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USP - Universidade de São Paulo

Com mais pós-doutorados no país, USP estimula continuidade da pesquisas

Publicado em 06 abril 2009

Por Tiago Ribas

O que fazer quando se atinge um dos degraus mais altos da hierarquia acadêmica? Essa dúvida paira na cabeça de muitos pesquisadores que atingem o grau de doutor em suas áreas. A chance de desenvolver pesquisas e participar da vida acadêmica de uma universidade acaba atraindo muitos recém-doutores a optar pelo caminho do pós-doutorado.

Foi o caso de Fernando Gibran. Formado em Ciências Biológicas pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, Fernando fez mestrado e doutorado na área de Biologia Comparada (Ecologia) na FFCLRP, concluindo seu doutorado em 2004. "Desde a graduação quero ser docente, então após o doutorado prestei concursos para faculdades públicas, mas acabei não passando. Como não queria ficar parado, vi no pós-doutorado uma forma de me manter ativo, pesquisando e estudando mais na minha área". Fernando começou em 2005 seu pós-doutorado no Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da USP e concluiu sua pesquisa em 2008.

Ele vê seu período de pós-doutorado como um grande "amadurecimento profissional". "Aprendi a fazer um projeto de pesquisa. Tive possibilidade de participar de congressos nacionais e internacionais, além de fazer contato com outros pesquisadores. O pós-doutorado foi fundamental para meu amadurecimento como pesquisador e para me manter ativo pesquisando”, afirma.

Pesquisando na USP

“A USP tem o maior contingente de pós-doutorandos do país e isso aponta para a relevância desse programa no desenvolvimento e crescimento de sua produção científica”. A afirmação é da professora Belmira Bueno, presidente da Comissão de Pós-doutorado da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP. Segundo um levantamento da Comissão de Pós-doutorado, em março de 2009 a USP contava com 716 pós-doutorandos, que se distribuíam por todas as áreas e unidades e em todos os campi. “Há áreas que têm maior tradição no pós-doutorado e, portanto, têm mais pós-doutorandos; outras começaram mais recentemente a ter interesse pelo pós-doutoramento”, ressalva Belmira.

Segundo Belmira, a Universidade estimula os pós-doutorados e busca, cada vez mais, aumentar sua realização. “Existe uma relação entre o número de pós-doutorandos de uma dada universidade e sua posição no ranking mundial das mais produtivas. Em algumas áreas, pode-se até mesmo falar do papel central do pós-doutorando na dinâmica e na vitalidade de sua produção científica. Disso decorre a atenção que a USP tem dado a esse programa, buscando estimular sua ampliação e dotá-lo de condições cada vez melhores para sua execução”, afirma.

Fernando lembra as melhorias que sua bolsa de pesquisa trouxe para a USP. “Através da verba que recebi da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pude comprar equipamentos novos para a Universidade”. Mas também destaca a importância da USP para que sua pesquisa tivesse sucesso. “Por sua vez, a USP cedeu sua infra-estrutura (barcos, técnicos, laboratórios) para que eu fizesse meu trabalho. Acho que os dois saíram ganhando nessa", conclui.

Os pós-doutorados da USP devem ser supervisionados por um professor doutor da Universidade. Além disso, a pesquisa deve ser feita em tempo integral. Por isso, é necessário que o pesquisador comprove ter recebido uma bolsa de pesquisa ou ter obtido afastamento remunerado, em tempo integral, da instituição com a qual mantém vínculo empregatício.

Além de pesquisar, os pós-doutorandos da USP podem realizar uma série de atividades relacionadas à atividade acadêmica da Universidade como, por exemplo, participar de bancas de qualificação e de defesa de mestrado e doutorado; organizar seminários sobre seu tema de pesquisa na graduação, pós-graduação e para alunos de iniciação científica; desenvolver projetos de difusão científica e até participar da iniciação científica como orientador ou co-orientador.

Atalhos

Belmira destaca que o candidato ao pós-doutoramento precisa escolher bem o centro de pesquisa para o programa, assim como seu supervisor. “O pós-doutorando tem que ambicionar a escolha de um centro de pesquisa de ponta, bem como um supervisor que tenha liderança em sua área e possa lhe oferecer condições de aprofundamento acadêmico-científico”.

Fernando defende que o pós-doutorando deva buscar um lugar onde sua área não está sendo pesquisada, “assim o pesquisador chega agregando um conhecimento ainda pouco presente naquele campo. Quando eu cheguei no Cebimar não havia ninguém dedicado à minha linha de pesquisa”, conta.