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Com matemática, projeto prevê fim de equipamentos contra covid em hospitais

Publicado em 23 junho 2020

Por Marcos Candido

Uma iniciativa de pesquisadores pode ajudar hospitais a não ficarem sem produtos de higiene durante a pandemia do novo coronavírus. Um programa elaborado pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) ajuda a "prever" quando é preciso reforçar o estoque de EPI de acordo com os índices da doença na região do hospital. O acesso à ferramenta é aberto e gratuito.

O sistema matemático impede que hospitais não desperdicem investimentos. O programa utiliza a taxa de hospitalização da doença no estado em tempo real e o número de leitos disponíveis para definir quantos profissionais, máscaras, aventais devem ser escalados e comprados. Também é possível saber quando o estoque está próximo do fim. Assim, diminui-se a chance de um hospital comprar um monte de recursos e deixar um outro sem, por exemplo.

Projetos assim têm sido possíveis por meio da união de empresas, universidades e entidades públicas para buscar soluções durante a pandemia do novo coronavírus.

Desta vez o programa foi criado pelo centro de pesquisa no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), em São Carlos. O departamento recebe investimento público Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Do outro lado do projeto está a Bionexo, desenvolvedora de soluções digitais para a gestão de saúde no Brasil e na América Latina.

Pelo esforço coletivo foi possível, inclusive, driblar a mudança na divulgação dos dados da Covid-19 pelo governo federal. "Como utilizamos dados estaduais, então não, isso não nos afetou, porque os Estados continuaram a soltar os boletins diariamente", explica o professor Francisco Louzada Neto, professor do ICMC-USP.

A ideia foi desenvolvida após o seminário on-line "Focusing maths of Covid-19 on South America" realizada pela Fapesp no início de junho. Um hospital pediátrico já aderiu e, segundo professor, há interesse de outras instituições.

Em abril, a mesma instituição produziu um sistema para acompanhar a progressão da doença em tempo real nos municípios do estado de São Paulo e um sistema que calcula o nível de isolamento necessário em cada cidade de acordo com o número de casos confirmados.