BRAZIL

O engenheiro Marcos César Bassi contou com a ajuda do sócio-investidor Carlos Eduardo Correa da Fonseca para montar o Grupo HDI, que desenvolve ferramentas exclusivas de automação

Fundado em 1990 para atuar no segmento de desenvolvimento de softwares, o Grupo HDI, de São Paulo, ganhou novos rumos e trabalha hoje com Certificação de Qualidade de Sistemas. Segundo os fabricantes, a empresa tem como grande diferencial sua exclusiva ferramenta de Alta Automação chamada STARC (Sistema de Teste Automatizado por Reutilização de Código), que permite realizar testes com cobertura maior, mais produtividade e menos recursos.

Para criar o negócio, o engenheiro eletrônico Marcos César Bassi, dono da ideia, contou com a entrada de um sócio-investidor de peso: Carlos Eduardo Correa da Fonseca, fundador do Grupo Itautec e da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), ex-CEO do Banco Itaú, Banco Real e ABN AMRO. Hoje, bem estruturada, com 100 funcionários e faturamento de R$ 12 milhões em 2010, a empresa atende clientes no Brasil, no Chile, na Colômbia, em Portugal e no México. Seu próximo passo será na Espanha, onde já tem uma empresa aberta e planeja operar a partir do segundo semestre de 2012.

A trajetória do Grupo HDI teve como base a inovação. Para ganhar competitividade em um mercado tão dinâmico quanto o de TI, a empresa tratou de se manter à frente, registrando as patentes de dois produtos — outras quatro estão em andamento, segundo os sócios.

SAÚDE EM PRIMEIRO LUGAR

Nascida dentro de uma incubadora e com apoio de financiadoras públicas, a Innovatech, criada por Spero Penha Morato, desenvolve artigos hospitalares que antes só existiam fora do Brasil e pode reduzir o preço dos produtos

Com a inovação no nome e no DNA, a empresa pernambucana Innovatech nasceu dentro do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), em 2005, e desenvolveu o Cronus, primeiro stent coronário 100% nacional, para tratamento de pacientes com estreitamento das artérias. O projeto só foi possível porque um dos sócios da empresa, o físico Spero Penha Morato, 67 anos, criara antes, também na incubadora, a Lasertools, fabricante do laser que corta a malha de liga metálica do stent. Custando entre 10% e 30% menos do que os importados, o Cronus deve provocar a queda de preço no país. Para começar o negócio, Spero Morato c seu sócio, José Paulo Andrade Cerqueira, tiveram o apoio de agências públicas de fomento - R$ 300 mil da Fapesp e R$ 530 mil da Finep. "É preciso ter um bom projeto, com objetivos claros e metas mensuráveis para conquistar o auxílio desses programas", diz Morato. Os sócios fizeram um investimento inicial de cerca de R$ 600 mil. Em 2010, a empresa faturou R$ 500 mil e seu potencial de crescimento é grande. O Brasil consome hoje cerca de 120 mil stents por ano e a Innovatech tem capacidade para produzir 600 unidades por mês.

PARA CONTRATAR OS MELHORES

1. DECIDA QUE TIPO DE CRIATIVIDADE É IMPORTANTE

Recrutar bem é fundamental. "É preciso focar na criatividade específica que vai favorecer o seu tipo de negócio", diz o consultor Scott Erker.

USE A REDE PARA BUSCAR AS MELHORES CABEÇAS Para atrair gente criativa, é preciso apresentar sua empresa de forma atraente. Aprenda a usar o YouTube, o Facebook e o Twitter para encontrar funcionários.

TESTE CANDIDATOS

É importante que, na entrevista, o candidato revele suas habilidades e experiências. Quando se trata de cargos criativos, é fundamental tentar saber como o profissional já lidou com situações difíceis.