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Gazeta Mercantil

Com novo comando, CIEE prepara futuro

Publicado em 16 abril 2009

O advogado tributarista, com especialização em administração de empresas, ex-presidente de diferentes entidades representativas, jornalista e homem de comunicação Ruy Martins Altenfelder Silva, que se define como um "generalista", lidera hoje, pela primeira vez, a reunião do conselho de administração do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), pensando em objetivos estratégicos para o futuro da entidade e dos milhares de jovens que auxilia no mercado de trabalho.

Ruy Altenfelder foi eleito por unanimidade presidente do conselho, cargo que exercerá como voluntário por três anos (2009-2011). Além de manter, intensificar e desenvolver estágios, com assistência aos estudantes e aos aprendizes, educação à distância e outros programas de apoio, a gestão de Altenfelder no CIEE implantará ações estratégicas para os próximos anos.

"Por isso, contratamos os serviços da Fundação Dom Cabral para formularmos ações para o futuro da entidade, que garantam seu desenvolvimento com alta qualidade. A partir desse estudo, vamos estabelecer medidas concretas de trabalho. Seremos vitoriosos, se conseguirmos implantá-las na minha gestão", afirma Altenfelder, que atribui sua eleição por unanimidade à grande aprovação da administração do professor Paulo Nathanael Pereira de Souza, a quem sucede.

Presidente do Centro de Estudos Avançados e Estratégicos da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), ex-secretário estadual de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo, o novo presidente do CIEE Nacional ressalta que a organização pratica, efetivamente, a governança corporativa, com intensa participação de seus conselheiros. O presidente-executivo é Luiz Gonzaga Bertelli.

"Vamos aperfeiçoar as atividades onde já atuamos. É nossa preocupação superar, no caso de queda de oferta de estágios, o impacto da crise financeira global que atinge a todo mundo. Continuaremos com todas nossas ações, a exemplo dos programas dedicados aos aprendizes, ávidos por ingressar no mercado de trabalho e por assumir responsabilidades. Exemplo disso é a nossa Feira do Estudante, que será realizada no final deste mês, e que já conta com 70 mil inscritos".

Altenfelder considera o sistema educacional brasileiro muito burocratizado e lembra idéias do professor Paulo Nathanael. "O Brasil precisa incentivar e priorizar os ensinos fundamental e médio, além de considerar que educação é questão de Estado, não de governo. É preciso inverter a atual pirâmide, que privilegia o ensino superior. Faz bem o ministro Fernando Haddad, da Educação, que tem procurado desenvolver políticas públicas nesse sentido".

Segundo o dirigente do CIEE, a entidade tem muita contribuição a dar e incentivará, ainda mais, políticas nessa área. "Vamos continuar intensificando, com democracia e independência, nosso relacionamento com universidades, casas legislativas, poderes constituídos. Queremos estar em perfeita sintonia com toda a sociedade". Para Altenfelder, existem muitas carências no desenvolvimento científico e tecnológico do país.

"Precisamos investir em inovação tecnológica, adotando um modelo de gestão como o da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que deveria ser olhado e copiado em todo Brasil. A inovação, como mostram países como a Coréia e a Índia, é fundamental para nosso desenvolvimento econômico". O novo presidente do Conselho de Administração do CIEE nacional, que participa voluntariamente da administração da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, fez carreira de 35 anos no Grupo Santista (atual Bunge), de onde destaca o lema "no ser humano, a razão de tudo". Participou intensamente da Fundação Moinho Santista - hoje é o curador do Prêmio Fundação Bunge.

Foi diretor-tesoureiro, voluntário, do sistema Fiesp/Ciesp, onde presidiu por 15 anos a Fundação Roberto Simonsen. Exerceu também a presidência de entidades como a Associação Nacional de Difusão de Adubos, o Instituto Brasileiro do Fosfato e a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial. Altenfelder é ainda presidente da Academia Paulista de Letras Jurídicas e dirige e apresenta, semanalmente, o programa "Diálogo Nacional", veiculado há 11 anos em canais de televisão fechados.

"No início, era praticamente um passatempo, mas observava que, na Fiesp, realizávamos alguns eventos para pequenas audiências, que seriam importantes para um público maior, os formadores de opinião, desde a dona de casa até os estudantes, empresários e políticos. O programa, que tem compacto na internet, é visto e recebe sugestões de telespectadores de todo o país, da África do Sul, de Portugal e da Espanha, entre outros lugares". A importância da comunicação é outro tema que atrai atenção especial do presidente do conselho de administração do CIEE, que escreve artigos sobre o tema. "Nos regimes democráticos e na economia globalizada, a comunicação é estratégica e fundamental para o sucesso das organizações públicas e privadas, bem como na vida pessoal. Comunicação é ciência. Tem princípios e contornos próprios. Quem não diz claramente o que é, permite que pensem o que não é". Na sua opinião, a comunicação é tão estratégica como outros setores importantes de uma empresa ou organização.

"Sua qualidade fundamental é a ética; não pode torcer a verdade". Ruy Altenfelder destaca, por fim, a relevância do trabalho voluntário e a força da família na sociedade. "A prática do voluntariado, nas possibilidades de cada um, é essencial. Considero-me um privilegiado - e somos devedores de tudo o que a gente recebe em vida. Considero também que todos devem se nortear por princípios e que a pátria é a família amplificada. Sou casado há quase 50 anos, tenho quatro filhos, oito netos e dois bisnetos. Para mim, o lar é realmente o local onde você recebe e transmite energia".

Estagiários

O CIEE, aos 45 anos, já encaminhou mais de 8 milhões de jovens para a realização de estágios em empresas - 60% deles foram, depois, contratados com registro pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Organização mantida pelo empresariado, o CIEE tem como objetivo encontrar, para os estudantes de nível médio, técnico e superior uma oportunidade de estágio que os auxiliem a colocar em prática tudo o que aprenderam na teoria. A entidade conta com 27 cursos de educação à distância, a exemplo dos voltados ao atendimento ao cliente e introdução a projetos.

Atualmente, mais de 300 mil jovens estudantes recebem bolsas-auxílio do CIEE em todo o País, além de 15 mil aprendizes, beneficiados por contratação compulsória de empresas, conforme legislação regulamentada em setembro pelo governo Lula (11.788/2008). Só no ano passado, o CIEE registrou expansão de 45,5% nos programas de aprendizagem que administra. O Aprendiz Legal, realizado em parceria com a Fundação Roberto Marinho, é adotado hoje por aproximadamente 3,7 mil empresas do País. Seu programa, apoiado pela Petrobras, é acessível também a portadores de deficiência visual e auditiva.

O CIEE, com 250 unidades de operação no Brasil e parceria com milhares de empresas, é responsável pelo cadastramento, seleção, recrutamento, formação teórica e certificação dos aprendizes. A organização, presente em todo o País, tem oito unidades estaduais autônomas, que devem praticar a filosofia, as políticas e as diretrizes institucionais estabelecidas pelo CIEE nacional.

Ruy Altenfelder, sucede o professor Paulo Nathanael Pereira de Souza. Foram eleitos também os vice-presidentes Antonio Penteado Mendonça, Wálter Faganiello Maierovitch, Antonio Jacinto Caleiro Palma e os conselheiros Hermann Wever, José Augusto Minarelli e Orlando de Almeida Filho.