Notícia

Folha de S. Paulo - Vale (São José dos Campos)

Com medo de voar

Publicado em 26 março 2005

Por Víctor Hugo Durán, de Santiago, da Agência Fapesp

"Não devemos ter medo de viajar. O impacto das viagens é muito bom, sobretudo no aspecto psicológico, porque as pessoas passam a dormir melhor e se sentem mais dispostas. Há muito tempo se diz que as pessoas devem viajar quando ficam estressadas ou deprimidas", comenta Marín. Rebeca confirma o que o médico diz. A primeira vez que ela viajou de avião foi dois anos atrás. "Foi novidade para mim. Fomos a Arica, tivemos que ir de avião, e eu nunca havia viajado de avião, pois tinha medo. Fui com meu companheiro. Foi uma experiência nova, compartilhada com pessoas de vários lugares", conta.
Viajar, quebrar a rotina, confraternizar-se com outras pessoas, tudo isso implica esforços mentais e de renovação. As pessoas passam a fazer parte de um grupo e a se enturmarem, ressalta Marín. "Aqueles que sofrem de dores articulares se vêem livres desses problemas quando viajam, enquanto outros melhoram da incontinência, não sabemos por quê. Já a memória melhora porque as pessoas se distraem, combatem o estresse, se concentram e aprendem coisas novas como nomes, lugares, datas e horários", afirma.
Um dos desafios pendentes é saber se esses resultados são duradouros ou desaparecem com o tempo. O único indicador de que Marín dispõe é aquele que é medido quando os idosos retornam das viagens: dão dicas de viagens aos amigos ou voltam a viajar. Quer dizer, as viagens lhes fazem bem e, por isso, querem continuar viajando. (Víctor Hugo Durán, de Santiago, da Agência Fapesp)