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Colaboração entre Unesp e Portugal visa preservação de tubarões:

Publicado em 01 outubro 2015

Por Marcos Jorge

O Instituto de Biociências de Botucatu em parceria com o Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR), de Portugal, irão desenvolver nos próximos anos uma pesquisa que pretende ampliar o conhecimento sobre os tubarões a fim de colaborar para a sua preservação no Oceano Atlântico. Os tubarões oceânicos estão entre os animais mais vulneráveis do ambiente marinho devido à crescente pressão pesqueira, com diversas espécies apresentando declínios populacionais superiores a 80% nas últimas décadas.

O projeto foi um dos dez contemplados no edital apresentado pela Fapesp em parceria como a FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia), de Portugal. Segundo a agência paulista de fomento à pesquisa, a chamada foi a mais competitiva dos últimos anos, recebendo um total de 308 propostas.

A proposta intitulada Estudo interdisciplinar e inter-hemisférico em larga escala para a conservação do tubarão mako no oceano Atlântico será coordenada na Unesp pelo professor Fausto Foresti e, no CCMAR, pelo professor Rui Pedro Andrade Coelho. "Esta é uma espécie pouco estudada e muito explorada", explica Foresti, chamando a atenção para a necessidade de levantar informações biológicas, parâmetros de história de vida, padrões migratórios, dinâmica e genética populacional dos tubarões.

O foco do projeto no tubarão mako (Isurus oxyhinchus) se explica por ser uma das espécies mais capturadas pela pesca industrial oceânica. Segundo o professor de Botucatu, até pouco tempo atrás o tubarão era um subproduto da pesca, uma vez que sua carne tinha pouco valor comercial. Contudo, o aumento mundial no consumo de proteína e a valorização da sua barbatana no mercado chinês fizeram crescer a demanda pelo peixe. Foresti aponta que nos países asiáticos a nadadeira é tida como uma iguaria culinária e o quilo destas peças pode atingir valores muito mais altos que o da carne dos animais.

O projeto interdisciplinar pretende levantar informações dos tubarões que habitam o oceano Atlântico. Foresti destaca que a instituição portuguesa irá colaborar com sua excelência principalmente nos estudos de ecologia, biologia e reprodução dos tubarões. “Por meio de chips e radiotransmissores presos ao corpo dos animais, eles conseguem monitorar o deslocamento dos tubarões ao longo de extensas áreas, colhendo informações sobre seu comportamento nestes ambientes, por exemplo”.

O foco do Instituto de Biociências dentro do projeto será no estudo da caracterização genética destes organismos e da estrutura genética das populações. O CCMAR coletará amostras que serão enviadas para o Brasil para que o IB realize a extração e o sequenciamento do DNA. "Por ser uma espécie ainda pouco estudada geneticamente, não sabemos, por exemplo, se esta ocorre sem variação genética ao longo de toda a sua área de distribuição, formando uma única população ou se está estruturada em diferentes populações neste ambiente", explica o docente da UNESP. "Tal informação é essencial para a elaboração de programas adequados de conservação e manejo dessa espécie, uma vez que se existirem populações diferentes, estas devem tratadas como unidades específicas e receber manejo de pesca diferenciado".

O projeto também tem como parceiros brasileiros o professor Fernando Fernandes Mendonça, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), e o pesquisador Diogo Teruo Hashimoto, do Caunesp (Centro de Aquicultura da UNESP), que colaboraram na elaboração da proposta enviada à Fapesp, além do pesquisador português Miguel Neves dos Santos, do Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), de Portugal. A chamada inclui a mobilidade de pesquisadores de ambos os países, que terão a oportunidade de vivenciar as pesquisas nos laboratórios e nos locais de coleta de amostras com propriedade.

O trabalho do Instituto de Biociências, de Botucatu, com os tubarões foi matéria de capa da revista Unesp Ciência, de 2012.

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