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Colônias de aves da Antártica ameaçadas por agrotóxicos

Publicado em 06 agosto 2016

Esta é a cadeia de contaminação: o DDT é transportado pelo ar e pela chuva e se acumula em rios e lagos. Os insetos contaminados são comidos por peixes, que são devorados por outros predadores. Assim a cadeia alimentar otimiza o processo nocivo. O petrel-gigante se alimenta de peixes, lulas e até de carcaças de outras aves e agora está ameaçado. Aconteceu nos Estados Unidos com os falcões-peregrinos e os condores da Califórnia. O petrel-gigante-do-sul (Macronectes giganteus) é um importante predador no Atlântico Sul e Oceano Austral. Com envergadura de asas de cerca de 2 metros, é uma das maiores aves voadoras do planeta, menor apenas que o albatroz e o condor.  Petréis-gigantes podem viver mais de 50 anos.

 

O Brasil é atualmente o maior consumidor mundial de agrotóxicos. O uso proibido do DDT foi proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária apenas em 2009 mas, como persiste no meio ambiente, sua  ainda é detectada nos tecidos de animais como o petrel. A preocupação de Colabuono em acompanhar a vida de seus petréis-gigantes tem fundamento.

 

A pesquisa foi realizada pela bióloga Fernanda Imperatrice Colabuono, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). Ela estudou os animais das colônias de petréis-gigantes das ilhas Elefante e Livingston, no arquipélago das Shetland do Sul, na Península Antártica, com bolsa de pós-doutorado e bolsa de estágio de pesquisa no exterior da FAPESP. Segundo Colabuono, todos esses poluentes orgânicos são persistentes no meio ambiente, têm ação cancerígena, causam disfunção hormonal e problemas reprodutivos. Os resultados foram publicados num artigo em Environmental Pollution.

 

O artigo de Fernanda I. Colabuono, Stacy S. Vander Pol, Kevin M. Huncik, Satie Taniguchi, Maria V. Petry, John R. Kucklick, Rosalinda C. Montone, Persistent organic pollutants in blood samples of Southern Giant Petrels (Macronectes giganteus) from the South Shetland Islands, Antarctica, publicado em Environmental Pollution, pode ser acessado aqui. (Agência Fapesp/#Envolverde)