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Com foco em ações futuras, cientistas debatem o panorama atual da biodiversidade no Brasil

Publicado em 21 novembro 2019

Ao longo dos anos de 2018 e 2019, a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) – grupo de trabalho formado por mais de 80 cientistas de todo o país – lançou o 1º Diagnóstico Brasileiro para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos e também um conjunto de relatórios temáticos que abordam questões como mudanças climáticas, conservação da água, restauração de paisagens e polinização.

Com o objetivo de discutir as principais conclusões desses documentos com a comunidade acadêmica e a sociedade em geral, foi realizado em Campinas, no dia 4 de novembro, o encontro “Biodiversidade não é problema, é solução!”. O evento ocorreu no Centro de Convenções da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“O momento político é extremamente oportuno para este debate. O Brasil teve de enfrentar este ano dois grandes problemas ambientais: a questão das queimadas – que era previsível e, portanto, evitável – e o derramamento de óleo, uma fatalidade que acaba de atingir a costa brasileira. Esses eventos mostraram como o país está despreparado para lidar com situações críticas rapidamente, de modo a mitigar os efeitos danosos ao ambiente”, disse Carlos Joly, membro da coordenação da BPBES e também do Programa BIOTA-FAPESP.

Por meio de uma revisão crítica da literatura científica e de outras formas de conhecimento, como o tradicional e o indígena, os autores do 1º Diagnóstico traçaram um panorama atual da biodiversidade brasileira e estabeleceram parâmetros para exploração econômica sustentável dos serviços ecossistêmicos. O estudo apontou que os seis biomas do país – Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Pampas e Caatinga – estão ameaçados pela ação humana em maior ou menor grau. Projeções estabelecidas por modelagens climáticas indicam que, se o nível de depredação ambiental não for revertido, a temperatura poderá subir mais de 3º C até 2070. Essa mudança causaria graves prejuízos, como a subtração de até 9% da bacia amazônica e de até 35% da bacia do rio São Francisco.

Mais do que conscientizar sobre a importância da conservação das espécies e dos biomas, o 1º Diagnóstico visa informar que a manutenção dos serviços ecossistêmicos também é relevante para a economia e a cultura do país.

“O valor agregado dos serviços ecossistêmicos e da biodiversidade das Américas equivale ao produto interno bruto de todas as Américas, sem considerar fatores que não podem ser monetizados, como o bem-estar humano. Desse modo, sua preservação é estratégica”, disse Cristiana Seixas, pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp e supervisora científica do relatório.

Com o objetivo de circular a informação além das universidades e centros de pesquisa, a equipe da BPBES também produziu um sumário voltado aos tomadores de decisão e ao público em geral, que apresenta as discussões atuais de modo mais didático e acessível. Além de cientistas, os autores consultaram organizações não governamentais, o setor empresarial e as comunidades tradicionais, como povos indígenas e quilombolas. A elaboração do trabalho contou com a participação de 164 autores de diversos estados brasileiros.

“Nosso objetivo era produzir um documento plural, com opções de governança e cenários decorrentes de ações que podem ser tomadas pelo poder público e privado. É um balizamento que fornece melhorias de gestão para questões ambientais”, disse Joly.

Fonte: Agência FAPESP

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