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Com novo presidente, Fapesp foca em pesquisa básica e ambiente

Publicado em 28 setembro 2007

O debate é recorrente: ciência básica ou aplicada? Na quarta-feira (26), na posse do jurista Celso Lafer, 66, como o novo presidente da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, o governador de São Paulo, José Serra, pendeu levemente para um dos lados.

"Como o próprio Celso Lafer sublinhou no discurso (de posse) dele, lembrando Pasteur, não existe ciência aplicada, existe aplicação da ciência", afirmou Serra durante entrevista coletiva.

Muito antes que as recentes parcerias fechadas entre a própria Fapesp com a iniciativa privada sejam colocadas em xeque, tanto Lafer, quanto Serra, descartaram qualquer tipo de conflito entre a teoria e a prática. A fundação tem alguns programas que miram laboratórios privados em vez de públicos, como é o caso do que estimula a inovação tecnológica.

"A pesquisa aplicada é a aplicação da pesquisa básica. É natural que a pesquisa básica tenha esse desdobramento. Ênfase na pesquisa básica, mas na aplicação da pesquisa básica também, que é fundamental."

Segundo Serra, a Fapesp não vai deixar, e nem deve, de fazer pesquisa aplicada. "O desafio é a gente ir aprimorando esses dois campos", disse o governador, que em determinado momento cometeu um lapso que era recorrente nas primeiras décadas da Fapesp. Serra chamou a instituição de Sabesp.

"A Fapesp é uma instituição que contraria uma lei do serviço público: com a idade (a instituição tem 45 anos) ela tem melhorado", disse Serra.

No clima da cana - O jurista Celso Lafer, que substitui o poeta e lingüista Carlos Vogt, atual secretário de Ensino Superior do Estado de São Paulo, não hesitou quando questionado sobre a prioridade que será dada às pesquisas sobre etanol: "Já temos apoiado a pesquisa nessa área tanto na universidade quanto na empresa", disse o novo presidente da Fapesp. "Um dos temas importantes também será o do meio ambiente", comentou Lafer.

Mas a primeira grande novidade do mandato, tudo indica, deve ser um programa especial para pesquisas sobre mudanças climáticas. A Fapesp e o MCT - Ministério da Ciência e Tecnologia articulam planos separados, mas que terão alguns pontos de conexão, sobre o tema. Ambos devem ficar prontos em breve.

Lafer, da Fapesp, corrobora a importância do tema. "Considero a mudança climática, que está ligada à questão da matriz energética, como sendo um tema muito importante. É um assunto que nós vamos examinar daqui para frente", afirmou.

Para dar a ênfase pedida por Serra, e enfrentar a complexidade pós-moderna como quer Lafer, a Fapesp terá, em 2008, R$ 517 milhões (1% da receita líquida do Estado). A pesquisa básica hoje recebe 55% do total de recursos anuais da Fapesp. (Folha Online)