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UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Coleção Girinos do Brasil apresenta anfíbios de biomas brasileiros às crianças

Publicado em 30 maio 2019

Por Paula Silveira

“Sapo-cururu, na beira do rio,

Quando o sapo canta, ô maninha,

É porque tem frio.”

Quantas crianças já não pararam para refletir sobre o sapinho da secular cantiga popular repetida exaustivamente na infância? Os anfíbios passeiam sim pelo imaginário infantil ao chamar atenção por suas cores, formas, saltos e cantos.

Para aguçar ainda mais esse encantamento, inicialmente lúdico, por sapos, rãs e pererecas, um grupo de 22 pesquisadores do projeto Girinos do Brasil, pesquisa que integra o Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade do Brasil (Sisbiota) e é desenvolvida em 17 universidades brasileiras, entre elas a UFMS, acaba de lançar uma coleção destinada aos pequeninos.

“Além de termos publicações acadêmicas tradicionais, na forma de trabalhos científicos, também tivemos a preocupação de divulgar os resultados das pesquisas de maneira diferenciada, incentivando e ampliando o interesse das crianças pela ciência”, explica o professor do Instituto de Biociências (Inbio) Franco Leandro de Souza, um dos pesquisadores e coautor do livro “Grandes comilões: conhecendo os girinos do Pantanal e do Chaco”, uma das seis obras da coleção.

Completam ainda o trabalho os livros “De girino a adulto: muita história para contar”, que apresenta informações gerais sobre as pesquisas e o desenvolvimento dos animais, “Girinos de todo jeito: conhecendo os girinos da Mata Atlântica”, “Salvando a pele: conhecendo os girinos do Cerrado”, “Histórias de vida: conhecendo os girinos da caatinga” e “Diferentes formas de nascer: conhecendo os girinos da Amazônia”.

Com recursos do CNPq e da Fapesp (estado de São Paulo), o projeto foi coordenado pela pesquisadora Denise de Cerqueira Rossa-Feres (Unesp, São José do Rio Preto, SP) e teve a concepção gráfica e adaptação do texto para o público alvo pela professora Flávia Pereira Lima (Universidade Federal de Goiás – UFG).

Edições impressas serão distribuídas para as bibliotecas de escolas públicas e poderão ser trabalhadas pelos professores em sala de aula. Versões digitais também estão disponíveis para download (clique nas imagens abaixo para obter os livros). A coleção será exposta no estande no CNPq, durante a realização da reunião anual da SBPC na UFMS, em julho.

Diversidade

Com abrangência em todo o Brasil, o projeto teve como objetivo registrar a diversidade de girinos nos biomas nacionais, com mais de 300 espécies analisadas. “Em cada estado, onde havia um bioma representativo, um professor de cada instituição ficou responsável por coordenar localmente uma equipe para ir para campo e fazer as coletas padronizadas”, explica o professor Franco.

Algumas espécies são associadas a alguns biomas, enquanto outras aparecem em diversas regiões. “Um dos desdobramentos foi analisar como as lagoas, ou os corpos d’água, habitat desses animais, influenciam na diversidade das espécies que se apresentam ali”, expõe.

Em cada bioma, os pesquisadores utilizaram métricas que incluíram altura da vegetação no entorno e dentro dos corpos d’água, inclinação das bordas das lagoas, se o fundo era de lama ou de areia, se o entorno tinha pasto ou vegetação nativa, entre outras peculiaridades.

Além de informações sobre os anfíbios, os livros trazem ainda curiosidades sobre os biomas. No Pantanal, onde o pulso de inundação rege a vida das espécies locais, e no Chaco, localizado em uma pequena região de Porto Murtinho, os pesquisadores detectaram nessa pesquisa 25 e 22 espécies, respectivamente.

Os pesquisadores coletaram os girinos em lagoas permanentes e nas temporárias, que só surgem no período de chuvas. O sapo-cururu (Rhinella diptycha), aquele da cantiga popular, é uma das espécies apresentadas no livro do Pantanal e Chaco.

A coleção traz ainda reflexões importantes como a diminuição da população de anfíbios em todo o mundo, influenciada por causas como o desmatamento, mudanças climáticas, perda de habitat entre outras que também devem passear pela preocupação dos jovens leitores a quem a obra é dedicada.

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