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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Colóquio discute história da arte e suas contradições

Publicado em 19 outubro 2011

Respeitar as tradições e ao mesmo tempo contrariar algumas delas certamente é um dos grandes desafios do historiador contemporâneo. Cerca de 50 conceituados pesquisadores da história da arte do país e da América Latina dão o tom provocativo e norteado por este viés para o Colóquio [Com/Con] tradições na História da Arte, aberto na quarta-feira (18) no auditório do Instituto de Artes (IA) da Unicamp. O evento é organizado pelo Comitê Brasileiro de História da Arte (CBHA) e prossegue até esta sexta-feira (21) com mesas-redondas e apresentações científicas em forma de pôsteres.

Para Maria de Fátima Morethy Couto, presidente do CBHA e docente do IA, por mais que o Colóquio inspire diversidade há uma tentativa de unidade, sobretudo em refletir o conceito de tradição presente no campo da história da arte. "Muito mais que celebrar uma disciplina sólida nosso objetivo maior é questionar os paradigmas que existem hoje no campo, pensar nas tensões existentes entre a disciplina de história da arte e suas disciplinas correlatas", afirmou.

É natural que os historiadores da arte busquem a reflexão sobre essa situação de imensa instabilidade e fragmentação do campo artístico, ponderou o historiador Luiz Cesar Marques Filho, docente do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e um dos mais respeitados estudiosos da arte italiana. "Há quase dois séculos a história da arte vem sendo revolucionada e convulsionada por diversas rupturas, e é natural que os historiadores da arte queiram refletir sobre essa situação", observou. Marques Filho abriu a primeira conferência do dia, intitulada "Do Interesse de um index iconográfico em História da Arte".

O Colóquio, em 31ª edição, está estruturado em 11 eixos conceituais, informou Fátima Morethy: Coexistências, anacronismos, coesão e ambiguidade; Padrões, permanência e mudanças no discurso historiográfico; Circulação e transferência, migrações e contaminações; Instituições, fronteiras e marginalidade; Intenções e interpretações, atribuições e legitimações; Estratégias de subversão e assimilação; Tradições populares na história da arte; Modelos, cópias e ressignificações; Arquivos e inventários, esquecimento e memória; Imagem e materialidade na história da arte; Original, falso e simulacro. É a segunda vez que a Unicamp recebe o Colóquio do Comitê, que é filiado ao Comité International d"Histoire de l"art. A primeira foi em 1992.

A presidente do CBHA fez a abertura do evento na tarde da quarta-feira no Auditório do IA, seguida por uma apresentação da soprano e docente do IA Inaicyra Falcão dos Santos. A artista fez uma releitura de cânticos em yorubá e português, que homenageiam as mães ancestrais na tradição afro-brasileira. Também participaram da abertura o chefe de gabinete adjunto da Reitoria, Ricardo de Oliveira Anido e a diretora-associada do IA, Anna Paula Silva Gouveia.

Museu de Arte para a Pesquisa e EducaçãoApós muitos cumprimentos dos colegas historiadores pela publicação da tradução comentada do livro "Vida de Michelangelo Buonarroti", escrito em 1550, o professor Luiz Marques deu início à primeira conferência do dia. Ele falou sobre a criação do Museu Virtual de Arte para a Pesquisa e Educação (MARE), trabalho que ele vem desenvolvendo no âmbito de projeto temático da Fapesp.

O Museu, de acordo com Luiz Marques, é um banco interativo com mais de 1000 imagens e textos sobre temas representados na arte ocidental, desde a Antiguidade. "O MARE é uma ferramenta para o incremento da cultura visual, histórica e científica. Pretende ser uma plataforma de referência para os estudantes, pesquisadores e professores de todos os ciclos de ensino e pesquisa", revelou.