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Vegetarianos

Código de alerta

Publicado em 01 agosto 2010

A polêmica em torno da mudança no Código Florestal Brasileiro ainda não terminou. Apesar da luta de ambientalistas contra as propostas de deputados ruralistas, que entre outras coisas defendiam o fim do estatuto da reserva legal e a anistia para aqueles que desmaiaram áreas protegidas, as mudanças foram aprovadas por uma comissão especial na Câmara dos Deputados no início de julho. Porém, a briga agora não é só entre ambientalistas e grandes fazendeiros. Pesquisadores ligados ao Programa Blota da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) divulgaram um alerta na revista Science: essas mudanças poderão levar à extinção espécies de animais e aumentar as emissões de gás carbônico na atmosfera.

De acordo com os seis pesquisadores (alguns da Universidade de São Paulo e outros da Universidade Estadual de Campinas), as alterações não só ameaçam a vida nos miomas, como representam o pior retrocesso ambiental no País. Na análise deles, as novas regras reduzirão a restauração de vegetação nativa ilegalmente desmatada desde 1965 e, com isso, as emissões de dióxido de carbono poderão aumentar substancialmente. Além disso, a partir de análises simples entre a relação espécies de animais e área desmatada, os cientistas prevêem a extinção de 100 mil espécies. "A reformulação do código baseia-se na premissa errônea de que não há mais área disponível para expansão da agricultura brasileira e não foi feita sob a égide de uma sólida base científica, pelo contrário, a maioria da comunidade científica não foi sequer consultada e a reformulação foi pautada muito mais em interesses unilaterais de determinados setores econômicos. É uma perda massiva que Invalidará qualquer comprometimento com a conservação da biodiversidade", afirma o texto assinado por Jean Paul Metzger, do Instituto de Biociências da USP; Thomas Lewinsohn, do Departamento de Biologia Animal da Unicamp; Luciano Verdade e Luiz Antonio Martinelli, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP (Cena); Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP; e Carlos Alfredo Joly, do Instituto de Biologia da Unicamp.

De acordo com a nova versão do Código Florestal, cada Estado terá o direito de decidir sobre o desmaie das APPs (áreas de preservação permanente às margens dos rios para atividades econômicas) desde que sejam atividades de baixo impacto (não especificadas) e que sejam garantidos no mínimo 15 m de área de preservação da margem de um rio. Os ruralistas defendiam 7,5 m e os ambientalistas, 30 m. Outra alteração que gerou ainda mais discórdia foi o que o relatório diz a respeito dos desmates realizados antes de julho de 2008. Agora os fazendeiros que desmaiaram antes dessa data não precisam pagar multa, mas precisarão recuperar a vegetação. Os ambientalistas reclamam da falta de prazo para o reflorestamento.

Informações: www.agencia.fapesp.br